close button

publicidade
Belle de Mamoru Hosoda

Belle de Mamoru Hosoda | Crítica

Eu realmente tenho um fraco por animações japonesas. Não apenas animes, mas filmes. Sinceramente, posso dizer, que eles tem um jeito muito especial de conseguir conquistar o público com suas histórias, que podem até ser simples, mas são sempre tocantes e com grandes histórias para nos contar. Belle com certeza não foi a excessão.

A Bela e a Fera, é um conto de fadas atemporal, apesar de ter sido sinônimo de um estúdio nos últimos 30 anos – a Disney. Então como fugir desse conceito, que foi construido pela empresa do rato? Para o diretor Mamoru Hosoda, a ideia foi exatamente não fugir, mas sim, incline-se em direção a ele. Muitas cenas do anime, são um lembrete do filme da Disney. Inclusive, esse filme teve até mesmo ajuda de um dos veteranos que trabalharam a animação Disney Studios:  Jin Kim, designer de personagens deles.

No entanto, Belle segue um caminho único, que o difere da versão da Disney, mas que é tão encantador quanto.

Roteiro de Belle

Belle, conta a história de uma estudante do ensino médio, chamada Suzu, que perdeu a mãe quando muito jovem e mal se mantém em um relacionamento com pai. Na escola é uma garota tímida, e com uma única amiga, mas que vê em uma realidade virtual a chance te ter uma outra vida. Suzu, quando sua mãe era viva, era apaixonada por música, e cantava bastante, mas nunca mais conseguiu cantar depois que sua mãe faleceu. Mas nessa realidade virtual, chama de U, Suzu se torna Belle, uma cantora muito famosa em todo esse mundo.

Durante um de seus shows, ela descobre a existência de uma fera. Um “monstro” que de acordo com alguns, perturba a pacificidade do mundo virtual. Mas diferente de todos, Belle na verdade passa a ver algo diferente nessa fera, e decide ajuda-lo. Mas as coisas deixam de ser apenas algo da realidade virtual, e passa a refletir na vida real. Suzu, é uma personagem cheia de facetas; insegura e solitária, mas atormentada pela vontade de expressividade e propósito, que é o que a leva a desvendar o mistério da origem da Besta.

Belle também se trata de um musical e, mesmo que a trilha sonora possa não estar entre os grandes teatros da Broadway, a trilha sonora ainda é algo que você vai querer ouvir e ouvir, repetida e repetidas vezes. 

Uma nova versão de A Bela e a Fera

Aqui temos uma nova versão do conto da Bela e a Fera, mas com um toque moderno. A realidade virtual, e os problemas que começam a refletir na vida real, são o diferencial. E não apenas isso, mas como Mamoru Hosoda consegue costurar essa história com uma triste realidade de muitas crianças que vivem situações complicadas em casa. Além de também conseguir costurar tudo isso, tratando de forma responsável as questões dos traumas infantis, causados por diversas situações.

Esta não é a primeira vez que Hosoda – conhecido por Digimon Adventure e A Garota que Conquistou o Tempo e também o indicado ao Oscar, Mirai  – faz referência  à Bela e a Fera em seu trabalho. Sua influência também é clara em O Garoto e o Monstro de 2015.

Belle, carrega um lado mais sombrio em sua história que pode ser pesado para crianças, mas posso dizer, que essa adaptação está altura de qualquer outra adaptação de A Bela e a Fera que você conhece. Mesmo a da Disney, que com certeza é a mais conhecida.

As influências da animação também se estendem ao visual do filme. Enquanto no mundo real, temos aquele estilo já conhecido dos animes, o 2D feito à mão com cores mais neutras, no mundo virtual de U, é usado o bom CGI, e desenhado em 3D fervilhando de cores fantásticas.

Uma história estonteante visualmente que reproduz contos de fadas clássicos misturados com um toque de cyberbullying, Belle é uma história tocante, cheia de charme e imaginação. É um filme que quem aprecia animação não vai querer perder.

Belle estreia dia 27 de janeiro, exclusivamente nos cinemas.

Postagens Relacionadas