close button

publicidade

A Roda do Tempo (1ª Temporada)

A literatura de fantasia teve um auge surpreendente no início do século, com várias histórias saindo dos papéis e chegando a telonas. Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Crepúsculo e Jogos Vorazes marcaram uma geração de cinéfilos que migraram dos romances para as adaptações, e por algum tempo, muitos tentaram replicar o sucesso que cada um deles alcançou; Game of Thrones foi o que mudou o foco das telonas para as telinhas, mas nenhuma outra produções conseguiu ser tão grande quanto as mencionadas acima. Mas o ano de 2021 se provou uma virada. No início do ano tivemos a surpresa da Netflix Sombra e Ossos que soube reascender aquela chama de esperança, e agora, finalizando o ano, foi a vez do Prime Video trazer A Roda do Tempo, uma das principais obras da segunda metade do século XX de fantasia, com uma adaptação que com toda a certeza pode começar uma nova para as adaptações literárias para os streamings.

No universo de A Roda do Tempo, criada por Robert Jordan, o mundo passou por eras, e na terceira era, mulheres capazes de manipular a magia, conhecida aqui como Poder Único, protegem todos, e impedem que homens capazes de manipular a magia também, espalhem o caos, uma vez que a fonte por onde eles acessam esta corrompida pelo Tenebroso (pior tradução para The Dark One), uma força contrária a vida. Neste mundo, uma criança por geração nasce com um enorme poder, e conhecido por Dragão Renascido, ele está destinado a combater o Tenebroso, ou se juntar a ele e espalhar mais caos. Na busca do Dragão Renascido, Moraine Sedai (Rosamund Pike) encontra cinco pretendentes a Dragão, e vão enfrentar os perigos deste mundo, antes de enfrentarem a grande ameaça do caos do Tenebroso.

Para deixar claro, a saga literária A Roda do Tempo é uma das mais longas, se não for a mais longa de todos as histórias de fantasia. Robert Jordan escreveu 11 livros, e estava escrevendo o 12º, que seria o último, mas acabou falecendo, e para encerrar a história criada por ele, sua esposa escolheu Brandon Sanderson, um autor fã da franquia, para usar as anotações do marido e encerrar a história, e ele acabou escrevendo mais 3 livros, totalizando 14 livros. É uma história longa, complexa, cheia de personagens, tramas, aventuras. Ou seja, um prato cheio para qualquer rato de biblioteca, e um mundo tão rico, chegar às telonas ou telinhas é o caminho que precisa ser comedido, e a série se tornou a série mais popular deste ano, e com certeza, a forma de sua transmissão tornou o caminho mais especial.

Digo por experiência própria que a série teve uma grande influência para me tirar da ressaca literária que já estava vivendo há alguns anos. A série trouxe uma complexidade muito clássica, que líamos não romances de Young Adults do final do século passado, e início deste século, que mistura mitologias num contexto atual, cheio de referências e analogias, e traz conversas diversas que se relacionam com temas da realidade. E esse detalhe se mesclou bem com a atualidade que vivemos.

Um ponto superpositivo são os protagonistas. Tirando Rosamund Pike, que vive Moraine, que além de uma das protagonistas é a produtora executiva, a maioria deles são rostos desconhecidos, e isso faz com que não começamos a acompanhar essa aventura comparando trabalhos antigos dos mesmos, e sim, aproveitar o que eles vão entregar destes personagens. Toda a progressão de cada personagens, vindo de alguém que não leu (ainda) a saga, é de que cada um tem um elemento interessante que acaba nos fisgando para continuar acompanhando, como cada um vai evoluir com a história.

Por conta de ser apenas uma temporada de apenas oito episódios, A Roda do Tempo escorrega no assunto de dividir igualmente o mistério de quem é o Dragão. Diferente dos livros, que já se sabe quem é o Dragão, a série se colocou num mistério do público que não conhece a história descobrir com as pistas que vão lançando pouco a pouco, mas a falta de foco em determinado personagem, principalmente a falta de Condução do Poder Único por ele, acaba evidenciando a falar de desenvolvimento neste personagem. Existe um enorme desenvolvimento para Egwene (Madeleine Madden), para Nynaeve (Zöe Robins), pro Perrin (Marcus Rutherford) e até para Mat (Barney Harris) e Lan (Daniel Hanney), cada um tem um desenvolvimento próprio, ligado diretamente com o Poder Único, ou com alguma espécie de magia, mas Rand (Josha Stradowski) tem quase nenhum, apenas uma cena no terceiro episódio, que é esquecível perto dos feitos e descobertas dos outros.

A série ainda impressiona pelos cenários, que por mais medievais, se revelam estar num futuro distópico que surpreende quando notamos esses detalhes, além do vestuário e mundo criado que lembra o vasto mundo de O Senhor dos Anéis e histórias correlatas. Devo ainda mencionar o excelente trabalho de trilha sonora que a série entrega, escondendo a presença de personagens nos sons.

A Roda do Tempo é uma história ambiciosa, grandiosa e importante para romances de fantasia, e não a toa, já temos a confirmação de uma segunda temporada em desenvolvimento, e que tem uma difícil tarefa pela frente: se manter tão interessante e coesa no seu mundo, e ajeitar os problemas de apressar tramas e esquecer detalhes de outras, que não deixe desbalanceado o protagonista e a importância de cada um dos personagens, mas que se tratando do estúdio que está investindo na série do Senhor dos Anéis, A Roda do Tempo tem um caminho seguro com o cuidado que já se nota na primeira temporada pelo excelente mundo criado que fez os fãs da saga muito felizes no final deste ano, e que pode se orgulhar de fazer novos fãs, que assim como eu, já começaram a mergulhar no mundo de papel e tinta de Robert Jordan.

A Roda do Tempo

A Roda do Tempo
4 5 0 1
Eras vão e vem. Num mundo devastado pela decisão do último Dragão, quando o mesmo enfrentou o Tenebroso e acabou maculando o lado masculino do Poder Único, sua reencarnação tem um caminho tortuoso. A Aes Sedai Moraine, uma das mulheres capazes de manipular o lado feminino do Poder Único busca o Dragão Renascido, e acaba encontrando cinco em potencial. Para prepará-los para a batalha final contra o Tenebroso, que está aumentando seu poder, eles passaram pelos perigos do mundo para conseguirem impedir que o caos se espalhe.
Eras vão e vem. Num mundo devastado pela decisão do último Dragão, quando o mesmo enfrentou o Tenebroso e acabou maculando o lado masculino do Poder Único, sua reencarnação tem um caminho tortuoso. A Aes Sedai Moraine, uma das mulheres capazes de manipular o lado feminino do Poder Único busca o Dragão Renascido, e acaba encontrando cinco em potencial. Para prepará-los para a batalha final contra o Tenebroso, que está aumentando seu poder, eles passaram pelos perigos do mundo para conseguirem impedir que o caos se espalhe.
4/5
Total Score
Postagens Relacionadas