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The Witcher (2ª Temporada)

Pode não parecer, mas o fã tem um grande poder de mudança dentro da indústria do entretenimento. Foi em 2019, com o lançamento do primeiro trailer de Sonic, os fãs se mobilizaram – apenas falaram o que pensaram no Twitter – sobre o design do ouriço azul, e sua estranheza, para o diretor do longa prometer alterá-lo, e semanas depois, ganharmos a versão mais conhecida do personagem. Esses mesmos fãs conseguiram há algum tempo que a Netflix produzisse hm filme de conclusão para Sense8, e atualmente, o gosto do fã é levado a série. Uma prova disso é a nova temporada de The Witcher, série baseado no romance de Andrzej Sapkowski, que inspirou uma franquia de jogos, e que sua primeira temporada foi um sucesso de acesso na plataforma, mas que acumulou inúmeras reclamações sobre a confusão que a história se mostrava para os telespectadores. Mas a segunda temporada veio para endireitar essas confusões, e se aprofundar mais no cerne da história que a Netflix está querendo abordar.

Finalmente seguindo apenas um momento da linha do tempo do Continente, Geralt (Henry Cavill) encontra Ciri (Freya Allen), sua criança surpresa, durante a batalha de Sodden. Tentando protegê-la dos perigos que a cercam por ser a única sobrevivente de Cintra, e sabendo que sua amada Yennefer (Anya Chalotra) está morta, eles rumam para o longínquo Kaer Morhen, lar dos bruxeiros. Mas a segurança de Ciri está longe de ser um estado permanente, já que várias facções nesta guerra de poder sabem mais e mais de sua existência, e de seus poderes. Caberá a Geralt descobrir o que Ciri é, além de treiná-la para se proteger e entender seus poderes.

Eu fui um daqueles que reclamou ao terminar a primeira temporada. Na época, a Netflix enviou antecipadamente a temporada para produzirmos conteúdos e divulgação, e a gana, inflada pela visita do próprio Henry ao Brasil durante a CCXP 2019, acabou fazendo com que fossemos com uma fome exagerada para consumir os oito episódio, o que acabou gerando a confusão de um roteiro não convencional. Com várias idas e vindas nas aventuras de Geralt, a jornada pela magia de Yennefer e a fuga de Ciri, a primeira temporada sofreu com algo que ainda não tínhamos notado na época, que é o grande calcanhar de Aquiles da Netflix. Mas devo admitir que reassisti a primeira temporada, desta vez com paciência, sem aquela gana de terminar o quanto antes para não sofrer o bombardeiro de spoiler que todo mundo joga nas redes sociais.

E não poderia ter ficado mais feliz em assumir que sim, a primeira temporada é muito boa, ela não tentou ser a espertinha, e criar a sensação que acusamos ela de tentar emular o roteiro de Westworld, pois a história deixava pistas de que estávamos em momento diferentes, e fazia inúmeras referências sobre isso, e contava de forma diferente essa jornada complexa por um mundo diferente, que se você não conhece o romance de Andrzej ou não jogo um dos jogos da CD Project, ficaria confuso.

Já nesta temporada – que é o foco deste artigo – a história segue um desenvolvimento linear, em todos os arcos e núcleos. E isso foi algo prometido pela showrunner, Lauren Schmidt Hissrich, e que foi cumprido. Além disso, essa segunda temporada se torna mais sombria, e isso é sentido desde o primeiro episódio. Estamos entrando num terreno mais denso, mais perigo, quanto mais a verdade se revela, e as pessoas começam a mostrar sua verdadeira face.

A história continua se apoiando na mensagem que monstros não são aqueles que tem aparências hediondas, literalmente Monstruosas, mas que as ações mais vis tornam as aparências mais belas em monstros. Mas a história aqui se permite ser mais interpessoal, e se focar nos laços que são formados pelos personagens.

O grande destaque aqui é a interação de Henry e Freya. Como mencionei no artigo de Primeiras Impressões, é a primeira vez que ambos os atores contracenam juntos, e desde o primeiro momento sentimos essa conexão forte entre eles, uma química única. Nota-se o excelente trabalho em trabalhar a relação pai e filha dos atores. Outra relação que é bem vista, mesmo que deixada de lado para a história da série, é a relação de mãe e filha entre Tissaia (MyAnna Buring) e Yennefer. Vale ressaltar que a relação materna entre Yennefer e Ciri também tem espaço para ser iniciada, mas que pode ser aprofundada na próxima temporada.

O grande ponto a se ressaltar para está temperada é o trabalho que a Netflix e a CD Project estão realizando, principalmente este ano, inserindo inúmeros referências, menções e Easter eggs da mitologia que fomos apresentados no anime The Witcher: Lenda do Lobo, além de alguns foreshadowing do terceiro jogo da franquia, The Witcher: Caçada Selvagem. Isso se alinha a um grande universo sendo construído pelas empresas para transformar a franquia The Witcher num enorme catálogo de produções inéditas, que já tem notícias de spin-offs confirmados, e mais histórias a serem explorados.

Tirando toda a aventura sobrenatural que envolve os bruxeiros, a história ainda fica confusa quando entramos no quesito de política. Fica confuso entender as motivações políticas do núcleo de Aretuza, ou de Nilfgaard – mesmo que a revelação final surpreenda muito, até quem conhece um pouco a história previamente – chegando até a questão dos elfos nesta terra. Quem eles apoiam, suas políticas e motivações, o que cada um quer – mesmo que seja óbvio em algumas partes – fica confuso compreender num escopo mais abrangente.

Posso referenciar aqui Game of Thrones, que mesmo com a quantidade enorme de povos e pessoas que lutavam uma guerra continental, sabíamos que o foco era o Trono de Ferro, controle pelo continente, ou simplesmente a independência do Trono, como no caso dos nortenhos ou das Ilhas de Ferro. Aqui em The Witcher fica confuso o que cada um quer, o que cada um apoia, quais são suas motivações, quem apoia, quem defende, quem é contra. Talvez seja mais uma vez a forma de entregar tudo de uma vez que prejudique, mas reassistir, com máxima atenção, pode clarear essas idéias.

The Witcher conseguiu endireitar sua história, após inúmeros pedidos dos fãs, após uma primeira temporada que pareceu confusa, mas que acabou sendo uma das primeiras produções da Netflix a sofrer com o formato de tudo liberado de uma vez, que podemos discutir em outro momento, em outro artigo ou vídeo, mas que esta segunda temporada se mostrou mais coerente em seu desenvolvimento, surpreendente em conectar spin-offs dentro do material core, além de deixar vários foreshadowing para os fãs que estão por dentro da franquia aguardarem para ver como a história se desenvolverá. Essa temporada foi resumida a se endireitar, mas também em focar nas relações mais humanas, principalmente do trio protagonista, e levar a sensação de uma família pronta para enfrentar o grande perigo que começará a se desenrolar pouco a pouco, seja nas próximas temporadas, ou spin-off entre séries, séries limitadas ou filmes, e expandir ainda mais essa franquia.

The Witcher (2ª Temporada)

The Witcher (2ª Temporada)
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Acreditando que Yennefer está morte, e finalmente com Ciri, Geralt ruma para Kaer Morhen, para proteger sua criança surpresa dos perigos que a cercam. Mas mesmo no lar dos bruxeiros, a segurança de Ciri não será permanente. Enquanto treina a jovem para se defender, Geralt tenta entender as dimensões de seus poderes, enquanto mais perigos surgem atrás de Ciri
Acreditando que Yennefer está morte, e finalmente com Ciri, Geralt ruma para Kaer Morhen, para proteger sua criança surpresa dos perigos que a cercam. Mas mesmo no lar dos bruxeiros, a segurança de Ciri não será permanente. Enquanto treina a jovem para se defender, Geralt tenta entender as dimensões de seus poderes, enquanto mais perigos surgem atrás de Ciri
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