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Casa Gucci

Lady Gaga é uma artista que está mostrando nos últimos anos uma enorme gama de qualidades artísticas que não se via a muito tempo. Após ter se tornado um nome gigantesco no mundo da música na segunda metade dos anos 2000, e nos anos 2010, ela se aventurou na atuação, integrando o elenco de American Horror Stories, série antológica de Ryan Murphy, que lhe rendeu prêmios, mas seu maior prévio veio em 2019, quando venceu o Oscar por Nasce Uma Estrela, e podemos ver esse fato se repetir agora em Casa Gucci, adaptação do livro biográfico do envolvimento de Patrizia Reggiani com a família Gucci e como ela foi o pivô para a queda da família de um dos maiores impérios nos anos 1980-1990.

No longa, conhecemos Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma secretaria de um empresa de carretos do seu pai na Itália, que acaba conhecendo o acadêmico Maurizio Gucci (Adam Driver), um tímido herdeiro de um império. Apaixonada, ela se vê com grandes obstáculos para viver este amor, mas quando finalmente supera este obstáculo, sua ambição a levará num caminho sem volta, repleto de traições, fraudes e a queda da família por trás da marca Gucci.

Casa Gucci pode ser um grande divisor entre os telespectadores. Ao sair da sala de cinema, quem vos escreve chegou a conclusão de ser um digno filme para estrelar no Oscar, com atuações no ponto, ambientações belíssimas, trilha sonora marcante, e um arco narrativo muito envolvente, coerente e bem construído… Mas após horas analisando mais minuciosamente o que tinha acabado de assistir, as falhas começaram a ressaltar a memória.

Não é que o filme seja ruim. Muito pelo contrário. A história segue muito o que conhecemos de telebiografias dramáticas, apresenta os personagens e a trama em poucas cenas que precisa vender a veracidade que aquilo aconteceu – e de fato, aconteceu – enquanto costura os fatos com cenas dramáticas criadas para dar profundidade e melodrama para a narrativa. Já tivemos alguns destas histórias nos últimos anos, e todas marcaram presença nas premiações: Rocketman e Bohemian Rhapsody no Oscar, e Halston no Emmy são ótimos exemplos de dramatização de personalidade e fatos que aconteceram.

A diferença aqui é que o tom mais exagerado dos personagens acaba caindo num caricato quase desconfortável. É inegável que a imagem de italianos e descendentes de italianos ficou marcado pela forma exagerada que nos – me inclui nesta, por ser descendente de italiano – conversamos: gostamos de conversar com as mãos, o famoso gesticular. Isso acaba sendo bem forçado na representação de personagens que vem da Itália, e sua interpretação beira ao overdramatic. E aqui tudo está num nível acima do normal.

Outro ponto que não colabora com a interpretação exagerada é a edição e montagem da história. Transições abruptas, acontecimentos que se você piscar você perde algum detalhe, montagens que parecem confusas. Além disso, temos a trilha sonora, que apesar de condizendo com a época que se passa a história, ela pode soar desconecta do tom que a história apresenta.

Mas este é um filme de premiações, e aqui temos que exaltar o trabalho de atuação – sim, eu sei que reclamei há dois parágrafos acima sobre o exagero, mas Lady Gaga, Jared Leto e Al Pacino acabam roubando a cena todas as vezes que aparecem. Lady Gaga por ser o fio condutor para os acontecimentos, e pela história ser focada nela; Jared Leto e Al Pacino entregam uma dupla impagável, beirando ao cômico, mas impecáveis a sua maneira. Outro ponto que já menciono aqui é o design de produção, que tem grandes chances de brilhar em premiações.

Casa Gucci pode ser aquele filme que ou você vai questionar sua opinião. Diferente de muitas obras que abordam uma cinebiografia de alguma personalidade, Casa Gucci se foca nas maracutaias e tramóias que ocasionaram que a família Gucci não estar mais na Gucci, e como a Patrizia foi o principal agente para isso acontecer, não colocando-a como a mulher interesseira, mas uma ambiciosa mulher, que não mediu esforços para conseguir o que queria, mas que acabou com uma das famílias mais importantes da moda nos anos 1980. Destacando as atuações – mesmo exageradas – e a produção setentista e oitentista, ela pode brilhar nas premiações de 2022.

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