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Mestres do Universo: Salvando Eternia – Parte 2

Em julho deste ano, a Netflix lançou uma produção que era para ser nostálgica: Mestres do Universo: Salvando Eternia dava continuidade a história de He-man e os Mestres do Universo, animação dos anos 1980, que acompanhou uma legião de crianças, e que é querida pro muitos. Mas o que ela não esperava ao lançar a primeira metade da temporada era o hate, principalmente dos fãs mais nostálgicos, sobre a nova direção que a história tomava. Nós, aqui do Geek Antenado, adoramos a proposta – apesar de curta – que atualizava uma produção fruto de sua época, para uma roupagem mais atual, colocando nos ombros de Teela o protagonista. E nesta última semana de novembro chega a segunda parte, que, mesmo já produzida há um tempo, surpreende em trabalhar ainda mais temas atuais, mas traz de volta um pouco da essência de He-Man.

Adam (voz de Chris Wood) está ferido, Teela (voz de Sarah Michelle Gellar) e Andra (voz de Tiffany Smith) foram capturadas. Esqueletor (voz de Mark Hamill) conseguiu tomar a Espada do Poder, e convocar o Poder para si. Com a ajuda passiva e automática de Evelyn (voz de Lena Headey), ele começa a ameaçar toda Eternia e o Universo em sua busca por matar He-Man. Mas após uma fuga quase impossível, os heróis precisam encontrar uma força mais poderosa para deter Esqueletor e Evelyn, quando um evento único está próximo de acontecer, e pode ser decisivo para toda a existência.

Sentimos, desde a primeira cena desta parte, que a produção e os roteiristas, principalmente os roteiristas, tiraram uma coragem que há muito não se via. Primeiro, associar mortes gráficas e violência extrema numa animação que é voltada para criança é algo quase inconcebível. Você não vê a Disney matando a torto e a direto seus personagens, independente de qual estúdio em seu leque. A morte sempre foi subjetiva, principalmente, a morte intencional. Foi surpreendente ver Adam atravessado por uma espada nos minutos finais da primeira parte, mas a segunda tem a coragem de eliminar personagens de forma violenta, quase visceral; e de certa forma, você fica chocado ao lembrar que crianças assistiam essa série.

Mas toda essa coragem não é um ponto negativo, pelo contrário, estar sendo distribuída pela Netflix deve ter permitido essa liberdade, e que é muito bem vinda. A primeira metade tinha esse teor mais sério, abordando de forma mais superficial temas como desigualdade social, o luto de Gordo pelo genocídio de seu povo, entre outro temas que ficaram subentendidos. Parecia que a série estava preparando o terreno quando fosse inserir o real perigo e as consequências de uma guerra de fato.

Mais uma vez, a figura de Adam não tem tanta importância como teve na primeira metade. Ele é importante? De certa forma sim, mas a história aqui se foca mais na continuação da jornada de Teela e adiciona a jornada pessoal de Evelyn, que ganha mais espaço no terceiro episódio – ou oitavo episódio, já que ainda é a primeira temporada – e aproveita para trabalhar um assunto denso e pesado, de uma forma muito bem feita: o abuso doméstico.

Mas tirando o desenvolvimento, a metade da temporada expande – sem trocadilhos – o conceito do Universo dentro da série, dando um vislumbre sobre a grandiosidade da criação deste universo, e levando o conceito da nossa insignificância perante um vasto universo caótico de proporções imensuráveis. Ela deixa esses elementos bem embasados e com artifícios narrativos personificado em analogias e mitologias, para explicar a criação da magia, a criação do Poder, a criação de Eternia e sua importância no macrocosmos.

Com a presença de Adam/He-Man maior, se prepara para piadas oitentistas, típicas de tios do pavê-pacumê, quando ele não está na sua forma marombada arrasando tudo.

A história culmina num momento épico, mas que perde totalmente a força por não sabermos a exata relação dos povos de Eternia, que vivam numa grande Guerra Fria, mas que precisavam se juntar no final para enfrentar a obliteração final. Esse momento lembrou o momento crucial da Batalha dos Bastardos em Game of Thrones, quando Jon (Kit Harrington) está sozinho no campo de batalha, pronto para enfrentar um batalha dos Bolton, quando Sansa (Sophie Turner) aparece com as tropas do Ninho da Águia. Mas essa sensação não existe – acredito que para alguém que não acompanha os quadrinhos e se lembre da série clássica, essa sensação é bem exata.

Mestres do Universo: Salvando Eternia – Parte 2 conclui de forma imprevisível a história deste herói que acompanhou o crescimento de uma geração saudosa de crianças, que que foi presente na geração seguinte (a qual pertenço), que conseguiu atualizar essa narrativa, e que pode gerar conflito aos nerdolas mais presos ao passado, mas que essa história não anula a série dos anos 1980, mas é a porta de entrada para novos fãs se interessarem por conhecer a origem, e ainda deixa no ar muitas possibilidades para o futuro desta história.

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