close button

publicidade

The Morning Show (2ª Temporada)

Já falamos que este ano, 2021, é o ano do streaming. Mas estamos repetindo essa frase desde 2019, quando duas gigantes empresas – uma de produtos tecnológicos e outra do entretenimento audiovisual – lançaram suas próprias plataformas: Apple TV+ e Disney+. Tudo bem que, para a segunda, uma fama de realizar sonhos a siga há quase 100 anos, mas a primeira, foi uma grande novidade: como uma das empresas com os melhores aparelhos tecnológicos poderia explorar o entretenimento audiovisual? Na sua estreia, além do catálogo de compra, 10 produções originais estrearam, entre elas, animações, séries de comédia, drama, filmes e alguma conteúdos, mas o que saltou ao olhos foi The Morning Show, série indicada e vencedora do Emmy 2020, que acabou sofrendo por conta da pandemia, e teve sua segunda temporada encerrada este mês de novembro, mas com um gosto meio amargo.

Após o anúncio da conduta do chefe da emissora sobre os casos de assédio, a UBA passou por momento de transição: Alex Levy (Jennifer Aniston) desapareceu; Bradley Cooper (Reese Witherspoon) continua comandando o programa matutino, agora ao lado de um co-âncora, mas acabou de perdendo para agradar a grande população; Cory Ellison (Billy Crudup) assumiu a cadeira de CEO da emissora; enquanto Mitch Kessler (Steve Carrell) tenta reconstruir sua vida e se disciplinar longe dos holofotes. Mas a sombra de uma pandemia ameaça a rotina do mundo, enquanto suas vidas são ameaçadas pelo lançamento do livro de Maggie Brenner (Marcia Gay Harder), prometendo revelar tudo o que aconteceu no escândalo do The Morning Show e da UBA.

Sem sombra de dúvidas, The Morning Show foi um marco para as produções seriadas naquele longínquo ano de 2019: abordando a rotina da produção de um programa jornalístico e de entretenimento na TV Estadunidense, enquanto aborda as nuances do abuso, e da luta por justiça, quando a maior ferramenta para a luta é utilizada para barganhar e desmerecer a história, nas mãos dos infratores. Mas existe aquele resquício, personificado na personagem da Bradley, de luta pela verdade acima de tudo, e por justiça… Mas, a segunda temporada acaba se aprofundando demais em resolver o empasse pessoal de Alex e Mitch, além da imagem dos personagens, e acaba esquecendo sua promessa.

Quando fora renovada, lá em 2019 ainda, não sabíamos que hoje estaríamos a quase dois anos numa pandemia. Os roteiros, com toda a certeza, estariam em outra direção, mas quando todas as produções foram adiadas ou canceladas por conta das recomendações da OMS, a produção prometeu – e aqui eu repito: PRO-ME-TEU a cobertura que os reais jornais deram a pandemia durante o período, e como isso influenciou a história dos personagem do TMS, mas não foi exatamente isso que recebemos.

Nos dez episódios, temos mais das articulações do alto escalação dos jornalistas, permuta de vazamentos e informações para encobrir escândalos pontuais, mais promessas de confiança, e a sombra de uma época que abraçar, beijar o rosto, apertas as mãos e outros gestos eram nossa rotina – e isso foi há dois anos. Essa cobertura da pandemia aparece rapidamente na metade da temporada, e depois é quase uma sombra na segunda metade, até o último episódio, que com o título de Febre (Fever, em inglês) aborda o início da pandemia de fato, e a falta de informação que assolava naquela época a população.

Vale ressaltar aqui que estou sendo chato com as promessas e o desenvolvimento do roteiro, e não das atuações. O próprio desenvolvimento, até dos personagens, é lento, é massante em determinados momentos, e nem parece a mesma série que, pessoalmente, fiz campanha para todos que conhece em assistir. Enquanto que a primeira temporada é um show de Casos de Família, só que aplicado no ambiente de um programa de TV, e abordando temas delicados como abuso de poder, abuso sexual, e outros temas, os acontecimentos não deixavam seus espectadores respirarem. Sempre estava acontecendo alguma coisa, sempre estava explodindo bombas e notícias chocantes, quando não, acontecia um desastre, e aí víamos a cobertura do mesmo, e como esse fato movimenta a trajetória de cada um e da história core para o próximo nível. Essa segunda temporada parece que rodou no mesmo ponto, e acabou não entregando o que havia prometido.

Como mencionei acima, as atuações não são a parte negativa. Novamente, todo o elenco entregou a qualidade que acabamos nos acostumamos na primeira temporada, mas aplicado ao contexto mais monótono e arrastado da segundo, e que pode destoar um pouco. Novos personagens entram para mexer um pouco – um pouco mesmo – nesta dinâmica. Devo mencionar a nova diretora de notícias, Stella Bak (Greta Lee), que acaba ganhando sua atenção pela atitude e personalidade que vai se desabrochando pouco a pouco, até o seu momento no episódio final, mas que foi uma escolha interessante, em colocar uma personagem que representa uma etnia que foi a grande vítima durante a pandemia, inserida numa posição de poder dentro da emissora.

Alguns poucos personagens acabaram sendo “esquecidos” neste foca desmedido em história pouco interessantes, e que mereciam mais atenção, como a de Daniel (Desean Terry) que se resumiu ao homem negro com raiva, e estepe da emissora para acobertar os deslizes das âncoras; a Mia (Karen Pittman), uma das vítimas dos colegas, e que assume a posição de diretora do programa, e tem seu momento lá no antepenúltimo e penúltimo episódios, mas é só. Sem contar assuntos simplesmente a jogados que você acaba esquecendo.

The Morning Show ainda continua com o cerne de qualidade, visualmente, tecnicamente, e de atuação, e que enfrentou muita coisa para chegar nesta segunda temporada, mas que perdeu muito tempo em histórias desinteressantes, e que a promessa de ver as consequências dos atos de Alex e Bradley, durante a cobertura da COVID algo que devemos esperar para uma terceira temporada, e esperar que, assim como a primeira, abordem inúmeros temas de cobertura jornalista que influência as personagens, e que o ano de 2020, mesmo que queiramos esquecer, trouxeram grandes assuntos para serem discutidos, pelo mundo todo, e que a série poderia aproveitar sua ambientação para explorar mais, e realizar aquilo que prometeu.

Postagens Relacionadas