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Noite Passada em Soho

Edgar Wright pode ser um nome já conhecido dentro do mundo do cinema. O inglês conta com inúmeras produções únicas, muitas com colaboração com Simon Pegg ou Nick Frost, ou produções que foram grandes sensações de sua época, como Em Ritmo de Fuga ou Scott Pilgrim Contra o Mundo, mas ele pode ser mencionado a partir de agora, naquelas referências em notícias que você vê aqui e em outros veículos de entretenimento, diretamente com Noite Passada em Soho, a mais nova produção de suspense psicológico, estrelado por Anya Taylor-Joy e Thomasin McKenzie, que visita a década de 1960 de uma Londres fervilhando, mas que traz uma mensagem de aviso para o deslumbre perigoso de uma vida luxuosa.

Em Noite Passada em Soho, seguimos Eloise “Ellie” (Thomasin McKenzie), uma aspirante a estilista que foi criada pela avó, após a mãe ter se suicidado, e que conseguiu entrar numa renomada universidade de moda em Londres. Apesar de empolgada, Eloise acaba sofrendo bullying pelas colegas de curso, pelo seu jeito ingênuo e do interior, e resolve se mudar para uma pensão da Sra. Collins (Diana Rigg), onde lá, toda noite, ela experiência uma viagem pelo tempo, vendo a luxuosa vida da aspirante em cantora Alexandra “Sandie” (Anya Taylor-Joy). Deslumbrada pela vida de Sandie, Eloise assimila mais e mais da personalidade, visual e gostos, mas quanto mais vislumbra o passado, mais sombrio sua vida se torna ao descobrir a verdade da aspirante a cantora.

Devo admitir que ao assistir este filme, tinha uma expectativa sobre ele, uma expectativa boa e alta, já pelo visual e o tom que os trailer revelaram, e a narrativa que a sinopse detalha em pouca palavras, mas a cada nova cena o filme consegue surpreender pouco a pouco, e nos leva a uma direção completamente inesperada, mas tão ou mais surpreendente no desenvolvimento da história, que se revela, camada por camada, como um grande aviso sobre os perigos sociais e a escuridão que uma vida deslumbrante pode esconder.

Anya Taylor-Joy já é conhecida, principalmente pelo seu papel no ano passado como a enxadrista Beth Harmon, na minissérie O Gambito da Rainha, ou no momento que ela mostrou que precisamos prestar atenção nela, em Fragmentado. Cada uma das personagens tem tons diferentes, personalidades opostas, e trajetórias diferentes, e em Noite Passada em Soho ela entrega uma nova personagem, dúbil e deslumbrante, que serve como um ímã que atrai nossa atenção quando a vemos. Posso dizer que, assim como Gal Gadot consegue roubar a atenção em qualquer filme que apareça, Anya Taylor-Joy também consegue esse feito, mas de forma diferente.

Como um objeto de obsessão e admiração da protagonista, Sandie quase que assume a personalidade de uma diva pop, que dita moda, tendências e gostos, e Eloise – como uma fã influenciada pela sua musa, passa por uma transição de gostos, visual, e atitude, até chegando em sua criatividade, que reforça ainda mais sua posição de alvo para sua antiga colega de quarto. E Thomasin também é outra atriz que precisamos prestar a atenção, pois ela entrega a ingenuidade, o trauma, a criatividade, a audácia e a coragem, principalmente no terceiro ato, que é um grande virada de roteiro inesperada.

Edgar Wright ainda brilha na composição das cenas, os contrapontos coloridos e vibrantes dos anos 1960, contratados com a fria, cinzenta e chuvosa Londres da atualidade; adiciona uma trilha sonora tão perfeita, que fica difícil pensar em outras músicas que cairiam como uma luva de seda neste filme. Dos efeitos práticos, principalmente para alternar entre Sandie e Eloise, ou nos efeitos mais digitais que são bem finalizados, e o peso que história conta no decorrer de seu desenvolvimento, sendo uma mensagem importante e poderosa.

Noite Passada em Soho será o cartão de visitas definitivo de Edgar Wright, com escolhas inteligentes, atuações perfeitas, uma mensagem empoderadora que se esconde nas entrelinhas para se revelar no momento certo, e uma composição visual e musical tão perfeita, pode ser considerada uma das melhoras produções cinematográficas de 2021, e que merecerá todos os louros que conquistar num futuro próximo.

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