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tick, tick…Boom

Talvéz nós, relés mortais, nãi saíbamos como é a trajetória de compositores e autores de musicais, um gênero que mescla inúmeras habilidades de atores, e que para quem escreve a história, precisa ter um senso afiado para transmitir a história com ritmo e precisão. Mas o novo original Netflix, tick, tick… Boom ilustra essa trajetória de um dos grandes nomes do gênero, que teve apenas um grande sucesso, Jonathan Larson, mas que redefiniu a história dos musicais da Broadway, e serve de inspiração para novos nomes, como o do diretor da produção, Lin-Manuel Miranda, que transforma um monológo pessoal de Larson em uma viagem sobre o tempo.

Baseado na peça em monológo de Jonathan Larson, com um enorme pitada de sua experiência como dramaturgo e letrista da Broadway, tick, tick… Boom retrata os dias que antecede o trigésimo aniversário de Jon (Andrew Garfield), um aspirante a compositor e autor de peças musicais, que se vê em uma cruzilhada para conseguir que sua história se torne realidade nos palcos da Broadway antes que complete três décadas.

Essa é a estreia de Lin-Manuel Miranda como diretor. Conhecido no circuito mais contempôraneo da Broadway com duas peças de grande sucesso, e que voltaram a ter os holofotes para si desde o ano passado, podemos concluir com cem porcento de certeza que Lin é um dos grande nomes, e queridinhos de Hollywood. Sua marca registrada, principalmente quando a produção é sobre música, já está marcada: mistura de ritmos mais latinos, com hip-hop; uma construção narrativa que mescla melodia e ritmo, que faz com que a música esteja naturalmente em sua concepção. E isso tudo está presente em tick, tick… Boom.

Todas as músicas se tornam parte integrante e base para o desenvolvimento da história, o que torna difícil saber quando que ela começou já que tudo é ritmado, até mesmo as atuações. Aqui, devo mencionar a brilhante atuação de Garfield e como sem ele, a história não teria o magnetismo necessário para prender a atenção. Ele entrega – mesmo que um clichê – uma representação realista de aspirantes a artistas e dramaturgos, que querem fazer sucesso, mas que ainda não conseguiram chegar no estrelato.

Mas esse ainda não chegar se relaciona com a principal mensagem da produção: o tempo. A toda momento, principalmente nos momentos mais angustiantes e ansiosos do protagonista, ouvimos um tick, tick, tick no fundo, e aumentando a medida que novos obstáculos surgem em sua vida, e abaixando quando algo começa a dar certo. A mensagem sobre o tempo, e como cada pessoa tem seu prórpio tempo leva ao telespectador a grandes questionamentos.

Dúvido que quem esteja me lendo já não tenha pensado ou parado para refletir sobre o que conquistou ou realizou até o momento. Principalmente se, assim como quem vos escreve, está na beira dos 30 – assim como o protagonista – e reflete sobre toda sua vida: você não está tão velho para se sentir realizado, mas também não tão novo para sentir que pode tudo. Quem é filho dos anos 1990, atualmente vive esse dilema dos 20 e poucos, quase 30, e esse sentimento é inteligentemente presente na história, e faz com que nos relacionamos com o protagonista, e também com seu circulo de amigos, mesmo que a história se passe no ano de 1990.

Acabamos esquecendo que estamos vendo um retrato de 30 anos no passado, numa Nova York diferente, com jovens distantes de nossa realidade, mas que de alguma forma – pelo ótimo roteiro, e pela excelente direção – consegue conversar com a atualidade, e se torna uma produção que posso confirmar ser atemporal.

tick, tick… Boom se torna uma grande carta de amor a um dos nomes mais importantes para musicais modernos, e que consegue criar um laço com os telespectadores, independente da idade, pois aborda sobre ritos de passagens e a importância de saber seu tempo, e que é um grande presente para amantes de musicais modernos, como Rent, In The Heights e Hamilton, que vão ver semelhanãs, referências e easter eggs, como uma grande carta de amor.

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