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Eternos

Este artigo dos escrito por Natália Sorrini para o Geek Antenado

Desde 2019 estamos aguardando Eternos no cinema, Kevin Feige veio na CCXP divulgar o filme e prometeu para o final 2020; com a pandemia, a indústria virou de cabeça pra baixo e o calendário do Universo Cinematográfico da Marvel também não escapou das mudanças, acabou que Shang-Chi estreou antes e assim a ansiedade para Eternos ficou ainda maior. Durante esse tempo, a Chloé Zhao ganhou seu Oscar por Nomadland e a expectativa só aumentou, e agora, em novembro, depois de um ano de atraso, Eternos finalmente está entre nós e para ficar e revolucionar tudo com o UCM fez até agora!

Desde 2008, lá com o Homem de Ferro de Jon Favreau, já sabíamos qual linha a Marvel da Disney iria seguir em produções seguintes, sempre foram acompanhados da mesma fórmula, filmes coloridos, piadas em excesso e muita ação coreografada com lutas épica e é claro, o mais importante, todos os filmes se conectando.

Em Eternos, a banda toca diferente. Não é um filme colorido (exceto pelo figurino); não tem tantas piadas frequentes e é um filme mais pé no chão; além que são dez heróis para apresentar, geralmente na Marvel é apenas um protagonista, por isso que pode causar tanta estranheza no primeiro momento.

Em Eternos acompanhamos dez seres imortais que vivem desde a antiguidade da Terra, moldando a história e suas civilizações e o maior objetivo deles é lutar contra o inimigo que são os Deviantes, exatamente por isso que não foram introduzidos antes, eles que equilibravam a Terra para o inimigo não chegar, mas após um desequilibro cada um vai pra um lado e aí que a trama começa.

O primeiro ato é de extrema importância para conhecermos aquela raça e cada um dos personagens. O filme brinca com a linha temporal de passado e futuro ao mesmo tempo, pode gerar confuso e cansativo, mas é necessário para gente se habituar em um mundo que nunca foi apresentado para a gente. Óbvio que cada personagem é introduzido de uma forma e alguns têm mais tempo de tela que outros, mas é maravilhoso ver um elenco tão representativo na Marvel que sempre foi tão conservadora e é emocionante ver em 2021, que teve Shang-Chi com um elenco todo asiático e agora em Eternos que tem uma protagonista asiática, uma heroína poderosa deficiente auditiva, um paquistanês, e temos o primeiro personagem gay e preto que tem uma linda família. É disso que a gente precisava, que todas as pessoas se sentissem representadas na tela em um filme de Super-Herói.

Chloé Zhao já se provou uma diretora espetacular e aqui não é diferente. Ela é autêntica, tem uma marca registrada e ousa fazer isso em uma franquia que sempre teve uma fórmula muito específica que chegava ser até restrita, e em Eternos isso é quebrado. Temos uma nova estética, um novo jeito de contar história e um ritmo bem diferente do que estamos acostumados e isso não é ruim, as pessoas apenas precisam abrir o coração para novos tipos de narrativa.

A Marvel é conhecida pelo seu alívio cômico, e aqui temos um personagem que só serve pra isso, pode alegrar muita gente ou pode deixar parte do público incomodado pelo fato que é evidente o dedo do Kevin Feige nesse personagem, eu tive a sensação que ele foi jogado só pra agradar o público acostumado com isso, mas é claro que ele é um personagem carismático que pode ganhar o gosto popular já que ele foi feito pra isso.

O elenco é espetacular, meu grande destaque vai para os atores que eu não conhecia e já conquistaram meu coração e vai conquistar de muita gente: Lauren Ridloff é uma atriz surda que traz uma atmosfera realista, singela, emocionante e de extrema representatividade, além que sua química com Barry Keoghan é linda de ser ver na telona, quero ver muito mais deles dois no futuro.

Lia McHugh depois deste papel será a nova queridinha de Hollywood. Ela entrega tudo e transmite todos os sentimentos de forma genuína. O resto do elenco são nomes mais conhecidos de forma popular, Richard Madden está fantástico e tem um plot excelente, Angelina Jolie é simplesmente Angelina Jolie, porém faltou um pouco de desenvolvimento para a personagem que provavelmente será explorado no futuro, Gemma Chan é a grande protagonista, o papel exige muito dela e talvez ainda não se encontrou como Sersi, mas vai chegar lá.

Kumail Nanjiani já conhecido por seus papéis na comédia, aqui não ficou muito de fora. O ator traz um humor característico junto com um personagem icônico. Brian Tyree Henry é sem dúvidas o personagem mais interessante da franquia, o ator que já é muito conhecido em papel em Atlanta, e chega aqui com uma nova vertente com muita representatividade, Brian é o primeiro personagem preto gay da Marvel, e tenho que parabenizar o desenvolvimento do personagem que foi impecável.

Kit Harington é o futuro da franquia. Por mais que sejam muitos personagens, é claro que alguns foram mais explorados que outros, mas não quer dizer que cada um não tenha o seu peso, pois tem sim, cada um complementam a trama do seu jeitinho.

Quando os fãs estão apegados a uma fórmula e essa fórmula é o segredo para o sucesso, quando essa barreira é quebrada, chega a soar esquisito e incomodar muita gente, mas precisamos entender que estamos em 2021 e que a representatividade precisa ser normalizada e que todas as bandeiras e nacionalidades precisam ser colocadas na tela e isso vale para as novas narrativas.

Um filme diferentão faz bem pra mudar um pouco aquela fórmula engessada. Mudanças são bem-vindas, ainda mais em um estúdio que sempre foi tão tradicional, é evidente que a Disney finalmente tá abrindo as portas para aquilo que realmente importa.

Eternos tem um ritmo diferente, uma diretora independente que não deixa a desejar em nenhum momento, Eternos chega para quebrar padrões, apresentar uma nova forma de fazer filme e finalmente com um elenco representativo a altura. O filme pode não ser perfeito, mas ele é sim algo para ser abraçado e abrir seu coração.

PS: Não saiam da sala! Existem duas cenas pós-créditos e tirar o fôlego e um aviso bem empolgante.

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