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Eternos

Há dez anos a Marvel vem construindo tijolo a tijolo seu universo de super-heróis de forma coesa, seguindo a famosa fórmula Marvel, que culminou em um filme de duas partes – Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato – a primeira saga cinematográfica da editora de quadrinhos. Agora, sem a ameaça de Thanos (Josh Brolin), o universo não estaria mais calmo e pacifico, muito pelo contrário, existem ainda diversas ameaças, e para elas, novos heróis precisam atender ao chamado, a as nova fase está se mostrando um tempo para grandes mudanças, não apenas trocar personagens queridos que foram construídos por anos, mas novas abordagens e perspectivas. Eternos é o primeiro filme da nova fase que apresenta um grupo de heróis, e sob o olhar premiado de Chloé Zhao, entrega a experiência Marvel mais humana, e contida do estúdio das ideias.

Estando na Terra há mais de 7 mil anos, os Eternos são o primeiro grupo de heróis, enviados pra cá pelos deuses Celestiais para proteger a raça humana da ameaça dos Deviantes, seres bestiais que tem o único desejo de acabar com a vida. Escondidos e separados, e acreditando que a ameaça Deviante tinha sido exterminada, os Eternos são forçados a se reunir devido a aparição de um Deviante. Mas sua jornada atrás da ameaça, os coloca numa missão de descobrir a verdade sobre suas origens e a verdade por trás de seus propósitos.

Diferente de todos os filmes da Marvel até aqui, Eternos é uma ótima representação da direção que Kevin Feige quer para a nova Fase de filmes e séries do Marvel Studios: histórias mais abrangentes, com consequências, profundas e repletas de nuances e diversidade. Não é atoa que a diretora vencedora do Oscar Chloé Zhao foi escalada para comandar este que é o filme mais humano, mais diferente e mais corajoso da Marvel.

Chloé entrega sua estética mais natural, com cenas em cenários deslumbrantes, e utilizando ao máximo – quando dar – da luz natural, e direciona toda a atuação dos personagens certos para entregar uma profundidade muito grande. Devo admitir que, conhecendo um pouco do trabalho da diretora, fui com a expectativa de ir assistir um filme mais introspectivo, cheio de takes mais próximos dos atores, com cenários e iluminações dramáticas, com uma trilha sonora marcantes. Temos isso? Sim! Mas não no nível de minha expectativa. Existe momentos bem introspectivos, principalmente ao conhecer mais profundamente cada Eterno ou compreender a situação, mas não tem em demasia esses momentos.

Comparando este filme com o primeiro filme de grupo de heróis do MCU, Os Vingadores (2012), essa produção não tem o privilégio de partir para a ação logo de cara, pois no filme de 2012, os personagens já tinham sido apresentados e desenvolvidos minimamente em seus filmes solos, aqui, a produção não tem esse privilégio. E o que poderia ser um ponto negativo, se torna uma oportunidade de apresentar esses personagens o suficiente para você entender suas motivações, personalidades, falhas e se apaixonar por cada um deles. E isso, sem perder o desenvolvimento da própria história, pois ambas são desenvolvidas uma ao lado da outra, como se uma ajudasse a outra a se desenvolver.

O longa leva o telespectador aos primórdios da civilização, e atravessa as eras em flashbacks para conhecermos os Eternos e como eles acabaram separados. E além disso, o longa não sente receio em eliminar um Eterno quando precisa para fazer a história se desenvolver.

Vamos ficar chocados quando nos encaminhamos para o final do segundo ato, e as consequências do mesmo, para enfim chegarmos no derradeiro embate final, que mesmo isolado e quase despercebido pelos humanos, ganha proporções épicas ao analisar as reais consequências da conclusão do despertar.

Quanto as atuações devo dizer que fica difícil se apegar a uma apenas. Sersi (Gemma Chan) é a protagonista, e sua história gira em torno do cerne da história, que se foca na humanidade e na beleza desta raça, e toda a compaixão desta personagem que permeia a produção como uma entidade; Sprite (Lia McHugh) e Kingo (Kumail Nanjiani) são ótimos alívios cômicos, cada um de seu jeito, mas sem esquecer o peso deles terem suas próprias frustrações; Thena (Angelina Jolie) é sem sombra de dúvidas a personagem mais impressionante do filme, que ao mesmo tempo é venerada e sua fama de grande guerreira são presentes, é a personagem mais frágil e ela entrega isso em todas as cenas.

Phastos (Brian Tyree Henry) tem sua dose de comédia, mas é carregada com o peso das consequências de seus poderes, e tem a conexão humana mais intrínseca a sua existência, sendo o primeiro super-herói assumidamente homossexual, com um relacionamento no Universo Cinematográfico da Marvel; Druig (Barry Keoghan) é aquele personagem duvidável, mas super carismáticos, que forma uma dupla inusitada com a velocista Makkari (Lauren Ridloff), a primeira atriz surda a integrar o MCU; Ajak (Salma Hayek), que pouco aparece, entrega a mãe do grupo, carinhosa e compassiva, sempre confortando os medos e inseguranças dos outros eternos.

Eternos está longe de ser o melhor filme da Marvel, é difícil competir, principalmente com o peso dos outros em momentos importantes, mas é, assim como WandaVision, um filme ousado e diferente de tudo que a Marvel fez, e essa perspectiva mais profunda que se foca mais nas conexões humanas e empatia que seres imortais criam com a humanidade ser a pérola encontrada dentro da ostra, e que pode provocar aversões por não ter tão Marvel, mas que vale a pena para introduzir uma nova saga, que assim como nas HQs, precisam de uma renovação, e o olhar mais pessoal e emotivo de Chloé foi o tempero para construir conexões reais com cada personagem, de forma diferente, mas muito reais e profundas.

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