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Locke & Key (2ª Temporada)

As adaptações dos quadrinhos para a telona – ou para as telinhas – estão dominando o cenário do entretenimento, e com as gigantes Disney e Warner produzindo adaptações da Marvel e DC, respectivamente, outras produtoras buscam nas histórias fora do grande radar, para criar algo memorável. Temos ótimos exemplos como The Boys no Prime Video e The Umbrella Academy na Netflix, mas, ainda que haja muitas produções menos conhecidas, acertar logo de cara pode ser muito arriscado (vide O Legado de Júpiter), então, a primeira temporada pode ser desafiador inserir histórias pouco conhecidas do público, mas quando o material tem potencial e foi minimamente bem adaptado, a segunda temporada pode cair de cabeça na sua própria mitologia e explorar mais possibilidades, e é nesta linha que a segunda temporada de Locke & Key se aproveita e acerta.

Acreditando que tinham derrotado Dodge (Laysla De Oliveira), os irmãos Locke seguem suas vidas, agora mais livres para usarem as chaves e seus poderes, e dividirem o conhecimento e magia das chaves com seus amigos, e aproveitar a juventude. Mas algo estranho começa a acontecer em Matheson, e a presença de Dodge volta para ameaçar os Locke e a estabilidade de Matheson, enquanto o medo de se tornarem adultos e perderem a memória da magia começa assombrar os Locke. Ao mesmo tempo, conhecemos um pouco da origem das chaves que remontam da Guerra Civil Estadunidense.

Um dos problemas da primeira temporada, mesmo não conhecendo a história base, foi o foco desmedido da trama no desenvolvimento mais juvenil da história. A trama bem “Malhação” deixava o potencial da história quase escondido. Piorava a percepção quando íamos atrás da história base, que tem um desenvolvimento e teor mais sombrio e levando em conta as consequências das ações mais drásticas da história, que faltava na série.

Podemos dizer que a segunda temporada, por mais que mantenha ainda este teor mais juvenil de desenvolvimento e trama, ela se permite, na segunda temporada, absorver mais do lado sombrio vindo dos quadrinhos, e explorar as consequências das ações das chaves, e deixar a história se caminhando para algo mais gore.

Um ponto bem perceptível, vindo do desenvolvimento mais juvenil, mas que foi melhor trabalhado na segunda temporada é a jornada de Tyler (Connor Jessup), onde se torna mais maduro e foca no questionamento de amadurecimento, assimilada no medo de perder a memória da magia e das chaves quando se tornam adultos.

Apesar de abraçar o sombrio, essa temporada de um modo geral parece que não acontece tanta coisa – até sua metade – não tem àquela urgência de acontecimentos, ou periculosidade aparente, deixando a história mais pessoal e desenvolvendo os relacionamentos dos personagens, mas ela consegue ser mais facilmente maratonada, sem deixar cansativo, principalmente no arco juvenil e infantil. E quando chegamos na metade da temporada, a sucessão de acontecimentos e adrenalina sobe, mas não destoa da primeira metade.

Pode-se dizer que essa seria uma parte 2 da primeira temporada, ou arco, ainda focado na ameaça de Dodge, e que desenvolve melhor e dá mais respostas as perguntas sobre as chaves e mitologia introduzidas na primeira temporada, e permite expandir mais a história.

Foi um ponto positivos termos a demônia Eden (Hallea Jones), que deu uma equilibrada no sombrio Gabe (Griffin Gluck), com seu sadismo mais cômico. Outra adição interessante, mas que só se tornou interesse mais para o final, foi do professor Josh Bennett (Brendan Hines) que se torna o interesse amoroso da mãe dos Locke, mas é sua ambição em encontrar o Portal Demoníaco que pode ser um importante fonte para uma possível terceira temporada, que deve explorar as origens de Matheson, das Chaves, dos Lockes e da Guerra Civil na Nova Inglaterra.

Um sub-arco que foi introduzido logo na cena de abertura que parecia desconexo, foi uma surpresa positiva, que poderia estar mais presente, mas que se resume como uma preparação para uma possível terceira temporada, e deixa brecha para conhecer mais da origem das chaves, do Portal Demoníaco, e da relação dos Locke com a magia de Matheson.

Locke & Key pode ter tido uma primeira temporada morna, e que se distância demais da obra original que é a base para a produção, mas que na segunda temporada encontrou um meio termo entre continuar sendo uma série teen, mas que abrace sua origem sombria e permite inserir esses elementos e prepara o terreno para evoluir a história, mesmo com certas despedidas definitivas.

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