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Cemitério Maldito (Pet Sematary)

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O terror é um gênero bem popular. Brincar com nossos pesadelos é um “passatempo” que muitos pagam para eleger nossa adrenalina e tomar uns sustos. Mas antes de o terror assumir formas, rostos e personagens nas telonas – e telinhas – o gênero foi amplamente explora nos livros, que davam maior liberdade para quem lesse criasse imagem que mais o amedronta. Se falar em literatura de terror não existe outro nome que aparece na mente: Stephen King. O gênio do gênero teve diversos de seus romances transportados para uma versão nos cinemas e até em série, mas muito raramente a adaptação agradou o autor. O que não é o caso de Cemitério Maldito, longa baseado no romance de terror, que chega aos cinemas trazendo um terror mais bruto sem grandes artifícios narrativos para compor a história.

A história segue uma família que deseja desacelerar o ritmo aonde mudar para a pacata Ludlow, no Maine – cidade está que vai perder o turismo pela quantidade de histórias de horror que são protagonizadas em seu território. Louis, o patriarca, é um médico emergencista com uma personalidade cética, enquanto a mãe tem uma relação mais religiosa e empática que carrega um trauma de infância. Ao descobrirem que são proprietários de um misterioso Cemitério, acontecimentos macabros começam a acontecer ao redor deles, o levando a explorar os mistérios que o cercam, causando-lhes consequências permanentes.

Em seus primeiros minutos, quase metade do filme, a evolução da história nos apresenta tudo que precisamos entender para compreender as consequências. Vemos uma dualidade de pensamentos sobre a questão da morte defendida por pontos de vistas conflitantes dos pais, que mesmo que subdesenvolvido, ou pouco explorado, é determinante para conhecermos melhor os personagens e entender suas escolhas. Além disso, o longa nos cativa a folha mais velha do casal, e a empatia gerada é importante para quando ela é quebrada no meio do filme.

Em determinado momento, a fatalidade acontece. Sem nos vermos, o gato da família, Church aparece morto, e é ainda que realmente conhecemos o Cemitério Maldito. Mesmo que o fato aparece do nada, não foi jogado como um grande artifício para movimentar a história. Da rodovia presente que nos assusta a cada grande caminhão de carga passando feito um louco, a introdução do ritual das crianças macabras no Pet Semetary, era óbvio que aconteceria algo. E a partir deste evento é que Louis acaba atravessando a barreira, a qual ele é alertado a não ultrapassar.

A partir daí, o filme se desenrola com boas escolhas narrativas para gerar ainda mais indagação sobre o que está acontecendo, criar mais e mais mistérios e não dar absolutamente nenhuma resposta concreta. Mas isso é bom. Pois estamos falando de uma obra de Stephen King, e mesmo que eu não tenha lido nenhum livro, só de ver este filme, que foi aprovado por ele, já compreendo o nível de profundidade que o autor explora em seus livros, e comprova ainda mais que não é o meu estilo de leitura.

Dos personagens o grande destaque, é sem dúvida, a atriz mirim, que tinha um trabalho bem complicado: de criar a empatia que nos faz ficar preocupados com a personagem, para então compreender o impacto quando a perdemos, e então quando ela retorna, não ver mais a personagem “fofa” que vimos na primeira metade do filme. Ela entregou bem a vítima que se torna a peça vingativa. Outro destaque é a própria mãe, que tem seu passado subdesenvolvido, mas isso é compreensível: o filme se arrastaria mais do que o necessário, e não acrescentaria nada na história do longa. A personagem em si tem uma complexidade que a assombra, e isso é rebatido quando ela se torna alvo de sua própria filha. O pai não convence cem por cento de seu protagonismo.

O longa ainda abusa de foreshadowing para nós alertar que algo vai acontecer, e o primeiro susto vindo do caminhão passando do nada a alta velocidade e extremamente barulhento, apenas nos alerta que não será um filme calmo ou que estamos acostumados. E se você tem uma amor e apreço por gatos, vai ter tudo isso destruído ao ver Church, que rouba a cena toda vez que aparece.

Cemitério Maldito teve o aval de seu criador, Stephen King, e acaba entregando uma sensação do terror clássico, mesmo produzido neste mar de terror que tenta imitar o sucesso de James Wan e filmes orientais de terror. Com ótimas escolhas em sua narrativa e com uma breve discussão sobre vida após a morte, e a mensagem de que não se mexe com os mortos, o longa não é mais um filme de terror com um final heróico.

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Cemitério Maldito (Pet Sematary)

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Com uma ótima produção, revival faz uma adaptação que nos faz sentir em um romance de terror do próprio King, e dá embasamento para os personagens agirem e terem reações plausíveis, e não torna as consequências óbvias ou apenas jogadas para fluir a narrativa; além de criar empatia na criança e ter um pet que rouba a cena.

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