close button

publicidade

Força Queer

Quando o assunto é animação adulta, rolamos uma roleta de possibilidades narrativas e histórias a serem abordadas, mas elas estão ganhando mais e mais espaço dentro das atuais séries de TV e streaming. Os Simpsons, Rick & Morty, Sem Maturidade para Isso, BoJack Horseman, e tantas outras pipocam nas emissoras e streaming como um novo formato para explorar o lúdico e brincar com arquétipos e piadas repleta de camadas sociais. E para entrar neste hall, a Netflix lança Força Queer (Q-Force), animação adulta que brinca com referências, esteriótipos inseridos numa animação lúdica sobre espionagem.

Em Força Queer, conhecemos Steve Maryweather (voz de Sean Hayes), um agente secreto recém-formado com méritos, primeiro de sua turma, que na sua formatura revela ser gay. Por ter se revelado, ele é mandado para uma instalação esquecida da agência, e deve ficar esperando ordens. Lá, ele monta sua equipe, formada por agentes da comunidade LGBTQIA+, mas o tempo passa e nada deles receberem uma missão. Quando eles esbarram num suspeito de terrorismo com ligações com o governo, os coloca na ativa para impedir que eles concluam seu plano e começam a chamar a atenção.

Por ter o conteúdo LGBTQIA+ podemos concluir que ele utiliza muitas referências, ídolos, gírias, e esteriótipos para construir sua narrativa e desenvolver os personagens e a história. É divertido ver todas as referências de Cultura Pop que estão envolvidas com a comunidades queer, pegar as referências de ídolos e personalidades, sejam elas homenagens, ou personagens que remetem a seus dubladores originais, que fazem parte da comunidade.

E sim, há esteriótipos, e por tratar de uma animação adulta, há nudez. Mas, por mais que alguns destes esteriótipos beiram ao pejorativos, elas são inteligentemente inseridas como piadas – quando cabíveis – ou usadas como uma fala uma não-convencional. Esses esteriótipos começam dando a impressão de forma negativa, mas ela se desenvolvem para algo que fogem do “padrão”, e que tornam muitos arcos que parecem previsíveis, em momentos surpreendentes, mesmo que exagerados.

Temos o protagonista, um típico “boy padrão”, que faz referência ao próprio Steve Roger, o Capitão América, devido a um número de semelhanças: militar, loiro, olhos claros, tímido com relacionamento; e por mais “padrão” – até mesmo dentro da comunidade queer – o personagem possui um ótimo desenvolvimento pessoal e interpessoal nos dez episódios, mostrando um verdadeiro desenvolvimento de personagem que quer se provar como um ótimo espião, que age egocentricamente – mas que é compreensível pela forma que fora tratado desde que se assumiu para a agência – e que se transforma em um ser humano mais altruísta e confiante.

Ao seu lado temos ótimos personagens: temos o braço direito dele, e a mãezona do grupo, Deb (voz de Wanda Sykes), que traz o grupo para a realidade e periculosidade das missões; temos um mestre dos disfarces, Twink (voz de Matt Rogers), uma drag queen contorcionista que é a fonte de referências a cultura pop e um alívio cômico consciente; temos a hacker Stat (voz de Patti Harrison) um jovem gótica misteriosa com gostos exóticos, que é o cérebro do grupo; e não podemos deixar de lado o “macho escroto” Buck (voz de David Harbour), um agente que se formou junto com Steve, e conseguiu tudo que o Steve almejava, mas fora designado para supervisionar a Q-Force, mas acaba se tornando um membro cômico pela sua heteronormatividade e que se abre para um personagem mais aceitável e sensível dentro do grupo.

A trama surpreende por desenvolver as ações de espionagem, mesmo com os absurdos narrativos, de uma forma equilibrada entre o sério e o caricato exagerado, colocando em seu roteiro muita crítica social na figura da equipe e da agência que negligência e desmerece minorias. Já o estilo de animação lembra os traços animados de Kim Possible, e sua comédia lembra um leve Big Mouth, com os temas e sua abordagem sobre sexualidade, além da liberdade inesperada que já conhecemos de Rick & Morty.

Vou deixar um espaço para elogiar a dublagem brasileira. Ela não simplesmente trouxe a história para a nossa realidade, mas ela adaptou muito bem as gírias queer dos EUA, para as gírias e memes queer brasileiros, deixando a história mais relacionável e divertida.

Força Queer pode cair naquele buraco de esquecimento, simplesmente por ser uma história queer sobre espionagem, que toma liberdades para abordar e mostrar jornadas adultas sem censura, mas que é uma animação divertida, cheia de referências e abordagens atuais sobre temas pertinentes da comunidade queer, e que surpreende pela forma fluída entre o cômico exagerado, a crítica social, a pitada de espionagem e um desenvolvimento divertido.

Força Queer

Força Queer
3 5 0 1
Um grupo de espiões queer tem a possibilidade de provar seu valor para agência, mas acabam se metendo em confusões, enquanto começam a descobrir segredos dentro da comunidade queer e da própria agência de espionagem
Um grupo de espiões queer tem a possibilidade de provar seu valor para agência, mas acabam se metendo em confusões, enquanto começam a descobrir segredos dentro da comunidade queer e da própria agência de espionagem
3/5
Total Score
Postagens Relacionadas