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Primeiras Impressões | Only Murders in the Building

Crescer nos anos 2000 foi uma experiência única, principalmente para alguém que assim como eu, adorava as séries internacionais que estavam bombando na TV, uma época onde nem os streaming imaginavam existir. Um grupo de histórias seriadas que se tornaram populares no início dos anos 2000, e que foi importante na construção de um subgênero totalmente novo é o de Investigação Criminal. Encabeçado por CSI: Investigação Criminal, o formato de peritos criminais ainda permanece em produção, agora em outros formatos, e expande seus limites. Ainda é incerto o motivo que torna a investigação criminal um subgênero tão hipnótico ao público, mas Only Murders in the Building, primeira série original STAR+, que chega no seu lançamento no Brasil, e no Hulu nos EUA, utiliza esse sentimento dos fãs investigativos, como base da dramédia, que precisa mostrar para que veio.

Em um prédio de Nova York, três moradores, diferentes entre si, acabam descobrindo uma coisa em comum: eles são viciados no podcast que narra crimes ficcionais. Quando um crime real acontece no prédio que moram, eles ficam intrigados em resolver o mistério que foi resolvido muito fácil pelas autoridades. Mas cada um deles esconde um segredo que pode ser a chave para descobrir tudo que está acontecendo no prédio.

A convite do Star+, o Geek Antenado conferiu o primeiro episódio de Only Murders in the Building, e viemos trazer neste artigo o que achamos do primeiro episódio. Vale ressaltar que, por termos conferido apenas o primeiro episódio, a história é bem superficial, já que como base de qualquer história seriada, o primeiro episódio tem como função apresentar os protagonistas, a trama principal, e já deixar no ar os mistérios e questões que serão respondidas ao longo da temporada (ou temporadas). Logo, esse artigo é parcial, já que no lançamento do Star+, a série contará com lançamento dos três primeiros episódios, e conferirmos apenas o episódio piloto.

Levando em consideração o que comentei acima, sobre construção narrativa, o primeiro episódio acerta no quesito de apresentar a trama e os personagens, de forma conjunta. Cada um deles tem uma personalidade superficial, que fica evidente na cena de abertura, e que com o passar do episódio, como bem mencionado por Martin Short, vamos descobrindo as camadas de cada um. Mesmo em seu primeiro episódio, os três protagonistas parecem funcionar bem em conjunto, como se cada um completasse o que falta no outro, mas ainda é difícil se conectar com o personagem sozinho em si.

A falta desta conexão, mais interpessoal com cada um dos personagens, se dificulta principalmente pela agilidade do roteiro no primeiro episódio em já mostrar o crime, que será o cerne desta temporada, logo nos primeiros minutos do episódio; e o momento que podemos conhecer mais a fundo cada personagem, acontece em momentos que a emoção não é importante na cena, mas a sensação de urgência da ação. Mas fora isso, vou dar o crédito que os episódios subsequentes achem o melhor momento para desenvolver individualmente os protagonista, e não se mesclem com cenas mais enérgicas.

O teor cômico neste episódio se recai principalmente no personagem de Martin Short, um diretor de teatro inquieto, que sempre traz jargões do teatro e de direção, principalmente quando está em cena com Steve Martin. Selena Gomez é a única do trio que parece desconexa, seja pela diferença de idade, ou pela sua personalidade. Uma jovem apática, com tendências violentas e sem qualquer remorso, mas que guarda um segredo sobre seu passado e sobre seu presente, e que no episódio piloto não encontrou aquele elemento especial que se conecte com que não a conheça. Além disso, o fato dos dois outros personagens terem uma diferença de idade e referência pode ser parte de uma comédia natural e interessante, mas que a personagem de Selena acaba reconhecendo muitas das referências dos dois outros personagens, o que perde um pouco conexão com o público e o timing cômico que a série poderia aproveitar.

Apesar de ser apenas o primeiro episódio de três, que estrearão junto com o lançamento da plataforma, Only Murders in the Building tem um potencial cômico ótimo, que acaba sobrecarregando tanto Steve Martin quanto Martin Short, que dominam as cenas nos extremos da comédia: o inconveniente e o ranzinza; mas que pode ser o diferencial para uma série divertida e ainda intrigante, quanto qualquer série investigativa, que tem aquele quê que prende nossa atenção, e nos faz ser parte da investigação; mas acaba ficando na zona da confort series, sem qualquer apelo grandioso para o público.

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