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Paciente 63

É inimaginável pensar que com a quantidade de produções audiovisuais que estão sendo produzidas para diversas plataformas, esquecemos que o imaginário mundo das histórias que estão nos cercam hoje começaram no rádio, nas antigas radionovelas, gênero narrativo que hoje em dia é raro, devido ao panteão de emissoras, plataformas, estúdios e distribuidoras, que pela saturação de dar forma, rosto e ambiente, perderam aquele exercício de imaginar quando uma narrativa nos é contata. Podemos ter isso, mais pessoalmente com livros, mas pode ser que o estilode narrativa em áudio pode ganhar um espaço, e a Spotify, plataforma de música traz a nova audiossérie estrelada por Mel Lisboa e Seu Jorge, Paciente 63, que traz uma modernidade narrativa para o estilo de radionovela.

Em Paciente 63, escutamos a sessão da psiquiatra Eliza (Mel Lisboa), durante suassessões com o enigmático Pedro (Seu Jorge), ou apenas Paciente 63, um homem que fora encontrado nú e encaminhado para um hospital por alegar precisar impedir uma pessoa e que veio do futuro. Em uma conversa que Eliza tenta determinar o diagnóstico do Paciente, mais ela começa a acreditar nos relatos do futuro, enquanto percebe que o futuro depende dela.

Como mencionei no início deste artigo, a radionovela foi basicamente o pai de toda a produção audiovisual – sendo o avó, as cantigas que passavam de pessoa para pessoa – e elas acabaram se escondendo nas sombras da expansão das produções audiovisuais. Mas um gênero recorrente ao gênero é o drama, principalmente aqueles que vemos em novelas. Mas em Paciente 63 somos introduzidos para a ficção científica de uma forma única.

Sem a âncora visual, a série consegue transportar para uma infinidade de arranjos pela interpretação dos atores. Diferente, por exemplo, de audiolivros, que detalham a cena, Paciente 63 se foca na interpretação vocal dos personagens, e deixa os detalhes para serem construído na imaginação de seu ouvinte, além de dar forma paraas emoções pelas vozes de Mel e Seu Jorge.

Num modo mais generalista, Paciente 63 lembra muito a construção narrativa da série Sessão de Terapia da Globoplay. Enquanto na produção da Globoplay temos uma conversa bem mais interiorizada pelas emoções que estão sendo traduzidas, na audiossérie da Spotify a emoção é colorida pela entonação das vozes, enquanto imaginamos os relatos do futuro, história contadas, e na relação entre paciente e médica, e deixa em aberto aquilo que, pelo que percebo, estamos perdendo com a quantidade supersaturada de histórias que já deixam mastigados como são as formas das coisas, as cores, concepções, ideias, personagens, locais e demais.

Aqui, a imaginação anda lado a lado com a interpertação, e cada um vai criar na sua cabeça uma sala psiquiátrica diferente, e se você assim como eu tem o costume de imaginar posicionamento de câmeras, você vai viajar nas várias formas de construir imagens intimistas quando aprofundamos os personagens.

A história ainda consegue entregar àquele sentimento de perigo pelos relatos do paciente, e criar a atmosfera de ficção científica, que não se distancia demais da nossa realidade, e traz algo bem atual sobre nossa vivência e história.

Paciente 63 pode ser um marco para as famosas e clássicas audionovelas se reinventarem no meio de grandes produções, onde o que vemos é menos importante do que a mensagem de uma conversa profunda, que mistura conceitos de ficção científica que estamos até que acostumados como viagem no tempo, paradoxos, teoria das cordas e realidades alternativas, e que é uma experiência que parecia perdida, mas que pode surpreender.

Paciente 63

Paciente 63
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Eliza é uma psiquiatra que é designada para cuidar de um paciente que diz ser um viajante no tempo, e que precisa impedir o fim do mundo. Mas quanto mais ela conversa com ele, mais ela acredita em seu relato, e decobre que pode salvar o mundo.
Eliza é uma psiquiatra que é designada para cuidar de um paciente que diz ser um viajante no tempo, e que precisa impedir o fim do mundo. Mas quanto mais ela conversa com ele, mais ela acredita em seu relato, e decobre que pode salvar o mundo.
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