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Primal

Nos últimos anos estamos aprendendo que animação não é um formato narrativo exclusivo para crianças. Principalmente para quem é do ocidente, a associação do formato com uma narrativa mais infantilizada, que não precisa de grandes aprofundamentos psicológicos ou que trabalham temas pais densos, pesados ou que são indicados para maiores. A Pixar, grande estúdio de animação, vem nos últimos anos trabalhando temas como vida após a morte, temas psicológicos e abstratos, além de conter nas estruturas narrativas temas mais maduros. E não ter mais um limitador permite que animações possam alcançar muitas nuances e histórias. E neste quesito, a Adult Swin é uma marca da WarnerMedia focado em animações adultas, que trabalham temas mais pesados, sem restrição de violência explícita ou outras pontos que colocariam a classificação etária nas alturas, e trouxe em 2019 – no Brasil, em 2020 – Primal, animação criada e dirigida por Genndy Tartakovski, que eleva sua emoção sem qualquer fala.

Na história da primeira temporada, seguimos um homem neandertal que após passar por uma tragédia, acaba buscando vingança e encontra uma dinossaura T-Rex, que também passa por uma tragédia semelhante, quando ambos se juntam para ter sua vingança. Percebendo que juntos eles conseguem sobreviver aos perigos do mundo selvagem, eles se juntam e precisam aprender a conviver juntos e enfrentar os perigos desconhecidos do mundo.

A série, que fora transmitida no Brasil na faixa do Adult Swin na Warner Channel, pode ter passado despercebido por muito, uma vez que ela era televisionada após a meia-noite, mas ela teve uma apresentação na CCXP de 2020, e que já está garantida sua segunda temporada no canal, e também ficando disponível já HBO Max. Primal consegue fazer algo que poucos diretores de filmes live-action conseguiram: emocionar sem dizer qualquer palavra.

No cinema, todas as partes são importantes para construir a história: a imagem, a montagem, o cenário, e o som. Cada característica tem ramificações de utilizações, mas se focando no som, trabalha a ausência do som, e acrescento, trabalha sem qualquer diálogo é um trabalho complicado para qualquer ator ou diretor, que tem que contar apenas com as expressões para transmitir emoção, e pior ainda numa animação, que pode cair no caricato ou no estranho, mas Primal consegue trabalhar a verossimilhança, ou uma forma caricata mais realista, dos personagens, e ainda transmitir várias emoções com o relacionamento do humano Spear e da dinossaura Fang.

Em dez episódios, de pouco mais de 20 minutos cada, vemos aventuras quase antológicas destes personagens, que demonstram como eles construíram um vínculo de amizade e confiança entre eles, desde da tragédia no primeiro episódio, e como a concepção presa-predador é quebrada ainda na primeira metade da temporada, até se tornar uma relação de amizade mútua.

Assistindo a série é quase uma viagem nas emoções: têm episódios que nos deixam tensos, têm episódios que nos deixam aflitos, têm episódios que nos dá medo, têm episódios que entregar uma carga enorme de adrenalina, mas tudo isso com a peça central que essa relação quase improvável. Até mesmo a construção da personalidade de cada um é entregue pouco a pouco, e nos faz gostar mais e mais de cada um, e principalmente, da dupla principalmente quando estão enfrentando algum inimigo.

Por não conter nenhuma – e repito – NENHUMA fala, a trilha sonora tem um papel importante, que aproveita a época da história e constrói em cima de músicas mais tribais, mas que elevam a emoção de cada cena. É algo imperceptível, já que prestamos demais nossa atenção nas ações, mas que é uma parte que transborda a sensação da cena.

Já adianto que o melhor episódio da primeira temporada fica para o nono, Scent of Prey.

Primal deixa um enorme gancho para a nova temporada, que já foi confirmada, e que chegará ainda este ano, mas ela consegue fazer emergir das profundezas a emoção de uma amizade impossível, mas que divide a dor da perda, em uma animação belíssima em seus traços e construção de mundo, e que se apoia na falta de fala para transmitir a emoção com as ações, e expressões dos personagens e uma tromba sonora que eleva ainda mais a história.

Primal

Primal
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Siga as aventuras de um homem pré-histórico e uma dinossaura T-Rex, que se uniram após uma tragédia semelhante, e enfrentam os perigos do mundo e descobrem outras criaturas no início dos tempos.
Siga as aventuras de um homem pré-histórico e uma dinossaura T-Rex, que se uniram após uma tragédia semelhante, e enfrentam os perigos do mundo e descobrem outras criaturas no início dos tempos.
5/5
Total Score

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