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A Guerra do Amanhã

Filmes de guerra tem um lugar especial no coração dos cinéfilos. Seja por serem um estilo de narrativa que grandes premiações gostam – se forem baseadas em eventos reais – ou por trazer o espírito de sobrevivência e conexão humana num momento de grande estresse; quando misturamos elementos sci-fi o filme se torna um blockbuster que se torna tão atrativo para o público. Agora misturar alienígenas, viagem no tempo, e militares com assuntos paternos não resolvidos, e a iminente extinção da raça humana, criamos A Guerra do Amanhã, nova produção da Paramount Pictures, que chega com exclusividade no Amazon Prime Video, e nos entrega um blockbuster de guerra genérico, mas muito bom.

Na história, quando viajantes do tempo de 2051 aparecem para todo mundo em 2022, pedindo ajuda, as nações do mundo se mobilizam para enviar soldados e civis para ajudar na guerra contra uma raça alienígena que está provocando a extinção da humanidade no futuro. Mas essa luta pelo futuro acaba criando opositores desta guerra, e algumas nações começam a duvidar do futuro, quando um ex-militar e professor de biologia acaba sendo recrutado, ele terá a única chance de salvar a humanidade de uma vez por todas.

Pode parecer bem clichê e genérico – no sentido ruim da palavra – a premissa do longa, mas a complexidade da estrutura da história acaba surpreendendo pelas camadas de discussões sociais que o filme levanta e aborda, e ainda cria cenas enormes de explosões e cheios de adrenalina que encanta os fãs de ação e aventura.

A mensagem focal do filme é que a ciência é a resposta para o futuro. Não apenas temos o protagonista, vivido por Chris Pratt, um biólogo que busca ser um pesquisador, mas não consegue alcançar seu objetivo, mas incentiva seus alunos e sua filha no caminho do ensino e da pesquisa, mas também alguns outros personagens que acabam levantando a discussão sobre a importância da pesquisa e da ciência, e como ela é a chave para assegurar o futuro.

O longa acaba desenvolvendo mais a parte da ação, mas não deixa de lado a questão da ciência e sua importância, mas acaba reforçando sua necessidade, principalmente nas cenas com diálogos, e menos perseguição contra um alienígena mortífero. E essa ciência é a chave para impedir os Garras-Brancas, criaturas que estão provocando a extinção de toda a vida na Terra.

Todo o mistério da origem dos Garras-Brancas, de onde eles são e como eles chegaram na Terra ganha quase uma jornada a parte no terceiro ato do filme, enquanto a busca de como detê-lo carrega quase toda a parte de ação, explosão e tiros do filme, que fica no miolo do filme, também conhecido como segundo ato. As criaturas se tornam interessantes por estes dois elementos, mas é seu próprio design que chama a atenção. As criaturas acabam lembrando outras que já vimos em outras franquias, além de usarem de referências de clássicos, como o Xenomorfo de Alien e os Death Angels de Um Lugar Silencioso; seja pelo design ou pela organização de colmeia, essas criaturas entram para um espaço de inimigos bestiais muito marcantes.

O filme ainda sabe surpreender com algumas detalhes na trama que não esperávamos, sabem brincar com algumas piadas relacionadas a viagem no tempo e paradoxos, e vai deixando elementos no primeiro ato que serão importantes para a conclusão, e mesmo que exagerado a forma como se resolve, o interessante é se entregar para a aventura e pela batalha que definirá a preservação ou a extinção dos humanos.

Outro ponto que não poderia deixar de mencionar é a relação e autocrítica do filme as guerras do passado, principalmente àquelas que são discutidas a necessidade delas. É uma questão certo ponto do filme, mandar militares e civis para o futuro lutar uma guerra quase perdida, enquanto seria mais prudente e inteligente enviá-los antes das criaturas chegarem aqui e exterminar o perigo. Isso até é verbalmente mencionado. Mas o mistério de onde e quando eles chegaram é incerto dentro da narrativa. Mas essa questão de enviar humanos para o futuro se torna tão marcante, que vemos revoltas contra essa guerra, e a semelhança destes movimentos a duas guerras que se discutem a importância de enviar soldados na história dos EUA: a Guerra do Vietnã e a Guerra no Iraque, ambas mencionadas no filme. A história ainda abre um pequeno espaço para o receio de ser convocado uma guerra incerta, e os traumas que a guerra deixa os sobreviventes, seja os físicos, seja os psicológicos.

A Guerra do Amanhã é aquele blockbuster carregado de adrenalina, mas que tem sua mensagem bem clara, como uma crítica social e que se inspira em várias vertentes para construir sua história sobre sobrevivência e preservação da espécie, e que o próprio título é uma enorme metáfora para aquilo que machuca a humanidade e o mundo pouco a pouco, e que pode provocar sua extinção.

A Guerra do Amanhã

A Guerra do Amanhã
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Em 2051, a humanidade está a beira da extinção. Criaturas mortíferas vindas do espaço estão exterminando pouco a pouco os humanos, e a única esperança de preservar a humanidade é que o passado ajude na batalha.
Em 2051, a humanidade está a beira da extinção. Criaturas mortíferas vindas do espaço estão exterminando pouco a pouco os humanos, e a única esperança de preservar a humanidade é que o passado ajude na batalha.
4/5
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