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Quem Vai Ficar com Mário?

Se existe um tema delicado para se discutir no círculo familiar, este é a sexualidade. Por sorte – eu sei que existe os mais privilegiados – hoje em dia, a pauta sobre o que nos atraí está cada vez menos um tabu a ser evitado nas reuniões familiares e confraternizações, devido a anos de lutas de comunidades de pouca representatividade que ganharam espaço e voz para a nova geração – e devemos muito a eles e elas. Logo, falar sobre homossexualidade pode ser algum tabu, já que nas produções cinematográficas, é fácil o personagem cair nas caixas pré-determinadas, o que está com o tempo, quebrando ela pouco a pouco, e apresentar e representar todo um espectro de possibilidades para a sexualidade do indivíduo. A nova coprodução remake Quem Vai Ficar com Mário? quebra essa caixinha, atualizando a discussão da sexualidade, expandindo ela para um assunto necessário, além de amarrar várias pautas sociais de inclusão e respeito, em uma narrativa leve e divertida.

Quem Vai Ficar com Mário? é um remake do filme italiano O Primeiro que Disse (Mine Vaganti), que acompanha Mário (Daniel Rocha), um jovem homossexual que ainda não revelou sua orientação sexual para sua família, em especial seu pai, que criou seus filhos com preceitos conservadores. Após convencido pelo companheiro (Felipe Abib) a se abrir e contar a verdade para sua família, Mário volta para a cidade natal, mas seus planos são frustrados quando seu irmão mais velho, Vicente (Romulo Arantes Neto) acaba assumindo para família que é gay, o que impede Mário de se revelar, e acaba colocando-o como sucessor de seu pai na cervejaria.

Eu já assisti inúmeras histórias focados na comunidades LGBTQIA+, e o que entristece é que muitas delas, principalmente as produzidas nos anos 2000 e no início dos anos 2010 é que acaba colocando o personagem homossexual em um posicionamento de não ser feliz do jeito que é, seja não ficando com que ame, ou acabando terminando de forma trágica sua vida. O que Quem Vai Ficar com Mário? soube trazer uma história esperançosa sobre aceitação e que deixa em aberto o final, mas um final que é feliz independente da escolha do protagonista; e se a vida amorosa do protagonista está muito que bem, obrigado, sua vida profissional também está.

A história tem uma crescente em sua comédia bem situacional, colocando a família de Mário, principalmente seu pai e cunhado – e até a sua empregada – em momentos que são reveladores, mas que levam na brincadeira, aliado a vários – e repito, VÁRIOS – trocadilhos com duplo sentido, que podem parecer ultrapassados, mas o intuito aqui é entregar uma história leve, e de autodescobrimento do próprio Mário sobre sua sexualidade.

A sexualidade do protagonista é muito bem estabelecida na cena inicial, e mesmo que ela seja o objeto de discussão na trama, a jornada de Mário sofre uma reviravolta a conhecer Ana (Letícia Lima), uma mulher diferente de tudo que ele já viu, e por quem ele acaba se interessando. A partir daí, ele questiona sua sexualidade, e seus desejos, contradizendo aquilo que ele sempre soube desde sempre. A história acaba mergulhando de forma superficial, mas interessante, no questionamento da bissexualidade do protagonista.

Além disso, a história ainda amarra outros pontos intrínsecos a assuntos da sexualidade, como a aceitação, visto da reação do pai com o filho que se revelou, as atitudes misóginas do pai (e do cunhado) para a filha mais, e também as atitudes machistas dos personagens masculinos, mesmo os homossexuais, que não é por ter uma certa relação de cumplicidade e admiração pelo sexo oposto, que não aja com machismo. O longa pontua ótimas situações de respeito e aceitação, e que ressaltam a importância de se ter coragem de buscar sua felicidade.

Quem Vai Ficar com Mário? é um presente todos, que atualiza uma conversa que já está em pauta a muito tempo, e abre espaço – mesmo que em menor grau – para um novo assunto, a bissexualidade, e apresenta uma história leve e empoderadora para novas gerações que estão se conhecendo pouco a pouco, e que só foi possível pelos que vieram antes deles, e aqui temos uma representação da geração anterior que lutou e mudou para o hoje ser mais acessível e empático.

Quem Vai Ficar com Mário?

Quem Vai Ficar com Mário?
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O jovem Mário é um rapaz homossexual assumido e orgulho... mas ainda se sente inseguro em contar sua verdade para sua família, em especial o seu pai. Então ele é convencido a contar toda a verdade, ele vai até sua cidade natal, mas sua revelação é frustrada quando seu irmão mais velho resolve sair do armário antes dele, o que o coloca numa situação onde não pode mais contar para seu pai, um senhor conservador, que também é gay. Agora ele precisa lidar com isso, enquanto um novo sentimento surge ao conhecer uma mulher empoderada, e quando seu namorado resolve aparecer de surpresa com seus amigos, também gays.
De forma leve e espirituosa, a comédia que adapta longa italiano atualiza a discussão sobre sexualidade, e ressalta a coragem de viver sua verdade e buscar a felicidade, em situações cotidianas, que podem ter piadas e trocadilhos de duplo sentido ultrapassados, mas que abre a discussão para abordar a bissexualidade, poliamor e outros formatos de relacionamentos e romances.
4/5
Total Score
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