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Critica Espiral: O Legado de Jogos Mortais

Espiral: O Legado de Jogos Mortais

Existe um problema muito grande que é muito recorrente em fraquias cinematográficas muito longas: eles se perdem em seguir contando uma boa história. Depois de oito filmes (onde facilmente digo que somente até o quarto é plausivel dizer que é coerente) ainda acho muito corajoso que produtores e distribuidora tentem estender ainda mais uma história que já não tem pra onde ir. E é isso que acontece em Espiral: O Legado de Jogos Mortais. Ele tenta se reiventar e falha miseravelmente.

Espiral: O Legafo de Jogos Mortais é ainda mais frustrante do que a sequência de terror medíocre comum porque você pode decifrar facilmente a oportunidade perdida em tela. Chris Rock teve uma ideia original para reiniciar a série “Jogos Mortais”, originalmente lançada em 2004 pelo thriller tortuoso de James Wan que influenciou uma indústria, e Rock basicamente abriu caminho para a existência da produção. 

Sinceramente, digo que deviam ter deixado tudo quieto e não dado essa oportunidade para encher mais linguiça. Existem alguns universos que devem deixar como estão. Saw fez história em 2004, e deu rumo a forma de contar muitas histórias de terror slach, mas seu legado tem que ficar assim: como legado. Não façam mais filmes desse universo. Já não terá o mesmo impacto.

A notícia razoavelmente boa é que Espiral quase vai longe demais na outra direção: não é particularmente assustador, é extremamente simplista a ponto de se repetir e, devido à sua estrutura repetitiva, o visualizador é capaz de descobrir rapidamente quem está por trás da sequência de assassinatos que estão sendo cometidos no estilo de Jigsaw. Bem, quase como Jigsaw, já que as vítimas desta vez são detetives exclusivamente à paisana.

Para os fãs da série, existem as mortes por “armadilhas de tortura”, nas quais cada vítima tem os meios para escolher se vai viver ou morrer – embora todos acabem morrendo de qualquer maneira, é claro. As armadilhas são adequadamente macabras e horríveis, e o sangue coagulado, embora nos surpreendêssemos nos perguntando, e não pela primeira vez enquanto assistíamos a um filme de Jogos Mortais , como o assassino encontra tempo e recursos para construir esses quebra-cabeças elaborados e mortais. O diretor Darren Lynn Bousman, retornando à série pela primeira vez após dirigir Saw II, III e IV , também mantém a consistência visual.

O filme começa com um detetive chamado Boswick (Dan Petronijevic), que é despachado em uma desagradável armadilha de metrô. Nos túneis, Bos é obrigado a arrancar sua própria língua enquanto um trem desce. Seu amigo, Det. Zeke Banks ( Chris Rock ) assume a liderança no caso e logo fica claro que o assassino está utilizando os métodos do Jigsaw para atacar os policiais sujos. Banks também tem sua própria bagagem. Ele não apenas é filho de um estimado chefe de polícia, agora aposentado ( Samuel L. Jackson ), mas Zeke se tornou um policial excluido pelos seus há 12 anos por ser delator dos seus.

Atrelado a um novo parceiro recém-saído da academia (Max Minghella) e pressionado pelo atual chefe (Marisol Nichols), e advertido por seu pai das graves consequências caso o assassino seja de fato um imitador do Jigsaw, Zeke começa a receber mensagens gravadas e lembranças medonhas no correio do assassino – cimentando ainda mais o fato de que um novo acólito de Jigsaw está à solta e que este psicopata está emitindo um julgamento moral sobre toda a força policial.

Vale lembrar que o Saw original , dirigido por James Wan em 2004, era mais um mistério do que um filme de terror, com dois homens acordando acorrentados dentro de uma sala com um cadáver entre eles. A dupla tenta descobrir como todos eles chegaram lá e o que fazer a seguir. Foi apenas com Saw II que a ênfase mudou para o próprio vilão, Jigsaw, e suas armadilhas cada vez mais complexas e horríveis, tornando a série uma das principais luzes do subgênero chamado (e felizmente de curta duração) “pornografia de tortura” .

Espiral: O Legado de Jogos Mortais sofre de alguns problemas tonais bastante graves também. No início, Rock parece estar buscando um diálogo dramático policial dos anos 80 com coisas que soam quase como uma paródia de filmes policiais no limite, e ele tem algumas trocas cômicas com seu novo parceiro que sugerem um filme muito diferente do que isso se torna quando tudo isso é descartado pelo estilo intenso e insosso de Bousman.

O pior é que Bousman não tem ideia de como criar tensão. Não há nenhuma ação crescente aqui. É um filme que começa com um homem sendo transformado em um balão de água ensanguentado e permanece nesse nível o tempo todo, mesmo quando está atingindo sua revelação final incrivelmente previsível e maçante. Veja bem, ninguém precisa de um filme “Jogos Mortais” para ser completamente logicamente correto, mas pelo menos não trate seus espectadores como idiotas, e este filme falha nesse teste.

Outro ponto é que já chegamos a segunda década do século, e ainda sim ninguém descobriu como modernizar as “maquinas de tortura”. Quer dizer, o que realmente chama atenção de Jogos Mortais é a tortura. Os enigmas que deveriam ser resolvidos para que você sobreviva, enquanto é torturado no processo. Mas aqui não há essa opção, no fim todo mundo só morre mesmo de forma bem gratuita (certo que a ideia em Espiral: O Legado de Jogos Mortais é punir policiais corruptos, mas Saw nunca foi sobre justiça, mas sobre ensinar algo as pessoas, mesmo que de forma completamente distorcida). A maior graça de ver Saw era que existia sim a possibilidade da pessoa sair viva, mesmo que custasse um braço. Aqui, o filme falhou miseravelmente.

O que é tão irritante é até que ponto isso poderia ter funcionado. Eu totalmente assistiria Samuel L. Jackson e Chris Rock em um filme pai / filho dos anos 80, amigo policial. Quem não gostaria? E a noção de que a moralidade do universo de “Jogos Mortais” agora vai cavar em policiais corruptos parece oportuna de uma forma que essa franquia raramente era nos anos 2000 e 10. Mas nada é feito com este tema. Nada de interessante ou tenso acontece.

Mas sinceramente, apesar de ter potêncial, seria muito melhor que não tivessem feito. Espiral: O Legado de Jogos Mortais não acrescenta nada de novo, as armadilhas e os enigmas são fracos, a história não apresenta a tensão que precisa, Cris Rock apesar de ser um grande ator, aqui não parece nada confiante e não passa nada da seriedade que esse filme precisa. Não valeu o tempo gasto e nem o dinheiro. Quando é que Hollywood vai entender que tem franquias que não tem que ser ressucitadas? Esse negócio de Remakes e revivals para alguns filmes jamais deveriam ser considerados. E isso se encaixa perfeitamente em Jogos Mortais.

O longa estreia nos cinemas dia 17 de junho.

Espiral: O Legado de Jogos Mortais

Espiral: O Legado de Jogos Mortais
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Com policiais como alvo, um novo assassino seguindo os mesmo métodos de Jigsaw agora está aterrorizando e desestabilizando um departamento policial, e Zeke o encarregado do caso precisa descobrir o que tudo isso significa.
Com policiais como alvo, um novo assassino seguindo os mesmo métodos de Jigsaw agora está aterrorizando e desestabilizando um departamento policial, e Zeke o encarregado do caso precisa descobrir o que tudo isso significa.
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