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Dom (1ª Temporada)

DOM estreia no Prime Video em 4 de junho

Já tivemos algumas histórias marcantes sobre como o tráfico de entorpecentes acaba com a sociedade, incita o crime, e principalmente, destrói uma família de dentro para fora. Seja em uma novela, a narrativa brasileira mais comum, seja nos mundialmente conhecidos filmes como Cidade dos Homens ou Tropa de Elite, presenciamos como uma substância ilícita mexe com a sociedade em diversos níveis. O fio condutor de todas essas história vem de relatos reais de quem presenciou essa jornada pela sombras, e é deste fio condutor que a nova série da Prime Video, Dom, baseado na vida de um ex-narcotraficante e de seu pai, um ex-policial civil, que por mais que trate sobre como o vício destruí sua família, por uma camada superficial, e nas camadas mais internas que compreendemos os limites do amor de um pai para salvar seu filho de si mesmo.

Baseado na história real de Victor Dantas e seu filho Pedro Lomba, um ex-policial civil e um dos chefes do narcotráfico brasileiro mais procurados no início dos anos 2000, respectivamente, segue como que foi a trajetória de ambos com um elemento que os conecta que não é o sangue: a cocaína. Em uma história paralela, vemos como a droga ilícita constrói de um lado um homem da lei, viciado no trabalho de proteger os cidadão do vício; enquanto que do outro lado, vemos como um jovem vai se afundando mais e mais neste vício que seu pai lutou tanto, e toda sua trajetória para se tornar um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro.

Por mais que a história base, a que é revelada pela sinopse divulgada pelo estúdio, e também pelos materiais de divulgação, seja como Pedro Dantas se tornou Pedro Dom no mundo do crime, mas a real história que vemos é como os vícios, sejam eles lícitos ou ilícitos, corrompem os laços familiares, e envenena o relacionamento pouco a pouco. Enquanto que vemos o vício óbvio de Pedro, e isso choque a toda cena, do lado de Victor, vemos como ele também tem seus vício, e como usa de drogas lícitas como um meio de escape; e não apenas ele, mas a cada membro de sua família têm seus vício, e como isso afeta o discernimento de Pedro, e também o próprio telespectador, e como isso o coloca no rumo do vício e crime.

Mesmo sabendo o desfecho desta história, que encontramos pela rede, a série acaba se utilizando de uma manobra bem conhecida, que a série Narcos implementou: o importante não é o final, mas a trajetória. Na série da Netflix, já sabíamos o que acontecia com o protagonista, mas o que chama a atenção e prende a audiência é a trajetória do personagem antes de chegar ao fim. E aqui acontece o mesmo.

O importante é se entregar para a narrativa e seu desenvolvimento, e tentar entender o limiar do protagonista título entre ser uma vítima da casualidade e alguém realmente criminoso. Entender esse limiar é o principal motivo que vai chamar a atenção do público. Gabriel Leone dá vida a Pedro e consegue flutuar entre o mocinho vítima da situação e o criminoso frio e calculista. E ver sua interpretação como Dom consegue arrancar sensações opostas com muita facilidade. Há momentos que você o reprova por sua atitude; há momentos que você até entende que ele possa ser uma vítima; existem cenas que você vê que ele é extremamente influenciável; em outras você torce que dê certo.

E a série ainda brinca com a própria construção da cena para entregar esses sentimentos opostos. Enquanto ele está no seu ponto mais baixo, a cena sempre fica sombria, com cores escuras, ou muitas sombras, até com cenários borrados e confusos; enquanto há um rastro de lutar contra seu vício, uma volta por cima, somos levados para os momentos mais luminosos da série.

Do outro lado da história, a jornada de Victor se divide entre a luta para ajudar seu filho, e os momentos chave de sua juventude que o levaram a se envolver com a polícia civil, e principalmente se envolver contra a luta contra o narcotráfico. Enquanto sua versão jovem tem uma construção espelhada com seu filho, sempre relacionando o que acontece com o Pedro, acontece de certa forma com Victor mais novo, e vice-versa, criando a dualidade simétrica, que levanta o questionamento que seguimos o mesmo caminho de nossos pais, o que diferencia é como nos envolvemos e reagimos a situação.

Apesar de explosivo, a versão adulta de Victor, interpretado por Flávio Tolezani fica no entremeio entre o pai protetor – beirando ao imprudente – e o pai rígido. Mas nos dois casos presenciamos o amor do pai pelo seu filho, e o pesar dele estar perdendo-o para aquilo que lutou a vida toda para não destruir outras famílias. E de certa forma, ele também afunda nesta situação de tentar salvar Pedro.

Dom vai te pegar pelo coração, vai fazer você se questionar sobre a responsabilidade dos atos do protagonista título, mas ao mesmo tempo da própria família; vai fazer você se questionar sobre a conduta de Pedro, se ele não é uma consequência de um âmbito familiar com vícios lícitos, sem qualquer ato que limite ele a fazer o errado, ou até mesmo saber diferenciar o errado do certo. O coração da série se foca na atuação dos protagonista, e como em épocas diferentes, e pensamentos diferentes, eles tem trajetórias semelhantes, que o que os diferencia é pelas escolhas que fazem baseados na vivência de cada um.

Dom

Dom (1ª Temporada)
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Pedro Dom é um jovem viciado em drogas, que pouco a pouco entra num mundo de crime para bancar seu vício. Seu pai, Victor, é um ex-policial que lutou desde jovem contra o narcotráfico, e vê seu filho se perder para o vício. Com histórias intricadas uma na outra, vemos como os dois protagonista são lados opostos da mesma moeda, e como cada jornada foi influenciada pela tráfico de cocaína no Rio de Janeiro.
Pedro Dom é um jovem viciado em drogas, que pouco a pouco entra num mundo de crime para bancar seu vício. Seu pai, Victor, é um ex-policial que lutou desde jovem contra o narcotráfico, e vê seu filho se perder para o vício. Com histórias intricadas uma na outra, vemos como os dois protagonista são lados opostos da mesma moeda, e como cada jornada foi influenciada pela tráfico de cocaína no Rio de Janeiro.
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