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Sessão Nostalgia | A Floresta Negra (1997)

E seguimos falando sobre contos de fadas, e desta vez vamos falar de uma das adaptações mais bonitas e sombria de Branca de Neve. Floresta Negra (Snow White: Tales of Terror, 1997, USA) é uma das minhas versões favoritas do conto, talvez por ser muito mais adulto e ter uma linha mais assustadora. Sim, sabemos que muitos tem visões que contos de fadas deveriam ser fofos e cheio de arco-íris (Disney nos fez acreditar muito nisso), mas a verdade é que originalmente esses contos populares e as versões reunidas pelos Irmãos Grimm eram muito mais obscura e cheia de terror do que as versões mais populares de hoje em dia nos faz acreditar, assim como este filme.

Em Floresta Negra não temos a Branca de Neve normal. Não há Rainha, Príncipe e Anões (bem, tecnicamente há um anão.) Além disso, felizmente, Branca de Neve não é chamada de Branca de Neve (um nome bobo) e, em vez disso, tem o nome muito mais crível de Lilliana Hoffman. Mas há uma madrasta muito perversa (e extremamente louca), muita magia e uma boa dose de caos.

Sigourney Weaver é maravilhosa como madrasta e é uma bruxa muito perturbada. Sam Neill é sólido como o pai da heroína. Monica Keena, a heroína, faz um bom trabalho com o que recebe. Outro aspecto divertido dessa história é que temos dois interesses amorosos – o personagem ‘Príncipe Encantado’ (não um príncipe), interpretado por David Conrad, e um dos mineiros (que não são anões), interpretado por Gil Bellows.

O rico proprietário de terras Frederick Hoffman (Neill) perde sua esposa em um acidente de carruagem na floresta, deixando-o para criar sua filha Lilli sozinho. Anos depois, uma adolescente Lilli (Keena) fica preocupada ao ver seu pai se casar novamente com a misteriosa Lady Claudia (Weaver). Em pouco tempo, Claudia revela ter poderes sobrenaturais derivados de um espelho mágico em seus aposentos e, ressentida com o controle emocional de Lilli sobre seu pai, Claudia a envia para a floresta para que corresse por sua vida e se fosse forte o suficiente, sobrevivesse por la.

O popular conto de fadas dos Irmãos Grimm, Branca de Neve e os Sete Anões, recebe uma transformação  particularmente sombria e semi-realista no filme A Floresta Negra de 1997 de Michael Cohn. Produzido com a intenção de ter um lançamento nos cinemas, seu contrato de distribuição desmoronou em pouco tempo e foi relegado para a televisão a cabo. É uma fantasia sombria extremamente eficaz.

As mudanças na história tradicional são o que faz o filme funcionar de forma tão eficaz. Quando Lilli corre para a floresta, ela logo se encontra não protegida por anões cantores, mas raptada por um septeto de mineiros famintos. Eles se ressentem de sua riqueza e posição social, e discutem os méritos de matá-la ou resgatá-la de volta para seu pai. 

Conforme o tempo passa, eles começam a revelar personalidades e agendas individuais e, conforme o filme avança, tornam-se amigos. Entre eles, destaca-se o ator inglês Brian Glover: sempre subestimado, sua voz áspera e sotaque de Sheffield fizeram dele um acréscimo memorável a qualquer filme. Esta foi sua última apresentação na tela; ele morreu de um tumor no cérebro pouco antes da  estreia de Floresta Negra  .

A outra grande mudança na história está em sua ‘bruxa malvada’. Ao contrário das iterações anteriores do conto popular, que atribuíam os motivos da bruxa à pura vaidade, esta  Branca de Neve  lhe dá um elemento inesperado de dúvida, tragédia pessoal e complexidade emocional. Claramente, não é Claudia que é má, mas o espelho. Isso a estimula, a empurra a extremos assassinos e, progressivamente, destrói sua sanidade. ‘Você não tem coração!’ grita Lilli em uma cena climática. “Isso seria muito fácil”, responde Claudia. 

O desempenho de Weaver é excelente, oscilando livremente entre o sinistro e o sedutor, mas sempre de alguma forma encontrando um ponto de humanidade em todos os momentos. É uma conquista impressionante e louvável que passou quase totalmente despercebida na época. Sem exagerar, é Weaver quem faz o filme funcionar.

Acho que a visão desse enredo foi um dos principais pontos de venda desse filme. Foi tão único, mantendo o arco da história com o qual todos nós estamos familiarizados. O roteiro foi muito bem escrito, com a psicologia da madrasta particularmente bem realizada. Ela não é tão perversa quanto é uma pessoa real, com problemas reais que a enlouqueceram, e eu a achei muito crível. A heroína também não é um anjo. Ela tem muito ciúme da madrasta e não tem vergonha de revelar isso. Sua antipatia não é unilateral.

Cohn, fez um ótimo trabalho criando uma atmosfera muito gótica, especialmente no final. Existem alguns momentos verdadeiramente arrepiantes. Esta é provavelmente a minha versão cinematográfica favorita da história da Branca de Neve, e eu a recomendaria a todos os fãs de filmes de contos de fadas que gostariam de algo um pouco mais adulto. Acho que os irmãos Grimm aprovariam – e dado o número de vezes que  Branca de Neve foi revisitada, isso não é pouca coisa.

O longa está disponível para compra e aluguel no Youtube Filmes (versão dublada e legendada).

Leia também: 21 melhores adaptações dos Contos de Fadas

A Floresta Negra

A Floresta Negra
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Anos após a morte da mãe, o pai de Lilli se casa novamente com Lady Claudia, uma bruxa disfarçada que não suporta a enteada e, assim que o marido morre, envia o irmão para matá-la. A jovem foge para um bosque onde é raptada por mineiradores.
Anos após a morte da mãe, o pai de Lilli se casa novamente com Lady Claudia, uma bruxa disfarçada que não suporta a enteada e, assim que o marido morre, envia o irmão para matá-la. A jovem foge para um bosque onde é raptada por mineiradores.
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