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As Eras da Disney | A Era das Trevas

E eu voltei! Depois de uma pausa, pois estavamos focando no nosso canal, o Geek em Tela (inclusive, se increvam lá e ajudem a gente a crescer!), finalmente voltei para continuar nossa análise dos filmes da Disney. Agora chegamos em uma triste fase da Disney: A Era das Trevas.

A morte de Walt Disney deixou uma terrível marca nos estúdios Disney. A situação ficou ainda mais incerta durante este período quando Roy Disney, irmão de Walt e cofundador da companhia, também faleceu, em 1971, deixando-a nas mãos de Ron Miller, genro de Walt Disney. Agora, sem nenhum de seus fundadores, a Disney como um todo estava em mãos completamente novas e ninguém sabia o que iria se suceder a partir daí.

Sendo o primeiro momento na história do estúdio desde seus primórdios, nos anos vinte, sem a presença de Walt, mesmo que mais afastada, o departamento de animação começou a atravessar o que se pode ser chamado de uma crise de identidade. Era a primeira vez que os animadores se viram tendo que fazer filmes animados sem a supervisão de Disney.

Mesmo que ele estivesse se afastado consideravelmente do departamento animado começando pela década de cinquenta, a figura de Disney estava sempre ali, supervisionando a tudo e a todos, e trazendo consigo aquele senso de possibilidades e da magia da Disney — Walt Disney representava em si tudo o que a Disney se dizia ser, como ela se vendia. Ele era a cara da Disney. Agora, sem ele ali, o impacto foi sentido por todos os envolvidos, e a incerteza pairou no ar, enquanto esses animadores se questionavam se eles conseguiriam fazer filmes da Disney sem o Disney.

Aliado desta incerteza estava a qualidade técnica, que já havia decaído consideravelmente antes da morte de Walt. Relembrando um pouco, o fracasso financeiro de A Bela Adormecida, o filme mais ambicioso e, consequentemente, mais caro do estúdio até então, gerou um grande impacto negativo no departamento de animação, que chegou a cogitar fechar suas portas. No entanto, a animação na Disney achou sua salvação no meio de uma nova técnica, a xerografia, responsável por manter o departamento aberto, ainda que diversos recursos e gastos tivessem que ser cortados, como a demissão de vários animadores e o fim da produção de curtas-metragens.

A xerografia utilizava de uma fotocopiadora para copiar os desenhos dos animadores e passá-los diretamente para a célula, a folha de papel principal onde a animação seria fotografada, sem que fossem necessárias as constantes repetições. A xerografia fez com que não fosse mais necessária que os filmes fossem animados quadro por quadro, graças a repetição gerada pela fotocopiadora, o que gerou a animação mais rápida e custo-efetiva, porém, também menos caprichada e polida, marca registrada dos filmes da Disney até então, que traziam consigo a elegância de um quadro, por exemplo.

Essa técnica foi um grande sucesso com 101 Dálmatas, mas que não pareceu muito correto de usar em A Espada Era Lei, por exemplo.

Pela primeira vez, a qualidade técnica na Disney, que sempre prezou pelo nível artístico avançado com que abordava seus filmes, tratando eles como verdadeiros projetos cinematográficos, foi comprometida em prol do lucro, acabando com aquela imagem da Disney, de sempre colocar a criatividade em primeiro lugar, diferente de outras animações, que eram menores em qualidade, tanto técnica quanto criativa.

Ao abrir mão da técnica tradicional de animação, desenhada e pintada à mão, em prol da xerografia, a Disney salvou dinheiro, mas perdeu sua qualidade e, de certa forma, sua integridade. A arte alcançada pela xerografia não era nem de longe tão polida quanto os trabalhos que a antecederam. Esses filmes eram muito menos caprichados e esplendorosos, se assemelhando mais à desenhos animados, parecendo com rascunhos ou esboços do que com um projeto finalizado.

No entanto, os últimos filmes da Era de Prata que usavam da xerografia compensavam pelos visuais fracos com boas histórias, que mantinham a tradição da Disney de valorizar suas histórias, querendo passar filmes a seu público de qualidade, que dialogasse, sobretudo, com suas emoções, e os maravilhasse e os emergisse em suas atmosferas. Quando Walt morreu, isto deixou os animadores do estúdio tão abalados que eles não conseguiam mais recriar essa magia, e a qualidade das obras que se seguiram caíram consideravelmente, sobretudo em tom.

Os animadores, a partir de então, hesitaram de adentrar os campos grandiosos e cheio de possibilidades dos contos de fadas, e se prenderam a histórias mais simples, menos exageradas e fantásticas e com uma sensação menor e mais intimista. A imensa maioria desses filmes são filmes cujos protagonistas são animais antropomórficos, e a narrativa é mais direta e menos pomposas.

São filmes como Os Aristogatas, Robin Hood, As Aventuras do Ursinho Pooh e Bernardo e Bianca. Essas obras todas pareciam estar acomodadas, e a Disney não estava mais se explorando e tentando entregar obras encantadoras, parecendo estar mais preguiçosa e fazendo filmes de forma automática, deixando claro que faltava emoção em suas confecções. Isto, consequentemente, fez com que os retornos financeiros também fossem mais pobres, gerando um dos períodos mais difíceis para o estúdio, tanto criativa quanto financeiramente, conhecido como A Era das Trevas ou A Era de Bronze.

No entanto, não pensem que eu concordo totalmente com a forma como esse período normalmente é olhado e considerado pela maioria das pessoas. Apesar de eu conseguir enxergar que, sim, esses filmes não saíam de suas zonas de conforto e não tentavam inovar ou encantar como seus antecessores, a maioria deles foi feito de forma muito honesta, entregando filmes que, nem de longe se equiparam aos grandes clássicos das décadas de quarenta, cinquenta e sessenta, mas não são de todo ruins, e, muitas vezes, são filmes subestimados, que ganharam uma má fama apenas pelo estado em que a Disney se encontrava quando foram lançados, do que por suas qualidades individuais.

Nenhum deles consegue alcançar as qualidades de um Bambi ou um Alice nos País das Maravilhas, mas são filmes dóceis e fofos, que deixam a gente entretido e com um sorriso no rosto enquanto assistimos. Ainda assim, se compararmos com as obras que estavam sendo entregues antes, com certeza ficaremos decepcionados.

A Era das Trevas é um assunto que gera debate entre os historiadores e fãs da Disney. Há aqueles que definem tudo o que veio de 1970 até 1988 como fazendo parte desta era, no entanto há aqueles que a subdividem, considerando os filmes de 1970 a 1977 como a Era de Bronze e os de 1981 a 1988 como a Era das Trevas. Essa subdivisão se dá pois até os anos setenta, os já mencionados Nove Anciões ainda estavam trabalhando no estúdio, e tentando segurar as pontas.

Os Nove Anciões, animadores antigos dentro da história do estúdio, estão presentes, no mínimo, desde a execução de Branca de Neve e os Sete Anões, e são imprescindíveis para a história da Disney, pois ajudaram Walt a pavimentá-lo para o sucesso e para o prestígio que a casa do Mickey já desfrutava na década de cinquenta, além de que, quando Disney deixou o departamento para trás e foi se aventurar em outros projetos, como o cinema live-action, a televisão e a construção de seus parques temáticos, também nos anos cinquenta, foram eles que mantiveram o estúdio funcionando. 

Portanto, foi esta permanência destes animadores até o fim da década de setenta que leva algumas pessoas a dividir esta era, considerando o início da Era das Trevas quando até os Nove Anciões se aposentam, ou falecem, na década de oitenta, e a Disney está nas mãos de pessoas totalmente novas, sem ninguém que sabe como dar continuidade ao legado de Disney.

No entanto, os filmes dos anos oitenta; O Cão e a Raposa, O Caldeirão Mágico, O Ratinho Detetive e Oliver e sua Turma em sua imensa maioria compartilham características com os filmes dos anos setenta, no sentido de que são histórias mais presas ao chão e menos fantasiosas, e seguem animais antropomórficos, tendo uma escala e um estilo menor do que os grandes clássicos da Disney das eras de Ouro e de Prata.

Os filmes das duas décadas, em sua imensa maioria, também têm em comum o fato de não serem filmes exatamente ruins, servindo como entretenimento e sendo bastante dóceis e divertidos, mas não saindo de seus lugares comuns e não entregando verdadeiros clássicos de tirar o fôlego como antes.

No entanto, este argumento logo foi derrubado por um homem chamado Don Bluth. Bluth foi um dos muitos novos animadores que começaram a trabalhar na Disney nos anos setenta. De fato, a Era das Trevas pode ser considerada uma era de transição, com os animadores antigos se afastando e sendo trocados por talentos novos, como Bluth, Lasseter e Tim Burton. Assim, os animadores dessa época podiam ser divididos entre dois grupos, os animadores mais velhos, lendas da Disney, próximos à aposentadoria, e animadores jovens, em seus vinte anos, saindo diretamente da faculdade para trabalhar na Disney (muitos deles vinham da CalArts, escola de artes que Walt Disney co-fundou em 1961).

Essa inconsistência entre o corpo de animadores da Disney pode ser considerada um dos principais motivos para tamanhos fracassos, com o estúdio, como dito, passando por uma crise de identidade e não sabendo em que direção queria ir, além de não ter nenhum animador proeminente o suficiente, com a saída dos Nove Anciões, para pegar no volante e colocar a casa do Mickey na reta certa, e ela foi desgovernadamente cambaleando por entre os anos.

Mas voltando a Don Bluth. Como podemos ver, muitos animadores e talentos notórios passaram pela Disney nesta fase transitória, muitos que ainda iriam se provar no decorrer dos anos como uma força para serem levados a sério, mas o animador mais marcante deste período foi Bluth. Bluth já havia trabalho na Disney nos anos cinquenta, saiu para abrir um negócio próprio com seu irmão, e continuou trabalhando ocasionalmente para a Disney, em projetos à parte. Foi em 1971, bem no início da Era das Trevas, que Bluth se dedicou oficialmente à animação e retornou para a Disney, dessa vez para ficar.

No entanto, a Disney que encontrou não era a Disney dos clássicos da Era de Prata. Ao invés de um local onde a criatividade e a qualidade técnica eram elevadas além de seus limites, o local que queria não só contar maravilhosas e encantadoras histórias, como também revolucionar e avançar a indústria da animação, Bluth se viu em um meio acomodado, que empurrava seus filmes com a barriga. A magia, sua marca registrada, havia se perdido, e os filmes que saíam estavam cada vez mais presos em suas zonas de conforto e preguiçosos.

Decepcionado com o estado em que a Disney se encontrava, Bluth decidiu dar um basta nisso. Se a Disney não iria ser a responsável por utilizar a animação para contar histórias encantadoras e utilizar de técnicas de real qualidade, ao invés de se prender à imperfeição lucrativa da xerografia, ele seria o responsável por essa mudança.

Em 1979, Bluth saiu da Disney, e com mais onze animadores, também insatisfeitos com o estado do estúdio, decidiu montar seu próprio estúdio de animação, um que recriaria toda a magia e a fantasia dos primórdios da Disney e entregaria ao público animações de qualidade, não projetos preguiçosos apenas interessados em fazer dinheiro — como Don via o estado da Disney naquele período. Se você acha que não conhece Don Bluth, a verdade é que você, provavelmente, o conhece.

Os filmes de Bluth são, em sua imensa maioria, contos de fadas, que bebiam da fonte mágica e fantástica dos filmes da Disney, apesar de artisticamente falando eles não serem tão polidos, se assimilando mais à desenhos animados — muitos desses filmes são daqueles que sempre geram discussão se eles são ou não da Disney, como Um Conto Americano, Em Busca do Vale Encantado, A Polegarzinha e Anastasia. Apesar de ter um começo tímido, com A Ratinha Valente, logo Bluth e seu estúdio decolaram para o sucesso na década de oitenta, com sua parceria com Steven Spielberg, eclipsando a Disney e provando que as animações ainda poderiam ser relevantes, mas não da maneira que estavam sendo feitas.

Durante toda a década de oitenta, Don Bluth e seus filmes foram os maiores competidores da Disney no mercado animado, algo que era totalmente novo para a casa do Mickey. Até então, a Disney era o único estúdio entregando filmes para a tela grande, e todos os outros estúdios de animação, como a Warner Bros. e a Hannah-Barbera estavam fazendo animações televisivas. Até mesmo durante a Era de Ouro a Disney foi a única ousada o suficiente para atravessar a barreira dos curtas-metragens, e indo para os longas, enquanto suas concorrentes, como os Looney Tunes ou os curtas do MGM continuaram nessa escala menor.

Sendo assim, até então, não havia concorrência para a Disney e este é, em grande parte, um dos motivos que ela deixou o estado decadente da Era das Trevas se alastrar por tanto tempo — não havia competição, não havia ninguém entregando outras opções para os filmes simples e pouco inovadores que a Disney estava entregando, e assim, sem ninguém para ameaçar o seu reinado, ela deixou que a situação se arrastasse. Mas tudo mudou com Don Bluth.

Foi a primeira vez que a Disney sentiu o impacto de um concorrente, tendo ficada para trás durante toda a década de oitenta, e sentindo que estava na hora de dizer chega, e se remodelar, para que, mais uma vez, chegasse ao topo do mercado. Hoje em dia se há toda uma variedade de estúdios de animação, como a PIXAR, a DreamWorks e a Laika, mas estes estúdios são todos muito novos, tendo começado a surgir durante a segunda metade dos anos noventa para os anos dois mil. Se hoje há uns dez filmes animados sendo lançados todos os anos, antes a Disney era a única que trabalhava neste campo, até Bluth aparecer.

E por mais que na década seguinte as coisas se invertessem, e Bluth e seus filmes decaíssem violentamente a medida que a Disney se recuperava, a existência de Don e de seus filmes foi importantíssima não só para a Disney, como para a indústria como um todo, pela primeira vez ameaçando o império imponente construído por Walt.

Além da concorrência externa, a situação se tornava cada vez mais instável internamente, também, para a Disney. Após a morte de Walt e Roy, não só os filmes animados estavam fracassando, mas a Disney não sabia para onde ir em termos de negócios e a empresa, como um todo, estava falhando economicamente de todos os lados, com apenas os parques temáticos aliviando a situação.

Isso gerou uma situação adversa entre os acionistas, e parte deles tentaram assumir a Disney de forma hostil, para que pudessem fragmentá-la e vender partes da mesma, acreditando que, da maneira que a Disney estava indo nos anos oitenta, ela valeria mais em partes do que por inteiro.

A Disney conseguiu combater essa tentativa, mas gerou uma certa instabilidade entre os acionistas e os trabalhadores da empresa em geral, que sentiam que a gestão de Ron Miller como presidente e CEO era falha, e tentaram derrubá-lo.

O principal porta-voz desta tentativa foi Roy E. Disney, filho de Roy Disney e sobrinho de Walt. Ele se demitiu de sua posição executiva da empresa em 1977 por não estar de acordo com as decisões tomadas pela mesma naquele período e sentia que “criativamente a companhia não estava indo a nenhum lugar interessante”.

Porém ele continuou como um membro do concelho, até que, mais uma vez, se demitiu, durante os eventos da tentativa de alguns acionistas de se apossar da Disney. Sentindo que aquela havia sido a gota d’água para o mandato de Ron Miller, marido de sua prima, Roy iniciou a campanha Save Disney, como uma maneira de convencer o resto do concelho a depor Miller, em favor de Michael Eisner, como presidente, e Frank Wells, como CEO.

Eisner possuía uma carreira promissora trabalhando na Paramount Pictures, e Wells era colega de Roy na faculdade, sendo, também, amigo de Eisner. Roy percebeu que Eisner era mais criativo, e Wells focava mais na parte dos negócios, e sentiu que os dois formariam uma boa dupla. Assim, em 1984, a troca foi feita, e Miller foi deposto. Eisner chamou Jeffrey Katzenberg, também da Paramount, para supervisionar o departamento cinematográfico da companhia, e assim, esses três nomes, juntos de Roy E. Disney, foram os principais responsáveis para o futuro da Disney de ali em diante.

No entanto, se engana quem pensa que com essa mudança na administração a Disney melhorou de um dia para o outro. Aliás o maior fracasso da história do estúdio veio um ano após a deposição de Miller, com O Caldeirão Mágico. Já estando em produção antes de Eisner, Wells e Katzenberg assumirem a empresa, a ideia de O Caldeirão Mágico era ser um filme diferente de tudo o que o estúdio já fez, sendo o primeiro da Disney a possuir uma classificação que não fosse livre, querendo atrair um público mais adulto, possuindo um tom muito mais sombrio e denso.

Com uma produção conturbada e caríssima — a mais cara do estúdio até então — O Caldeirão Mágico foi um fracasso estrondoso na bilheteria. Seu tom distante de tudo o que a Disney já havia feito, enquanto o estúdio queria se afastar da esfera infantil, doce e familiar pela qual ficou conhecida, e entregar um filme mais ousado que balançasse as estruturas, não funcionou com o público, e o filme chegou a fazer menos no total do que tinha gasto para se produzir.

É com Caldeirão Mágico que as pessoas normalmente dizem que a Disney chegou no fundo do poço. Irônico, pois foi a primeira vez que a Disney tentou sair de sua zona de conforto em anos, depois de filmes que não saíam do mesmo tom e não se permitiam, sendo muito menores em escala do que O Caldeirão Mágico. O que a Disney não entendeu, no entanto, era que o público não queria um filme sombrio e denso dela, e sim que ela recuperasse a magia e a fantasia de outrora.

Após essa situação vergonhosa, Michael Eisner considerou fechar a divisão de animação da Disney — o departamento animado, responsável por fundamentar aquela empresa multimilionária que a Disney havia se tornado, agora era o maior empecilho em seu caminho. Mas Roy E. Disney, que havia sido apontado como chefe do departamento, insistiu que a animação seguisse viva, pois ela era a alma e a base da Disney.

Eisner e Katzenberg ouviram, porém trouxeram grandes mudanças para o estúdio. A mais importante foi a mudança de locação. Com o live-action crescendo dentro da Disney, era preciso espaço para acomodar aquele crescente departamento, e a solução para isso foi pegar a locação dos animadores, que não estavam lucrando ou sendo custo-efetivos para a empresa.

Os animadores foram tirados de seu espaço em Burbank, onde a Disney mantinha todos os seus estúdios, mais especificamente do prédio reservado ao departamento de animações, onde o próprio Walt Disney havia trabalhado na produção de Cinderela, Peter Pan e etc., e relocados para trabalharem em Glendale, uma cidade à três quilômetros de distância, em um espaço deserto onde eles faziam seus trabalhos em trailers, galpões e armazéns abandonados.

Era como se fosse um castigo, como se os chefões da Disney tivessem exilado os animadores da Disney como punição por seus trabalhos tão abaixo do esperado, e forçassem eles a se superarem e a se provarem como artistas, capazes de atingir a meta que era esperada deles, para que conseguissem manter seus trabalhos.

E, de certa forma, a meta foi atingida. O Ratinho Detetive seguiu O Caldeirão Mágico e foi um sucesso financeiro como há muito tempo a Disney não via, e isso se seguiu com Oliver e Sua Turma. Porém, a Disney ainda estava engatinhando em direção ao sucesso que um dia desfrutou, e Don Bluth e seus filmes ainda eram uma grande ameaça, mesmo no final dos anos oitenta.

Porém todo esse período conturbado rendeu frutos em 1989, onde a Disney finalmente retorna para o topo com uma explosão. É na virada da década de oitenta para a noventa que a Disney renasce e desfruta o período mais impactante de sua história, voltando para a relevância, tanto crítica quanto financeira, e remodelando toda uma geração de pessoas, que finalmente descobriram aquilo o que as pessoas que cresceram durante as eras de Ouro e de Prata sempre souberam; o que era a Disney, o que esse estúdio significava, e a casa do Mickey se reconectou com a sua magia, a trazendo para a infância e para a vida de milhões de pessoas durante os anos noventa.

E para que esta magia fosse possível, era necessário que a Disney, como um todo, sentisse o impacto do sucesso de Bluth e mudasse, se remodelasse, para que estivesse pronta para conquistar o mundo novamente. Disney precisava de uma nova liderança que a tirasse da sombra de Walt Disney — se ela continuasse se duvidando de sua capacidade e se prendendo ao passado ela nunca olharia para o presente.

Ao mesmo tempo ela precisava de alguém como Bluth para que sentisse o impacto de uma concorrência mais pesada e acordasse para a vida. Ela precisava sair daquele estado acomodado, precisava decair, para depois melhorar e, sobretudo, se redescobrir, e se reconectar com a magia de seus primórdios, ao mesmo tempo em que a remodelava para o período atual. Foi graças à decadência da Era das Trevas que a Disney sofreu, que ela estava pronta em 1989 para descobrir um mundo novo. Um mundo ideal.

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