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Invincible (1ª Temporada)

O que falta abordar sobre o gênero de super-heróis? A quantidade enorme que temos de adaptações desde o amanhecer das adaptações em live-action – e algumas animações – o gênero vem crescendo vagarosamente, mas a quantidade (como já mencionei anteriormente) está se desgastando, e o caminho agora é abordar temas mais profundos, discussões mais políticas e sociais, e usar os super-heróis como arquétipos de movimentos e questões sociopolíticas importantes. Mas se o caminho foi das páginas coloridas das HQs para as séries animadas, para os live-action soturnos, retornar um passo pode ser o caminho mais libertador para explorar mais ramificações, e Invincible, nova série animada adulta sobre super-heróis trata de assuntos mais amplos, sem o limitador do realismo.

Em Invincible, acompanhamos Mark Greyson (voz de Steven Yeun), um jovem como qualquer outro, mas é filho do maior super-herói da Terra, o Omni-Man (voz de J. K. Simmons). Quando seus poderes despertam, Mark precisa aprender a ser um super-herói como seu pai, quando o grupo de super-herói conhecidos como Guardiões do Globo é assassinado brutalmente, e o único sobrevivente é seu pai, Omni-Man, que não fazia parte do grupo. Enquanto aprender a ser um super-herói, segredos de seu pai mostram que ele não é tão heróico como imaginava.

Por ser uma animação, a série tem certas liberdades criativas, já que se tem a flexibilidade para criar formas e conceitos que na vida real, não existiriam e não funcionariam. E essa liberdade introduz a cada novo episódio arcos em potencial para serem trabalhados mais profundamente e detalhadamente nas temporadas futuras já confirmadas. Em seus oito episódios, a série já inicia inúmeros sub-arcos, enquanto desenvolve o arco principal da primeira temporada, e essa mescla é tão orgânica que funciona como um pequeno desenvolvimento para o episódio, como também parte da construção de Mark como o protagonista da história.

A produção ainda se utiliza de um detalhe que conhecemos das produções da Marvel: as cenas pós-créditos. Nestas cenas, somos apresentados a novos personagens e informações que dão outra perspectiva para a história, cria o questionamento do que está acontecendo, além de deixar um cliffhanger perfeito para esperarmos o próximo episódio na semana seguinte. E isso ajudou a série a se manter ainda mais relevante, além da história que está se iniciando.

Como protagonista, Mark é o personagem ainda em construção, e para seu arco, ele bife aprendendo uma lição a mais sobre ser um super-herói, ao mesmo tempo que tenta ser um adolescente comum, manter um relacionamento, ter amigos e uma vida além de salvar o mundo. Mas é sempre impedido de sua vida mundana pelo seu pai, que começamos duvidando que ele seria capaz de tais atrocidades que vemos no final do primeiro episódio, mas que ao passar dos episódios vemos que sim, ele é capaz, e quando nos é revelado a verdade sobre ele, ainda fica difícil aceitar sua posição como vilão.

A história ainda dá espaço para introduzir outros personagens e dá espaço para eles, como Atom Eve, Monster Girl, Robot, os antagonistas Gêmeos Clones, insere o conceitos de múltiplos universos, raças alienígenas, seja elas aliadas ou inimigas, e fazer tudo isso em episódios de 50 minutos em apenas 8 episódio, e ainda deixar detalhes da história da temporada é algo fenomenal.

A série por mais animada, está longe de ser para todas as idades, e isso se deve a violência gráfica que está presente em todos os episódios, a começar pela morte dos Guardiões, que surpreende a forma visceral, e com todos os episódios seguintes serem bem sangrentos, e vemos com o passar dos episódios como a abertura fica cada vez mais suja de sangue.

Invincible tem uma primeira temporada muito bem definida, ela se apresenta para o grande público, sem se vender menos do que é, cria empatia e consegue enganar nossa perspectiva, e até queremos ser enganados, uma vez que temos a versão do Superman sendo o principal vilão, mas que reforça a mensagem de ser humano e a criação de laços de amizade e relacionamento que importam, e que mesmo que deixe em aberto o arco da primeira temporada, ela é só o pontapé estruturado para expandir a história em sua jornada para se tornar… invencível!

Invincible

Invincible (1ª Temporada)
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A série segue Mark Greyson (Steven Yeun), um jovem adolescente comum, que se difere de outros por ser filho do maior super-herói da Terra, o Omni-Man (J.K. Simmons). Quando ganha seus poderes, ele precisa aprender a ser um super-herói, quando começa a descobrir que seu pai não seja tão heróico como imaginava.
Em uma temporada introdutória, série aproveita bem seu tempo em construir uma base sólida de sua história e seus personagens, já apresenta personagens com potencial para serem explorados futuramente, de forma satisfatória, sem apenas jogarem ele no episódio, construindo uma base de interesse para eles retornarem nas próximas temporadas, e ainda brinca com o sentimento dos telespectadores em quebrar a espectativas dos personagens e entregar representatividades válidas e necessárias, abordando a importância das relações humanas.
5/5
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