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Godzilla vs. Kong

Nós já provamos as consequências quando os dois maiores super-heróis se enfrentam entre si em Capitão América: Guerra Civil. Já presenciamos quando dois deuses do grande panteão da DC tentam fazer o outro sangrar, em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça. Mas ainda não tinhamos testemunhado o choque de monstro de Godzilla vs. Kong traria. Sendo construída já há algum tempo, desde Kong: Ilha da Caveira, e em Godzilla: Rei de Monstros, o embate titânico chegou ao cinema depois de sofrer com a pandemia. Mas apesar do terreno preparado, o filme acaba se prejudicando pelo trajetória até então na mitologia criada.

O longa segue alguns anos após Godzilla se mostrar para o mundo e salvá-lo da ameaça de Ghidorah e Rodan. Mas o conhecimento dos humanos dos antigos titãs cria o medo inerente que Gojira possa se voltar contra a humanidade, e para tanto, apenas Kong possa impedir. Mas quando Godzilla ataca uma instalação de segurança, é o momento de colocar em cena Kong, enquanto vários segredos são descobertos, que revelam que Godzilla não atacou de propósito.

É inegável que a grande batalha dos Titãs está sendo construída já há algum tempo, mas como já vimos de outras produções, construir um grande embate demanda tempo, desenvolvimento, detalhes que são inseridos aos poucos e que camadas são reveladas pouco a pouco. Em Godzilla vs. Kong, mesmo levando a produção apenas como um passatempo para ver monstros gigantescos se degladiando, a história se perde em seus próprios pretensões.

Em Kong: Ilha da Caveira somos introduzidos brevemente ao conceito dos Titãs, que ganha mais espaço em Godzilla, que nos apresenta o conceito dos alfas; mas a história de Godzilla tenta abraçar um mundo maior do que seus braços, e neste filme, as coisas pareciam perdidas ou convenientes. Sabendo que o habitat do Gojira é o oceano, a forma mais rápida e segura de levar o Kong era por navios até a entrada do local de origem dos Titãs? Se existia a possibilidade de levá-lo pelo ar, porque não gerenciaram um caminho por terra, ou por menos tempo sob o mar, mas mesmo assim, levando-o pelo ar?

Todo o arco de Millie Bobby Brown foi uma encheção de linguiça para descobrir o óbvio de filmes sobre embates de dois protagonistas: o verdadeiro vilão trama para que ambos lutem, e neste caso, a própria empresa que contratou os serviços do santuário do Kong, que estava tramando por trás. A revelação do Mecha-Godzilla é legal, mas o clichê se repete, e depois das duas referências que iniciei este artigo fica difícil não ver Superman e Batman descobrindo que alguém tramava para que eles brigassem.

Apesar das inconsistências narrativas, o longa acaba se destacando com os efeitos visuais. É inegável a qualidade técnica e visual que o longa se propôs a explorar ao inserir um mundo no centro repleto de criaturas gigantescas, o embate entre Godzilla e Kong, todas as vezes, e por fim os dois juntos contra o Mecha é de impressionar, mas acabamos perdendo o interesse por ser algo que já vimos, em outro formato, com um contexto mais humano.

Godzilla vs. Kong é aquilo que se propôs a ser: choque de monstro. Rajadas de energia do Gojira de um lado, soco catastróficos do Kong de outro, tem direito até a um martelo de energia, e um robô gigantesco exemplificando o medo da humanidade de não ser mais o topo da cadeia alimentar ou de domínio terrestre, que se interpreta como um versão automática do próprio Ghidorah, que lembra muito círculo de fogo. Godzilla vs. Kong é um grande episódio de WWE, onde a arena é a própria Terra, e que a história que parece ser interessante e rica, podendo explorar seres mitológicos, se atropela para simplificar algo que precisava de tempo para se desenvolver.

Godzilla vs. Kong

Godzilla vs. Kong
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Para tentar impedir que Godzilla um diz se vire contra a humanidade e tente destruí-la, a humanidade recorre ao único ser capaz de para-lo: Kong. Mas será que a Terra sobreviverá quando os dois titãs começar a brigar?
Mesmo com um impressionante trabalho de efeitos visuais, o longa acaba tropeçando na própria mitologia e na incerteza de alguns arcos e na persistente conveniência de tropos e artifícios para fazer a trama se desenvolver e se justificar em ter grandes cenas de luta de gigantes
3/5
Total Score
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