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Two Distant Strangers

Two Distant Strangers - curta indicado ao Oscar 2021

Assistindo às notícias em junho passado, o escritor Travon Free foi atormentado por um sentimento desmoralizante com o qual a maioria dos negros americanos provavelmente pode se identificar: cada vez que mais um negro morria nas mãos de um policial – de George Floyd a Breonna Taylor e Elijah McClain – ele se sentia como se estivesse “Vivendo na pior versão do ‘Dia da Marmota’”. Enfurecido com as mortes intermináveis ​​e estimulado pelos protestos que eclodiram em todo o mundo, ele começou a escrever o filme criativo e ousado de 30 minutos “Two Distant Strangers”, foi indicado para o Oscar de curta metragem em Live Action.

“Two Distant Strangers” segue um dia na vida do cartunista Carter James (Joey Badass), um jovem negro que tenta voltar para casa e ver seu cachorro na manhã seguinte ao promissor primeiro encontro. Quando um encontro totalmente benigno com um policial vai para o sul, ele se encontra de volta na cama da mulher após um tiroteio brutal. Cada manhã ele tenta escapar de seu destino de maneiras cada vez mais criativas, e cada manhã ele acorda no mesmo lugar após seu pesadelo.

O curta atinge seu potencial na medida em que a execução é tão eficaz quanto qualquer coisa pode ser. As sequências de abertura nos dão uma visão da vida confiável do ‘herói’. Posteriormente, as coisas vão de agradáveis ​​a perturbadoras em um momento, o que atesta a intensidade orgânica da narrativa.

O momento-chave, que forma a espinha dorsal de Two Distant Strangers, foi executado da forma mais realista possível e não foi feito para os medrosos.  As cenas envolvendo uma conversa entre o protagonista e seu ‘algoz’ são instigantes e casuais ao mesmo tempo. Two Distant Strangers termina com uma homenagem às vítimas da violência policial, o que o torna mais do que apenas um filme.

Free sabia que o final selaria o tom do filme e lutou para descobrir como exatamente fazê-lo. Nas tentativas cada vez mais inventivas de Carter de fugir de seu trágico destino, ele acaba caindo no método do debate. Ele tenta explicar todo o conceito do “Dia da Marmota” para seu assassino, na esperança de apelar para a humanidade do policial. A tática parece funcionar, e o policial acaba levando Carter para casa para protegê-lo de quaisquer outros perigos. Enquanto a câmera foca em seu aperto de mão amigável, o filme parece estar piscando para o público, tentando-nos a cair na armadilha.

O final é marcante e relembra que a luta continua. Mas sinceramente me peguei pensando o quão cansativo ter que se manter nessa luta dia após dia, apenas porque um dia, um homem se disse e se colocou como superior ao outro, mantendo-se o direito de massacrar todo um povo, apenas por sua cor, quando nunca lhe foi dado este direito.

5/5
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