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Snowpiercer – O Expresso do Amanhã (2ª Temporada)

A sétima arte tem uma função simples: entretenimento. Mas além de entreter seu público, o cinema e a televisão são ferramentas importantes para levar a grandes públicos temas diversos e serem um recorte da sociedade que vivemos. Elas trabalham questões pessoais, questões sociais, questões históricas e suas reparações, mas acima de tudo levantam discussões importantes, além de serem um reflexo da sociedade atual. Quando o assunto são produções de apocalipse, o foco é entender as relações humanas, principalmente quando a sobrevivência é o ponto principal. Snowpiercer foi uma obra cinematográfica importante, sob a visão do diretor vencedor do Oscar Bong Joon-Ho, que ganhou no ano passado uma adaptação seriada da TNT em parceria com a Netflix, e que chega ao final de sua segunda temporada, mostrando que pode ser melhor do que começou, e trabalhar as relações do público com o personagens.

A segunda temporada inicia no exato momento que a primeira acaba, quando a composição reserva Big Alice engata no último vagão do Snowpiercer, e descobrimos que existe um novo grupo vivendo nos trilhos liderado pelo até então mitológico, Joseph Wilford (Sean Bean). Enquanto os habitantes do Snowpiercer tentam se adaptar a nova realidade, sem classes ou divisões, enquanto Layton tenta ser o líder desta sociedade, eles se veem ameaçados pelo real Wilford, que tem grande influência no imaginário dos habitantes do Snowpiercer, e que usará de todas as artimanhas para conseguir ser o rei absoluto desta sociedade.

Deixando de lado a produção cinematográfica, a primeira temporada teve alguns problemas narrativos que pareciam fora da realidade, mesmo para um mundo pós-apocalíptico que tentava manter uma sociedade baseada em castas, que dividiam os recursos dependendo de suas castas. Desde uma antagonista que era o mistério da primeira temporada que não convencia em sua psicose – questão pessoal – ou a falta de um tratamento na construção dos personagens e que tenham motivações plausíveis; a segunda temporada de Snowpiercer mostrou que ela pode melhorar – e muito – sua narrativa e desenvolvimento, sabendo tratar todos os personagens minimamente importantes, e torná-los tão ou mais interessantes que os principais, e construir uma história cheia de camadas que engaja seus telespectadores.

O escopo da segunda temporada se torna uma pseudo-Guerra Fria, e diversas alegorias a Arte da Guerra, colocando uma nação dividida em duas partes, com apoiadores de ambos os lados de um líder por outro. É notável o quanto a história se desprende dos protagonistas, e começa a focar nos personagens coadjuvantes ainda mais. Ainda na primeira temporada tivemos momentos que o foco do episódio era um personagem secundário, mas ainda assim, a história se focava no Layton (Daveed Diggs), ou em Melanie (Jennifer Connelly); já nesta temporada os dois acabam sumindo do radar da história, e isso abre ainda mais a história para conhecermos mais dos outros personagens.

De longe, o problema dos personagens na primeira temporada é suprida com novos personagens, e também, àqueles que já conhecemos passamos a gostar deles pela forma como o roteiro os tratarem, e isso é visível na personagem da Ruth (Alison Wright), que em toda a primeira temporada era uma carrasca elitista, mas que nesta segunda temporada teve vários – e repito, VÁRIOS – momentos importantes que deram mais escopo para sua personagem, mas camadas e aprendemos a gostar dela mais e mais, até chegarmos a nos importar com ela na conclusão da série.

A história desta temporada acaba reverberando na sociedade que vivemos, quando temos dois grupos defendendo formas distintas de governo dentro da única sociedade de humanos, enquanto que a ciência acaba passando por cima como uma forma de respostas para a solução da situação atual.

Snowpiercer teve um grande aprimoramento de sua história e principalmente no tratamento dos personagens e como desenvolvê-los se tornou o principal foco desta temporada. A segunda temporada mostrou que ela não precisa necessariamente de seus protagonistas, deixando de lado muitas vezes Layton no fundo da tela, ou Melanie desaparecida mais da metade da temporada, e focou nos outros personagens para dar mais humanidade a trama. Mesmo com alguns pontos bem confusos, a segunda temporada dá um novo gás para a história que encontrou seu trilho bloqueado com alguns problemas narrativos, mas que deixa para a terceira temporada uma tarefa de continuar o ótimo trabalho com a história e os personagens.

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