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Wolfwalkers

Lobisomens são as criaturas mitológicas facilmente encontrada em diversas adaptações de várias mídias. Da literatura fantasiosa ou de terror, ao cinema, passando por TV, teatro e tantas outras vertentes. A lenda de um humano que se transforma numa forma de lobo, seja na lua cheia, ou por se sentir ameaçado já está no imaginário de todo mundo. Lógico que uma renovada sempre é bem-vinda, e a Apple trouxe esse arquétipo de criatura numa versão para todas as idades, com mensagens poderosas de preservação em Wolfwalkers, animação que concorre ao Oscar 2021 como Melhor Animação.

O longa segue Robyn (Honor Kneafsey), uma jovem britânica que mora na colônia irlandesa junto com seu pai, o caçador Bill (Sean Bean), contratado pela coroa para afastar as feras selvagens da pequena cidadela para expandir os domínios da coroa pela floresta próxima. Mas os lobos da região não são lobos normais, com moradores contando lendas sobre os Wolfwalkers, pessoas que andam com lobos, e lideram a matilha e protegem a floresta de forasteiros que querem destruí-la. Tentando ajudar seu pai, e realizando seu desejo de se aventurar, Robyn descobre Megb (Eva Whittaker), uma jovem garota Wolfwalker que espera por sua mãe, e as duas constrói uma amizade que provará ser suficiente para proteger o habitat dos lobos.

A animação pode parecer um escopo bem simplista, mas não o torna esquecível. Pelo contrário. Utilizando uma animação 2D, com poucos recursos de profundidade e 3D, a animação tem seu charme ao entregar uma aventura bem característica de animações dos anos 1990, sobre uma criança ser a portadora da mudança de uma região que vive de superstição. A animação abusa de usar formas geométricas que apenas enfatizam a simplicidade da narrativa e entrega uma história sobre amizade, lealdade e sim, preservação da vida selvagem.

Uma coisa que casa demais – e temos a referência da Disney – é que animação e músicas originais são a combinação perfeita, ainda mais se as músicas originais fazem parte da narrativa da animação, e em Wolfwalkers isso está tão presente que a trilha sonora e as músicas originais ressaltam ainda mais a beleza da produção, a força da mensagem que ela emana, e na construção da amizade de Robyn e Megb.

A animação ainda coloca narrativas coadjuvantes muito importantes, para compor os personagens, e para dar mais substância a trama, como a tomada da Irlanda pela Inglaterra, com menções aos rebeldes do sul, nos situando que a história se passa no norte da ilha; a situação dos próprios ingleses sob o comando do lord general, e como este personagem acaba ressaltando o personagem colonizador, com grandes influências visuais do Governador Ratcliffe de Pocahontas.

Wolfwalkers brilha aos olhos como uma animação inocente, mas ao mesmo tempo carregada de mensagens poderosas sobre lealdade, lutar pelo certo, preservação da vida selvagem, e de forma coadjuvante mencionar a relação colonizado versus colonizador. A produção mostra, mais uma vez, que não é apenas de Disney que o gênero de animação se mantem, que novas produções, com outros olhares, também podem trazer a beleza do lúdico e do imaginário infantil, e levar uma história com importância e relevância para adultos, e ser um espetáculo para a criança interior.

Wolfwalkers

Wolfwalkers (Apple TV+)
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Numa aldeia da Irlanda, uma jovem inglesa acaba descobrindo uma garota que mora na floresta próxima, que pode se transformar numa loba, uma Wlolfwalker. Agora juntas, elas vão buscar a mãe da jovem wolfwalker, para conseguir levar a alcateia para um lugar mais seguro, e se salvar das investidas do império inglês na irlanda.
Uma história inspiradora e com seu charme, que utiliza técnicas 2D, com aspectos de uma beleza rústica e que combina uma mensagem poderosa sobre lealdade e preservação.
5/5
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