Vivemos nossa vida de uma forma única. Cada ser humano age de uma única forma e muitos acreditam que quando morrermos, nossas ações na terra determinarão se passaremos o resto de nossas almas imortais no paraíso ou no inferno. Mas como deve ser o outro lado da vida? A serie da NBC que estreou na temporada passada (2016-2017), e já estreou sua segunda temporada na semana passada, The Good Place pensou e nos mostra como é o vida pós-morte. Mas sem as alegorias espirituais e teológicas, a comédia consegue traduzir como poderia ser a vida postmortem de uma forma leve, engraçada, com várias referências e críticas a sociedade.

Foto: divulgação

A narrativa segue pela visão de Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), que acorda numa sala, sentada num sofá, contemplando uma parede com os seguintes dizeres: Welcome! Everything is fine. (Bem-vindo! Tudo está bem.) Sem se lembrar de nada, ela é levada até a sala de Michael (Ted Danson) onde ele explica que ela está morta, e que ela está no Lugar Bom (The Good Place), já que suas ações na Terra foram tão exemplares e de uma índole inabalável que ela conseguiu sua estadia no paraíso. Levada até sua nova residência nesta comunidade de benfeitores, ela é apresentada para sua casa um tanto quanto modesta, com uma coleção de pinturas de palhaços, e assiste em sua nova TV os feitos humanitários que ela fez enquanto humana. Então ela é apresentada para a sua alma gêmea, Chidi (William Jackson Harper), já que no paraíso as almas gêmeas se reencontram e podem viver felizes para a eternidade. Mas quando deixados a sós, ela revela para sua alma gêmea o que vem relembrando desde seu despertar na sala de espera: ela não é uma pessoa humanitária e altruísta como as memórias mostram ou como foi lhe dito. Daí começa todo o desenrolar para esconder a verdade de todos naquela comunidade que Eleanor não pertence ao Good Place, ao mesmo tem vários cataclismos a esta comunidade utópica começam a desequilibrar.

Mas ao longo de segredos e mentiras, Eleanor acaba estreitando uma amizade com seus vizinhos, Tahani (Jameela Jamil) e sua alma gêmea um monge budista Jianyu. E desta relação, muitos acontecimentos começam a se desenrolar complicando ainda mais a vida de Eleanor em tentar se manter fora do radar de Michael e tentar descobrir um jeito de conseguir se manter no Good Place.

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Mas no decorrer de planos mirabolantes, aulas de ética e moral, compreensão de como essa comunidade funciona e tentar levar a “vida” de forma plana, nos deparamos com contrapontos dos quatro personagens principais, Eleanor, Chidi, Tahani e Jianyu, que os humanizam e acaba se tornando uma ferramenta para compreendermos porquê cada um deles fez em sua vida para os colocar nesta comunidade planejada pela entidade que é o Michael. Por mais distantes que a personalidade dos quatro sejam entre si, eles acabam se tornando mais companheiros uns com os outros, e suas relações acabam movendo todos os acontecimentos e erros neste paraíso. E ao longo da série começamos a descobrir que estes quatro não eram tão bons assim quando vivos, e mesmo aqueles que você não dúvida, em todos seus flashbacks, a informação que eles não foram tão bons em vida acaba se revelando subliminarmente, que revendo a série você acaba percebendo a genialidade da sutileza das ações e suas motivações.

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Eleanor que sempre se cuidou sozinho por ter pais negligentes, acabou desenvolvendo uma personalidade egoísta e mesquinha, que burla as regras morais da sociedade, mas que durante seu tempo com Chidi, acaba se tornando alguém mais altruísta, mas sem.esauecer de sua personalidade descompromissada com a ética. Chidi sempre foi um nerd indeciso que acabava atrasando todos a sua volta devido sua insegurança e sua dedicação a ética e moral, em cada ação que ele fazia, o que o levava a deixar a vida de pessoas que amava mais miseráveis.

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Tahani era a filha mais nova de um casal da alta sociedade de origem indiana, e desde pequena seus pais faziam pouco caso de seus feitos, dos mais pequenos, enquanto exaltavam os feitos de sua irmã mais velha, Kamilah (Rebecca Hazlewood), e isso a levou a sempre fazer ações humanitárias e de importância social para todo o mundo, mas com um desejo egoísta de se provar melhor para seus pais e melhor que sua irmã multitalentosa. Já Jianyu na verdade é Jason Mendoza (Manny Jacinto), e não é um monge budista que fez voto de silêncio, mas um traficante de drogas e aspirante a DJ da Flórida.

As verdades de cada, mesmo as explícitas e as subliminares, acabam sendo trabalhadas de forma impecável, que você não desconfia até chegar na grande revelação do que seria o antagonista da série.

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Michael, que é o arquiteto deste paraíso, apenas é identificado como um ser superior, que passou milhares de anos como estagiário até conseguir o projeto desta comunidade, e sua personalidade de um ser obcecado peles humanos e suas peculiaridades acaba mascarando de forma cômica ingênua ao longo dos episódios até sua virada no último episódio da primeira temporada, quando somos surpreendidos pela revelação. Ele está sempre acompanhada da Janet (D’Arcy Carden), uma inteligência artificial em forma de humana que contém todas as informações do universo e serve como secretária/enciclopédia, e que tem as melhores piadas de situação, por ser algo artificial e sem sentimentos verdadeiros, que possui uma contra parte, a Janet Má (D’Arcy Carden), uma rockeira mal-educada que vive pendurada no celular.

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The Good Place encerra sua primeira temporada com um reboot. Calma, não trocaram os personagens, os atores, nem mudaram os cenários. Mas toda a história recomeçou do ponto de início da primeira, mas por um motivo plausível e compreensível. E a segunda temporada (disponível na Netflix) já começa deste ponto, e o que achava que seria mais um cópia e cola da primeira temporada, agora sabendo das intenções de Michael e sabendo da real verdade do Good Place, Eleanor, Chidi, Tahani e Jianyu recomeçam sua estadia neste “paraíso” de uma forma totalmente diferente, sem as memórias da sua estadia anterior, mas conseguem de forma inteligente não ficar repetido nas mesma piadas de situação, agora com mais personagens a se explorar, e com maior conhecimento do que está acontecendo, além de que de alguma forma, os quatro protagonistas ainda guardam uma memória residual dos acontecimentos de sua primeira estadia no Good Place. Vale ressaltar que agora, a frase de boas-vindas, carrega um tom sarcásticos: Welcome! Everything is Great. (Bem-vindo! Tudo está bem).

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De uma forma inteligente, The Good Place consegue trazer várias alegorias de forma mais suave e cômicas, com piadas e críticas a sociedade, com ótimas tiradas a realidade, com mensagens subliminares a moral humana, e como mesmo com consequências severas conseguimos superar nossas limitações e evoluirmos como humanos. Ela consegue surpreender em sua narrativa leve e com trocadilhos bem colocados, com várias lições de moral em alegorias ao longo de sua primeira temporada, e segundo ano promete ter uma narrativa ainda mais dinâmica com os segredos revelados, e a verdade tão aberta.

4.7
Crítica/Primeiras Impressões | The Good Place – Uma comédia benevolente e altruísta
Palavra Final
Ótimos personagens caricatos, com excelentes piadas de situação, trocadilhos e uma interpretação de paraíso postmortem, elevam a natureza humana e como continuamos evoluindo mesmo mortos.
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