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Liga da Justiça de Zach Snyder

O ano foi 2017, o auge dos filmes de super-heróis. Mulher-Maravilha, primeiro filme do gênero protagonizado por uma personagem feminina tinha sido lançado em junho; Logan foi a despedida de Hugh Jackman na pela do mutante Wolverine, presente em todos os filmes dos X-Men da antiga Fox; Ainda tínhamos o primeiro filme da Sony em parceria com a Marvel Studios e que compunha o maior universo compartilhado de filmes, Homem-Aranha De Volta ao Lar. Mas o final do ano ainda guardava a chegada de uma resposta bem direta para a Marvel, após terem conseguido trazer dois filmes de Vingadores e acabado de uma prévia de Guerra Infinita com 12 heróis em tela, em Guerra Civil. A DC lançava em novembro de 2017 o tão aguardado – pelos dcnautas, a simpatizantes – A Liga da Justiça, o grupo dos super-heróis tidos como deuses da DC, sob o olhar de Zach Snyder. Mas o resultado final não bem o que os fãs queriam: Zach se afastou da produção por questões familiares e Joss Whedon, diretor de Era de Ultron, assumiu regravando algumas cenas e remontando de forma diferente da visão de Snyder. Após anos de fãs pedindo o corte de Snyder, a Warner lançou, com exclusividade para a HBO-Max, e para compra digital em território nacional, Liga da Justiça de Zach Snyder, que emerge como uma carta de amor aos fãs que pediram com tanto fervor, para testemunhar a visão do diretor ao grupo mais emblemático dos super-heróis.

Após Superman (Henry Cavill) se sacrificar para derrotar Apocalypse, o mundo fica de luto, enquanto Bruce Wayne (Ben Affleck), o Batman, busca por outros seres superpoderosos para formar uma equipe e proteger a Terra de futuras ameaças, em promessa ao túmulo de Clark. Ele conta com a ajuda de Diana Prince (Gal Gadot), a Mulher-Maravilha, mas sem qualquer sucesso em recrutar outros metahumanos. Mas tudo muda, quando as Caixas Maternas, artefatos de enorme poder de criação e destruição despertam e um arauto de um conquistador intergaláctico chega a Terra, e tenta recuperar as Caixas, deixando um rastro de destruição e morte. Cabe aos heróis se unirem e combater o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), agora que a Terra não possui seu maior defensor.

Para já deixar claro, aquele que vos escreve não é um grande fã da DC. Nem um pouco fã. Sou marvete, e admito. Mas fora toda a preferência pela Casa das Ideias, é inegável o problema do filme de 2017, e também sua pressa em já ser lançada, sem apresentar os outros personagens – pensamento bem marvete do MCU. Apenas tínhamos conhecimento do Superman, do Batman bem superficialmente, e tínhamos acabado de conhecer a Mulher-Maravilha. Tudo bem que a Trindade estava razoavelmente apresentada, mas os outros nem arranharam a superfície, partindo do que sabíamos das animações dos anos 2000, e principalmente dos quadrinhos. Mas o Corte do Snyder se mostra a melhor versão daquele filme de 2017.

Primeiro, que a história tem tempo de se desenvolver. Com um pouco mais de quatro horas – para ser exato, 4 horas e 2 minutos, contando com créditos – a história é dividida em partes, seja pra facilitar a história de ser entregue, ou para organizar a história, isso acaba entregando um sentimento capitular bem característico das histórias em quadrinhos, que é um ótimo artifício para algo que veio das páginas coloridas e diagramadas. Além disso, o longa aproveita a duração para apresentar, mesmo que pouco, os outros personagens, e desenvolver os que já conhecíamos.

As grandes mudanças ficam em evidência, e dão um novo tom a cena que já tínhamos visto, enquanto outras cenas adicionais complementam a narrativa, além de entregar forshadowing de produções que vieram depois, seja por já terem sido gravadas antes de 2017 ou agora, essas mudanças complementam a história do universo como um todo, entregando uma unidade que convergem as historias separadas.

Um detalhe muito positivo, que tive dificuldade de aceitar, foi a proporção de resolução da imagem. Diferente do que os filmes são exibidos hoje em dia, seja nas telas de cinemas, seja nos televisores, a proporção Widescreen não é usada aqui. O longa é fechado na antiga proporção de 4×3, a famosa janela clássica. No começo ela pode ser estranha, já que estamos acostumados com telas mais largas, com dimensões de 16×9 ou 20×9, mas a escolha de reduzir a largura entrega algo que foi bem aproveitada pessoalmente que é focar na história. Podemos acabar se perdendo nos detalhes dos cantos laterais, e essa dimensão força a focar nossa atenção ao centro da tela, onde a ação realmente acontece, e isso resulta em não nos perdemos ao longo das 4 horas de filme.

Mas lógico, nem tudo são flores. Particularmente, não sou um fã de slow motion, e Zach Snyder é conhecido por usar e abusar do recurso de dramatização de cena. Se todas as cenas em slow motion tivesse em reprodução normal, a duração cairia para umas 3 horas de boa, ou menos; mas brincadeiras às parte, essas cenas acabam dando a impressão de peso desnecessário em alguns momentos, trazendo uma sensação de incômodo pela limitação de movimento, principalmente na cenas em Themyscira; enquanto que em outras se torna tão cansativo a quantidade de cenas slow motion, que passa a ideia de ser proposital para alongar mais a história. Lógico que as cenas envolvendo o Flash (Ezra Miller) são plausíveis, mas fora isso, alguns momentos ficam saturadas.

Outro momento de saturamento está na trilha sonoro, seja pelo excesso de músicas para cobrir um filme de 4 horas, mas o que mais pegou foi a utilização da mesma trilha introdutória da Mulher-Maravilha antes da real música tema da heroína. Ela até que combina, na primeira vez que surge, dando um ar bem grego a personagem, e quando transiciona para o tema da Mulher-Maravilha, se encaixa perfeitamente… mas ele acaba se repetindo toda vez que ela surge como a heroína, em vários momentos, e pode parecer mimimi de marvete, mas o próprio tema dela já é memorável o bastante, e suficiente o bastante que essa adição acaba descaracterizando um tema icônico.

Um último ponto, que parece ter destoado ao acompanhar a história, foi a própria montagem das cenas. Existem cenas avulsas em determinados pontos que poderiam ter vindo um pouco antes, já que elas não influenciam o desenvolvimento, mas que um posicionamento diferente teria dado uma impressão mais incisiva, trazido uma emoção a mais, como se já não houve esses momentos.

É louvável que com essa versão – que é definitiva – tivemos mais cenas do Cyborgue (Ray Fisher), e que ajuda a complementar as camadas do personagem que é quase esquecível na versão de 2017, mas que ganha um momento só dele para conhecermos ele, suas habilidades, e até nos emocionarmos com sua relação paterna. Além dele, Aquaman também ganha algumas cenas, que dão pistas do que vimos em seu filme solo, mas que a caracterização dos Atlantes estão melhores aqui do que em Aquaman (2018), seja pela falta de saturação das cores e o ar mais sombrio aquático dos personagens.

Liga da Justiça de Zach Snyder deveria ser o filme a ser lançado em 2017, mesmo que o desenvolvimento dele seja mais capitular e arrastado, mas ele em si é coeso e não tenta ser uma cópia de outros filmes, ele tem sua própria assinatura, que faz jus aos personagens da DC, e deixa inúmeras pontas soltas que com certeza fará os fãs da DC, e principalmente de Zach Snyder, clamarem por uma sequência. Ele é divertido quando precisa ser, é sério na maior parte do tempo e muito sombrio – sinônimos que já estamos acostumados -, mas é fiel a energia e identidade que fãs defendem e referenciam das HQs.

Liga da Justiça de Zach Snyder

Liga da Justiça de Zach Snyder
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Zach Snyder apresenta sua visão de como A Liga da Justiça (2017) deveria ser, quando os maiores heróis da Terra se unem para impedir um arauto de um conquistador galáctico de reaver as Caixas Maternas e usá-las para destruir a vida na Terra.
Com tempo de sobra, Liga da Justiça de Zach Snyder traz a melhor versão da história que assistimos em 2017, e que ainda amarga na boca dos fãs da DC. Usando e abusando de artifícios cinematográficos que são sua marca registrada, a versão é melhor trabalha e tem um desenvolvimento mais agradável, e deixa a história com sua própria personalidade sem tentar ser uma cópia de outras produção.
4/5
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