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Invincible – Primeiras Impressões

Voltamos para falar de mais uma produção de super-heróis. Sim! O gênero que pipocava dois ou três filmes por ano, e que desde que o Universo Cinematográfico da Marvel estamos sendo alvejados com no mínimo umas 10 produções anuais – quando não mais. Mas parece que com a evolução das narrativas dos últimos anos, as histórias em quadrinhos estão ganhando mais espaço nas séries de TV, já que podemos ver maior desenvolvimento de personagens lá. E ultimamente, devido a saturação do gênero, as produções estão ganhando novas camadas de produção, e vimos isso com The Umbrella Academy, falando de superação de uma família traumatizada e disfuncional; The Boys, uma paródia politica e social sobre a cultura de privilégios de um grupo; e até WandaVision, discutindo sobre depressão e luto. Nesta pegada, Invincible chega a Prime Vídeo como um novo reinicio para as séries de super-heróis, fugindo do live-action, e se focando em trazer uma animação, e que pode parecer com algumas histórias que já acompanhamos no passado, mas guarda um potencial para vermos mais desta história.

Baseado nas HQs de Robert Kirkman, mesmo criador das HQs de The Walking Dead, Invincible segue Mark Grayson (voz de Steve Yeun), um adolescente como qualquer outro, mas que se diferencia por ser filho do super-herói mais poderoso da Terra, Omni-Man (voz de J. K. Simmons). Pressionado pelo seu pai que aguardo o despertar de seus poderes, Mark sente o peso de ser uma figura tão poderosa quanto seu pai, e quando seus poderes despertam ele trilha uma jornada para controlar seus poderes enquanto precisa equilibrar sua vida de adolescente com sua vida de super-herói e o peso de continuar o legado de seu pai. Enquanto tudo isso, vamos descobrindo com os protagonistas que os heróis não são tão heroicos como imaginávamos.

O Prime Video nos convidou para assistir aos três primeiros episódios de Invincible, e traremos aqui uma analise sem spoilers dos episódios, e o que esperar da série animada que chega em 26 de março no catálogo, com episódios semanais todas as sextas-feiras.

Os três primeiros episódios introduzem o mundo de Invincible, desde seu aspecto adolescente com os tópicos dramas adolescentes, com um sentimento de urgência e perigo iminente a cada novo perigo que surge. Logo no primeiro episódios temos um contexto de como este mundo funciona, e como é tratado a questão dos heróis dentro desta sociedade. Mesmo não dando explicações mais detalhadas, o básico é mais do que suficiente para embarcarmos na história, já que ele se utiliza do conhecimento prévio que temos de tantos anos acompanhando os universos dos super-heróis e suas explicações, que já deduzimos com o suficiente que nos é mostrado, e qualquer explicação adicional apenas diferencial tal personagem para compreendermos suas origens.

A progressão de crescimento da narrativa é perceptível ao longos dos três primeiros episódios, e ele não revela nada da principal história que a primeira temporada vai desenvolver, mas deixa pequenas cenas pós-crédito que são ótimos pontos de virada para a trama que já estávamos acompanhando, e vão deixando pistas do que pode estar acontecendo. O primeiro episódio, por exemplo, acaba lembrando muito as séries de heróis que não são pretenciosa, nos entregando mais uma história de um adolescente descobrindo seus poderes e tomando atitudes imaturas, mas que na cena pós-crédito isso vira de ponta cabeça, surpreendendo pela quebra de expectativa. E isso acaba se repetindo em todos os episódios até onde assistimos.

O estilo de animação lembra muito o estilo de animação dos filmes animados da DC, com traços puxado para o realismo e minimalistas, sem grandes detalhamentos. Na questão violência gráfica – que já sabíamos que existiria na história – a série entrega uma violência plausível, diferente da exagerada de The Boys, e que existe um motivo para vermos tanto sangue, não sendo gráfico ou caricato, beirando a crítica social do extremismo. O que é um ponto positivo para desvincular com comparativo com a série The Boys.

Outro comparativo que é visualmente perceptível é sua alusão a Liga da Justiça: o principal grupo de heróis possui personagens que referenciam ao panteão máximo da DC, com um velocista vermelho, um guardião noturno recluso que se veste de preto e usa capa, uma heroína com trajes de guerreira grega, até alienígena que assume qualquer forma. Mas a série brinca com o fato de ser uma paródia séria a esses heróis logo no primeiro episódio.

As cenas de ação são excelentes, muito bem desenhadas e animadas. Assim como a apresentação e desenvolvimento dos personagens, que mesmo com três episódios já conhecemos bem os principais, a narrativa cria o interesse nos coadjuvantes e aqueles que aparecem pontualmente no episódio e logo some são os que mais chamam a atenção e prestamos atenção. A série ainda deixa no ar a dúvida do que está acontecendo, e cria a pergunta: será que ele realmente fez isso por que quis ou tem algo ou alguém manipulando por traz? E não responde de imediato, e deixa a dúvida corroer o telespectador.

Invincible tem um começo que pode parecer se arrastar e se perder nos dramas adolescentes, mas que é uma forma de aliviar certa tensão e o teor pesado da história que não tem medo de estraçalhar personagens, e que ainda nos primeiros episódios pouco sabemos sobre a trama principal, mas que o mistério é criado, e que mesmo já termos visto outras histórias parecidas, a série pode se destacar pelo ótimo trabalho de animação e dublagem dos personagens que entrega novas e interessantes camadas aos personagens desenhados, que contribuem para a série.

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