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O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas

Quando somos adolescentes, desejamos muitas vezes que o mundo poderia simplesmente parar. Parar para pensar sobre o futuro, parar para poder respirar com as dificuldades da vida, parar apenas por um dia, um único onde poderiamos apreciar os pequenos momentos. O Mapa das Coisas Perfeitas, é um looping infinito que metafora exatamente sobre isso.

Mark (Kyle Allen) é um garoto de 17 anos preso em um loop temporal. Seu dia começava imediatamente após a saída da mãe da empresa, terminava à meia-noite e recomeçava na cama. Mark começa seu arco tão consciente da “anomalia temporal” que não só já memorizou os eventos do dia, mas navega por eles com o charme e confiança do jovem bonitão solitário. 

Ele pega no ar a xícara que a irmã acabou de derrubar antes mesmo de se quebrar no chão, responde antecipadamente às perguntas do pai, conhece todos os vizinhos – e interage com eles exatamente de acordo com o esperado – com os quais vai cruzando no caminho até à escola, adivinha com precisão quais sinaleiras deve parar e quais estarão abertas permitindo o livre trânsito de sua bicicleta, ajuda a garota em busca de direção sem nem ao menos ter que falar com ela antes, abaixa – com discrição – a saia levantada da moça desatenta e rouba um trator para ir até a lanchonete justamente na hora que ninguém está olhando. Então em um dia ele conhece Margaret (Kathryn Newton), uma garota que também vivencia a mesma “anomalia temporal”, para a surpresa de Mark quando a encontra. 

Margaret também está perdida, assim como Mark, ela não consegue resolver pequenos problemas, como encontrar um cachorro perdido ou aprender a dirigir. Os adolescentes que estão prestes a se tornarem adultos questionam suas próprias habilidades sem qualquer chance de prever como será o amanhã, porque um amanhã nunca acontecerá. É uma metáfora que representa muitos adolescentes que passaram pelo mesmo problema: o tédio de um dia após o outro em que nada acontece e ninguém os entende.

A fórmula da comédia romântica em que “garoto encontra e perde garota” está melhor concentrada no segundo ato, mas o que envolve o drama do filme são questões mais existenciais que amorosas. Mark se esforça para se conectar com alguém, mas permanece emocionalmente afastado da família e dos diversos personagens que habitam seu mundo como “sonâmbulos” ou “zumbis” na sua perspectiva. Apesar de conseguir observar tudo que há de perfeito na cidade, ele ainda não entende como se encaixar, da mesma forma que não consegue resolver seu cubo mágico.

O cinéfilo mais antenado irá remeter diretamente aos dramas – e comédias – vividas por Bill Murray no excepcional Feitiço do Tempo (1993) ou por Tom Cruise no divertido No Limite do Amanhã (2014), é importante que fique claro que o diretor Ian Samuels (Sierra Burgess é uma Loser, 2018) está ciente disso: tanto é que chega a citar não um, mas os dois filmes, literalmente. Ou seja, O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas compreende que faz parte de uma linhagem mais longa, e por isso trata de ser respeitoso com os parâmetros estabelecidos: tudo que os dois fazem é desfeito a cada amanhecer, e apenas eles mantêm o conhecimento adquirido a cada nova experiência.

A proposta do filme se enquadra no gênero híbrido de romances sobre viagens no tempo. No entanto, ao trazer uma camada de drama de maturidade e outra de diálogos introspectivos perfeitamente entregues pelo casal de estrelas, O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas ganha destaque e se diferencia dos demais do gênero.

Embora vivida por jovens adultos – Kyle tem 26 e Kathryn tem 23 – os dois são muito convincentes como adolescentes e também pela quimica tranmitida em tela. Ele é fofo, sensível e quase ingênuo. Ela é determinada, cautelosa e sucumbida ao seu destino. Aos poucos, eles começaram a entender que juntos, a situação pode ser diferente.

Por fim, O Mapa das Pequenas Coisa Perfeitas mostra que não dá pra interromper um ciclo apenas assistindo o que acontece à sua volta por mais bonito (a) que seja. Mas se importando de verdade com os outros.

O Mapa das Coisas Perfeitas

O Mapa das Coisas Perfeitas
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Dois adolescentes ficam presos no tempo, revivendo continuamente o mesmo dia. Enquanto ele quer se livrar desse ciclo, ela quer ficar e aproveitar as oportunidades. Contudo, apenas juntos eles poderão entender os pequenos e preciosos momentos da vida, encontrando um significado nessa vivência e assim se libertarem.
Dois adolescentes ficam presos no tempo, revivendo continuamente o mesmo dia. Enquanto ele quer se livrar desse ciclo, ela quer ficar e aproveitar as oportunidades. Contudo, apenas juntos eles poderão entender os pequenos e preciosos momentos da vida, encontrando um significado nessa vivência e assim se libertarem.
4/5
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