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Cidade Invisível (1ª Temporada)

Curupira. Cuca. Saci. Iara. Quando que imaginávamos que nossas lendas e folclore ganhariam mais uma adaptação, desta vez com foco para ser conhecida pelo mundo? Estamos tão acostumados a lendas e criaturas de outros países, e ridicularizar, ou menosprezar a nossa própria, que acabamos esquecendo o potencial delas serem tão interessantes quanto qualquer outro criptídeo. Esse potencial foi ouvido pela Netflix, e Cidade Invisível, série da plataforma produzida pelo diretor indicado ao Oscar Carlos Saldanha, e história desenvolvida pelo casal Carolina Munhoz e Raphael Draccon, chegou para mostrar não apenas para o mundo, mas para nós mesmo, nossa cultura sob um olhar mais cinematográfico a riqueza de nossas lendas e cultura.

Após perder sua mulher num incêndio em uma reserva florestal no Rio de Janeiro, Eric (Marco Pigossi) tenta seguir sua vida como pai viúvo, quando retorna ao seu trabalho como policial ambiental. Ao encontrar um boto cor-de-rosa (animal tipicamente do Amazonas e de água doce) na praia do Rio de Janeiro, ele começa a investigar esse caso, quando percebe que existe conexões entre ele e a morte de sua esposa. Quanto mais fundo ele vai na sua investigação, mais um mundo onde ele só ouviu em lendas e contos folclóricos se torna real aos seus olhos.

Um problema da cultura do brasileiro ao ver alguma história criada em solo nacional é menosprezar, ou não acreditar no potencial dela; ainda mais se ela for uma produção de fantasia, a qual imaginamos que a representação da fantasia fica tão caricata que ela faz a curva e se torna motivo de chacota pela qualidade técnica da própria produção. Cidade Invisível pode ter sido a primeira produção nacional que manteve um crescimento narrativo e técnico que é inspirador e respeita a base folclórica além de modernizar e construir camadas que deixam as nossas Entidades ainda mais interessantes.

Cada um dos personagens folclóricos, como menciono anteriormente, ganham uma história de origem, antes da abertura de cada episódio, que desmistifica a grandiosidade da entidade, e a traz mais para o âmbito terreno, mostrando que antes delas serem nossas lendas, elas eram humanos que tiveram suas vidas atravessadas por uma tragédia que foram “salvas” pela natureza que os cerca. E esse elemento é quase rum personagem secundário com grande importância. A história carrega nas entrelinhas, a luta pela preservação ambiental, vide como as criaturas acabaram se adaptando a modernização das cidades, e a redução das florestas e da natureza.

A série mantém um ritmo constante, que você acaba não percebendo que a média de duração dos episódios não passa de 35 minutos, com raros episódios com mais de 40 minutos. Mas o próprio roteiro tenta trabalhar equilibradamente os personagens – que são muitos – as lendas que precisam ser parte das características das entidades e das camadas e profundidades subliminares, do mistério do antagonista, e de arcos secundários que insere detalhes a história principal. Fazer essa quantidade desenvolvimento, em uma séries de apenas 7 episódios, com um tempo reduzido, deixou algumas “sequelas”, que são a falta de profundidade de alguns personagens periféricos aos personagens principais. Mas isso não diminui a série como um todo, apenas deixa no ar que eles podem explorar mais, e preencher estás lacunas em temporadas futuras.

Como menciono no artigo de Primeiras Impressões, um dos grandes destaques é Alessandra Negrini, que interpreta Inés, líder do pequeno grupo das Entidades que ao mesmo tempo que é calma e paciente, pode mostrar ser perigosa e temível. Sua personagem acaba perdendo um pouco o espaço mais para a segunda metade da temporada, mas isso é bem substituído pelo destaque de Iberê (Fábio Lago) e sua lenda, que ganha espaço mais para o final da temporada.

Cidade Invisível pode não ser perfeita, mas ela carrega um pouco do Brasil, e leva algo que o mundo ainda não conhece de nossa cultura: nossas lendas e nossas críticas mitológicas. Ele se junta a sucessos como 3%, Samantha!, O Mecanismo e outras, que mostram um pedaço do Brasil, da forma que contamos histórias, da criatividade de nossos autores, e na riqueza que temos a oferecer a sétima arte e ao mundo da fantasia.

Cidade Invisível

Cidade Invisível
4 5 0 1
Após perder a esposa num incêndio numa floresta, o policial ambiental Eric (Marco Pigossi) encontra um boto cor-de-rosa na praia carioca. Quanto mais investiga o caso, mas ele percebe que a morte de sua esposa e a morte do boto tem uma conexão, e ele descobre que as lendas que ouvíamos quando crianças, são reais.
Respeitando a origem das lendas folclórica e modernizando as entidades, Cidade Invisível explora com muita riqueza e detalhes, o folclore brasileiro, e prepara o terreno com personagens conhecidos para explorarmos num futuro novas histórias e crescer para o mundo ver.
4/5
Total Score

Só coisa boa

  • Adaptação e modernização nas Entidades folclóricas
  • CGI muito bom
  • Atuações muito boas, com destaque para Alessandra Negrini
  • Histórias com camadas e profundidades que enriquecen a série
  • Mistério sendo desenvolvido pouco a pouco, sem se arrastar nos episódios
  • Detalhes que atiçam a curiosidade do telespectadores para descobrir qual lenda o personagem representa

Cuidado com a Cuca

  • Muitos personagens que não sobra tempo para explorar mais os personagens mais interessantes
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