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A Voz do Silêncio

A Voz do Silêncio é uma adaptação do mangá de mesmo nome de Yoshitoki Oima, uma animação produzida pelo Kyoto Animation Studio em 2016. Conta uma história de bullying, mas o que parece um melodrama sobre os danos psicológicos que as vítimas deste ataque podem sofrer, acaba por se revelar um belo trabalho de comunicação, interioridade, perdão e depressão.

Disponível na Netflix o longa começa com Shoko (Saori Hayami) chegando na sala de aula da nova escola para a qual se mudou. Quando ela se apresentou, ela diz ser surda e pediu aos colegas que usassem um caderno para se comunicarem com ela e compartilhou que ela estava feliz e animada com oportunidades e amizades em potencial. Um dos meninos na sala é Ishida (Miyu Irino). Ele vê nela um alvo fácil para suas brincadeiras de mal gosto e começa a zombar da condição da garota, do jeito que ela fala, e até tira seus preciosos e caros, dispositivos de assistência para audição.

Aqui já cabe elogios a um dos grandes acertos do filme. A maneira como ilustra que algo que começa como uma simples “brincadeira” pode atingir níveis mais sérios muito rapidamente é desconcertantemente real, principalmente ao ilustrar a crueldade com que adolescentes podem tratar seus colegas, muito disso por causa de pressões sociais para se enturmarem. Qualquer um que já esteve numa situação similar consegue se identificar.

Imediatamente após este ponto de partida, vemos o protagonista, alguns anos mais velho, pensando em suicídio, o que pode ser uma surpresa quando o público lê a breve introdução do filme. O foco do filme é o agressor, não a vítima. Por não tratá-lo como um vilão unidimensional do mal, mas como uma pessoa cheia de camadas e falhas, ele rapidamente estabeleceu uma conexão com a pessoa que estava profundamente ferida pelo mal que ele causou.

Logo, o filme pega a plateia pela sua própria hipocrisia. É bem provável que o sentimento inicial de que ele merece sofrer pelo que fez venha, mas ao ver Ishida sofrer o bullying que tanto praticou e sentir satisfação por isso, será que também o espectador não agiria de maneira igualmente desumana? Com a montagem alternando entre pontos na linha do tempo, vemos o protagonista isolado e em depressão, incapaz de formar conexões com outros humanos, consumido pela vergonha, culpa e medo de sofrer mais. É uma obra que leva a autoanálise.

Em uma época em que você ainda ouve que não havia bullying no passado e que a depressão pode ser curada na base da porrada, é realmente gratificante saber que algumas pessoas e artistas são sensíveis o suficiente para falar sobre os profundos efeitos psicológicos que os dois podem ter. A “Voz do Silêncio” abraça às vítimas de bullying e valida seus sofrimentos, dizendo que não existe frescura na dor de ter passado por essas agressões e injustiças. Ao mesmo tempo, discute os poderes curativos do perdão e da amizade verdadeira e amorosa.

A Voz do Silêncio (Koe no Katashi)

A Voz do Silêncio (Koe no Katashi)
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Nishimiya Shouko é uma estudante com deficiência auditiva. Durante o ensino fundamental, após se transferir para uma nova escola, Shouko passa a ser alvo de bullying e em pouco tempo precisa se transferir. O que ela não esperava é que alguns anos depois, Ishida Shouya, um dos valentões que tanto a fez sofrer no passado surgisse de novo em sua vida com um novo propósito.
Nishimiya Shouko é uma estudante com deficiência auditiva. Durante o ensino fundamental, após se transferir para uma nova escola, Shouko passa a ser alvo de bullying e em pouco tempo precisa se transferir. O que ela não esperava é que alguns anos depois, Ishida Shouya, um dos valentões que tanto a fez sofrer no passado surgisse de novo em sua vida com um novo propósito.
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