close button

publicidade

Primeiras Impressões | Cidade Invisível

Já contamos com inúmeras criaturas mitológicas representadas no cinema e na televisão: lobisomens, bruxas, sereias, wendigos, ietis, vampiros e tantos outras criaturas míticas que foram inseridas pela sétima arte, e vivem no imaginário de um bom fã de fantasia. Mas um das poucas mitologias que podemos ver ganhando o mundo é a nossa própria. Carlos Saldanha, diretor conhecido pelo indicado ao Oscar Rio, e a franquia A Era do Gelo, honra, mais uma vez, o sangue verde e amarelo com Cidade Invisível, primeira série de sua carreira que mistura mitologia brasileira, o velho e bom folclore brasileiro, com uma história de investigação policial com um peso sócio-ambiental. A convite da Netflix, conferimos os quatro primeiros episódios, e não temos do que reclamar que estamos bem representados para apresentar nossa cultura folclórica para o mundo.

A história segue Eric (Marco Pigossi), um policial ambiental que acaba perdendo sua esposa numa acidente misterioso. Tentando seguir com sua vida, agora pai viúvo, ele acaba encontrando numa praia carioca um boto cor-de-rosa morto. Investigando mais sobre esse crime, Eric começa a desconfiar que existe uma ligação entre a morte de sua esposa com a morte do boto; mas o que ele não esperava era que as lendas que toda criança conhece do nosso folclore podem ser mais reais do que nunca, quando mais fundo investiga sobre as duas mortes.

A trama, mesmo com os quatro episódios assistidos, consegue manter uma qualidade narrativa, de desenvolvimento e construção de mundo (ou submundo) bem conciso e que instiga a continuar acompanhando desde a primeira cena. Numa história de fantasia, o principal elemento que pode ditar se o material terá ou não um engajamento considerável é o seu mundo, e o quão coerente dentro de suas próprias regras ele se apresenta para sua audiência, e o mundo criado por Saldanha consegue equilibrar o lúdico de nossas lendas sem deixá-las caricatas ao ponto de se tornarem piadas; de forma bem sútil, a analogia da invisibilidade deste mundo repleto de seres de nosso folclore, e como eles coexistem em nossa sociedade são plausível e criam uma curiosidade a cerca destas criaturas.

O principal ponto desta história chegar na Netflix é o impacto que ela levará quando estrear completa na próxima sexta-feira na plataforma (5 de fevereiro): nossa cultura folclórica será contada para o mundo todo, de uma forma lúdica e quase cinematográfica, se utilizando de arquétipos de uma aventura fantasiosa como vimos nos últimos anos, como as criaturas de Harry Potter ou Senhor dos Anéis, o mundo misterioso e mágico de Game of Thrones e as inúmeras séries de criaturas e mitologia local. O mais significante é que o diretor e toda a equipe de roteirista e criativa não menosprezaram esses seres, ridicularizando-os, mas construíram uma história background que é consistente com a lenda, e que ainda moderniza a lenda, fazendo assim que pessoas que lembram dessas lendas sintam carinho pela representação – mesmo que muitos deles são para dar medo – enquanto que outros que não se recordam ou ainda não conhecem, tenha a oportunidade de se interessar por descobrir quem são esses seres, e se aprofundar mais nesse aspecto da história.

A série ainda se aproveita de uma edição muito boa, e ainda se utiliza de alguns efeitos especiais que não parecem toscos, mas que constrói todo um cenário para surpreender. E por falar em surpresa, a história se desenvolve num ritmo que cria o interesse do telespectador ao descobrir de qual lenda é o personagem misterioso que aparece, mesmo que seja óbvio pela sua caracterização, alguns acabam surpreendendo pelos detalhes adicionados dentro de seu personagem, e se torna uma aventura tentar identificar de qual lenda o personagem representa.

Um destaque mais que positivo foi a presença de Alessandra Negrini como Inês, uma espécie de líder destes seres que ao mesmo tempo que passa uma calma e controle em sua voz, consegue transmitir um ar de perigo e de uma personagem que não deve ser contrariada. Além dela, Marco Pigossi é o fio condutor e personagem que os telespectadores se espelham para conseguir respostas deste mundo, ao mesmo tempo que criamos certa empatia pela sua investigação “obsessiva” por achar respostas da morte de sua esposa.

Cidade Invisível é uma grata surpresa deste ano de 2021, uma história que equilibra bem a fantasia do folclore brasileiro com uma trama de investigação, quase se assemelhando com o sentimento de construção da série Grimm, mas que recebe a pitada brasileira, ao adicionar os seres de nossas lendas, sem deixá-los caricatos, adaptando suas origens de forma madura que dê o peso dessas criaturas, para então nos introduzirmos a real história da temporada, mais misteriosa e sombria, como a abertura.

Postagens Relacionadas
Leia Mais

PlayStation anuncia PS Indies

A Sony Interactive Entertainment anunciou hoje o selo PlayStation Indies, uma forma de fomentar o cenário independente de…