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Star Trek: Discovery (3ª Temporada)

Quando Gene Roddenberry criou o conceito e principal statement de Star Trek ele não imaginava o impacto que ele alcançaria. Sua história espacial, com um embasamento em ciência, lealdade e honra de explorar lugares nunca antes vistos, ou nenhum outro homem foi é simples e poderoso, mas há algo nesta dinâmica da Frota Estrelar que engrandece o principal combustível da história: as pessoas, independente de qual raça ou sua origem. A terceira temporada de Star Trek: Discovery, série que é considerada um respiro de ar fresco para a franquia com mais de 50 anos, que reintroduziu fãs antigos e apresentou o universo em expansão para novos espectadores, assina sua carta de autonomia, agora que sua história não tem obrigação de ser fiel a história já construída previamente, com uma mensagem sobre conexão interraciais senciente.

Após seguirem Michael (Soneca Martin-Green) pelo um portal do tempo e saltarem 930 anos no futuro para salvar todas as raças sencientes do universo da Inteligência Artificial e proteger os Dados da Esfera, tanto Michael quanto os tripulantes da Discovery precisam se readaptar a nova vida deles, e compreender que muita coisa mudou e que a sensação de estarem deslocados em diversos âmbitos não é um limitador para continuarem sós.

Primeiramente, não sou um fã de carteirinha da franquia, acabei conhecendo mais a franquia pelos filmes mais recentes e mergulhei no básico que a série aborda, e acabou me fisgando com tudo quando comecei a acompanhar Discovery. A série que nas duas primeiras temporadas tinha a premissa de explorar uma parte da história já conhecida da Frota mais conhecida do mundo das séries, em uma nova roupagem, mais moderna, mas sem esquecer seu alicerce. Porém, as duas primeiras temporadas foram forjadas num período bem limitante: enquanto desenvolve sua história, que deve ser única e nunca antes vista, ela deveriam honrar a história que aconteceu, que estava acontecendo e ainda respeitar a que aconteceria no futuro, logo muita coisa deveria ser limitante para não haver conflito com outras histórias da franquia que viriam há alguns anos.

Um ponto que achei primoroso na segunda temporada – minha favorita até agora – é como foi resolvido o problema de começarem a história com uma protagonista que se diz meia-irmã do Comandante Spock (Ethan Peck), sendo que em nenhum momento é mencionado, em produções anteriores, está meia-irmã. Além de resolver está problemática a segunda temporada acabou dando a liberdade necessária para Discovery trilhar uma história ainda mais única, lógico, respeitando tudo que veio antes, mas sem o medo de inserir um furo do que viria pelo futuro, já que eles estão no período meus futuro de toda a franquia.

A terceira temporada projetou o que a Frota Estelar se tornaria tão no futuro, e ainda adicionou novas surpresas e homenagens, para desenvolver uma história muito mais pessoal e mais íntima. Não é de hoje que Discovery – ou qualquer outra produção da franquia – se limite a desenvolver apenas o protagonista e pouco os coadjuvantes, mas desenvolver por igual, ou dar tempo de tela suficiente para criarmos empatia e conhecemos estes personagens mais e amis. E nesta temporada foi tão necessário vermos mais de personagens que ainda não tinham se desenvolvido, ou acrescentar mais linhas de sua história e personalidade e vê-los crescer em tela.

Isso foi ainda mais marcante para a principal mensagem da temporada: se conectar. A temporada finaliza com uma mensagem do criador da série ressaltando que independente de que raça nós somos – e ele ainda faz uma analogia bem realista que não somos mais que alienígenas neste planeta – nada é tão importante quando se conectar, ou sentir que você pertence a um lugar, e que existam outras pessoas que também fazem parte desta comunidade. E dentro da Discovery, ainda temos uma gama (não tão ampla) de espécies diferentes, e ainda uma IA benevolente que ainda ajuda a manter todos em sintonia e bem consigo mesmos.

A nova temporada acabou também dando maiores desenvolvimento para seus personagens, como a própria Sylvia Tilly (Mary Wiseman), e o Capitão Saru (Doug Jones), ambos que tiveram em seu caminho a liderança e suas raízes exaltadas. Tivemos nesta temporada o tema de estresse pós-traumático vivida pela Tenente Detmer (Emily Coutts); tivemos a adição de Adira (Blu del Barrio), primeira personagem não binárie vivida por um artista não-binárie; entre vários outros arcos menores mais pessoais trabalhados ao longo da temporada. Também tivemos a despedida da Imperatriz Georgiou (Michelle Yeoh) e da Comandante Nhan (Rachael Ancheril).

Apesar da ameaça de uma aliança de poder estar presente, sua presença é pouco sentida, isso quando assistimos todos os treze episódios de uma vez, e não teve tempo de aborda-la tanto quando deveria, já que estávamos focados em desenvolver novas conexões. Tivemos adições muito interessantes, e novos rumos que podem ser um próspero futuro para a franquia, que não será resumida a apenas esta série, mas que ganha um novo fôlego para durar a exploração e ir onde nenhum ser senciente jamais foi.

Star Trek: Discovery pode ser um divisor de águas dentro da família Trekkie, há quem ame, há quem odeie, mas ela trouxe uma nova perspectiva, um novo olhar sobre a franquia que parecia inexistente de um tempo mais recente, e que serviu de base para muitas outras produções, mas que em sua terceira temporada, mesmo com falta de tempo para explorar mais elementos para construir um antagonismo marcante como os Klingons, Lorca ou o Controle, ainda assim ele ressalta a essência mais pura de fazer conexões, e manter sua lealdade e honra.

Star Trek: Discovery 3

Star Trel: Discovery (3ª Temporada)
4 5 0 1
Após viajarem pelo tempo para proteger os Dados da Esfera, os tripulantes da Discovery precisam se adaptar a nova era que eles estão, e lidar com as perdas que todos sofreram e superar o trauma de deixarem tudo que conheciam para traz
Apesar da falta de tempo para abordar mais da Corrente Esmeralda, já que o que vimos é parte de algo muito maior, Discovery soube explora melhor a necessidade de seres sencientes buscarem uma conexão ou o sentido de pertencer, trabalhou - mesmo que pouco - trauma e perdas, mas entrega o início de uma vida longa e próspera para novas aventuras exploratórias da Federação
4/5
Total Score

Vida Longa e Prospera

  • Maior liberdade de construir uma história sem arriscar um erro em acontecimento futuros
  • Maior foco na relação interpessoal e problemas mais internos
  • Crescimento exponencial de personagens
  • Adições que ajudam ao desenvolvimento da trama e dos personagens
  • Ótima antagonista, com uma presença de tela marcante

Ameaça a Federação

  • Falta de tempo para desenvolver melhor a ameaça da Corrente Esmeralda


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