A Era de Prata da Disney | Peter Pan



Eis ai um filme que me deixa com opiniões controversas. Peter Pan é o décimo quarto filme da Disney e o terceiro da Era de Prata. Lançado em 1953, dois anos após o lançamento de Alice No País das Maravilhas.

Diferente de Alice, que se tornou um filme atemporal, e é lembrado até hoje, Peter Pan não teve a mesma sorte. Ambos filmes e os livros em que foram inspirados retratam exatamente a questão da saída da infancia para a vida adulta e a maturidade. Mas enquanto Alice conseguiu se convergir em algo que até hoje conversa com as gerações, Peter Pan acabou se tornando obsoleto, principalmente se olhado com os olhos da nossa geração.

A vida de J. M. Barrie

Mas antes de entrarmos nos quesitos do próprio filme, vamos primeiro falar de seu criador, o escritor teatral J. M. Barrie. Sir. James Matthew Barrie foi um autor de livros e de peças de teatro escocês.

Quando jovem Sir Barrie perdeu o irmão mais velho, chamado David, em um acidente. O jovem bateu a cabeça em uma pista de gelo. Isso deixou marcas traumáticas tanto em James quantro em sua mãe.

Eis que David era o filho favorito. Então para trazer alívio para sua mãe, James usava as roupas dele e se portava da mesma maneira que seu irmão mais velho. O único conforto verdadeiro para o coração em luto da matriarca era que David nunca envelheceria, e seria criança para sempre.

E é aqui que encontramos o príncipio e a base para a ideia do personagem de Peter Pan.

As crianças na vida de Barrie

Apesar de sua vida triste, eis algo que o trouxe alegrias. Barrie era muito próximo da família Llewelyn Davies. Barrie e sua esposa, Mary Ansell, conheceram Sylvia e Arthur Llewelyn Davies em um jantar e, conversando, descobriram que já haviam conhecido os filhos do casal coincidentemente em um passeio que fizeram pelo Kensington Gardens, famoso parque em Londres.

O casal tinha cinco filhos, três dos quais eram nascidos quando Barrie os conheceu; GeorgeJon e Peter. Vale notar que os todos estes nomes fazem aparições em Peter Pan.

George, o mais velho, nomeou o pai de Wendy, Jon seria um dos irmãos da garota (na tradução brasileira ficou como João) e Peter, que era ainda um recem-nascido nesta época, o personagem titular, que se mantém um menino para sempre.

Depois disso, mais dois irmãos nasceram; Michael, que inspiraria o irmão mais novo de Wendy (traduzido como Miguel), e Nicholas.

A ideia e criação de Peter Pan

Posto que Barrie brincava bastante com os meninos, a ideia de Peter Pan veio destes momentos.

Em 1901, enquanto passava o verão em um chalé, próximo de onde a família estava, James escreveu para as crianças uma história chamada de The Boy Castaways of Black Lake Island (Os Meninos Náufragos da Ilha do Lago Negro).

Esta história foi o primeiro esboço do que se tornaria mais tarde o que conhecemos de Peter Pan. O livro está guardado no acervo histórico de uma biblioteca americana. Esta história já possuía diversos elementos que estariam presentes em Pan, como piratas, uma ilha, um cachorro, entre outros.

No entanto, o personagem de Peter Pan não iria surgir de fato até 1902, em um livro chamado The Little White Bird, que nunca chegou a ser publicado no Brasil.

Esta versão de Pan ainda é vastamente diferente da que veio a ficar popularizada. Segundo explicam, Peter é um bebê de uma semana de idade, que aprende a voar e vai viver com as fadas, viajando pelo mundo.

Também não há nenhuma explicação de que haja realmente uma conexão estre esse livro e o que veio mais tarde a se tornar Peter Pan. O que podemos pensar é que Barrie pegou esta história e personagens e os desenvolveu mais tarde, de uma outra forma e de maneira mais aprofundada.

Barrie se apegou à ideia de Peter Pan, e inspirado pela sua amizade com as jovens crianças, lançou seu trabalho mais famoso em 1904, a peça Peter Pan, or The Boy That Wouldn’t Grow Up (Peter Pan, ou O Garoto que Não Queria Crescer), introduzindo ao público a história de acordo com o que conhecemos hoje.

O Sucesso da obra

A peça apresenta Peter Pan, o menino que ensina as crianças da família Darling, Wendy, João e Miguel a voar e os leva para um lugar mágico chamado Terra do Nunca. Neste lugar há piratas, fadas, índios e sereias, e Pan toma conta de uma série de meninos que, assim como eles, não possuem pais, chamados de Meninos Perdidos.

A obra foi tão bem-sucedida que fez o nome Wendy explodir em popularidade entre os recém-nascidos da época. Mais tarde, uma versão em livro da peça foi desenvolvida por Barrie, em 1911, primeiro chamada de Peter and Wendy, mas depois nomeada apenas de Peter Pan.

Aqui no Brasil, Peter Pan ficou conhecido pelas mãos de Monteiro Lobato, que publicou sua versão da história em 1930. Apesar de o básico da obra continuar o mesmo, Lobato adicionou muitas intervenções próprias, como a aparição de diversos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo aparecendo na história e interagindo com ela.

A História de Peter Pan

Bem, não irei fazr sinópse do filme. Estou certa de que a essa altura do campeonato todos saibam do que se trata. Na verdade, aqui quero trazer uma analise da hisória. Não tive o prazer de ler o livro, então essa analise tem base em escritos de outras pessoas.

A Disney, por tradição sempre deixa seus filmes mais brandos, mas ainda sim, muitos como Bambi e Alice conseguem manter a escência de suas obras originais presente em seus filmes. E ao que tudo indica, isso não acontece em Peter Pan.

Como disse anteriormente, não li o livro, então fui buscar por resenhas da obra literária. O que se tém em comúm é que a obra é muito mais triste e subversiva do que o filme da Disney deixa transparecer.

Imaturidade Eterna

Ao escolher não crescer, Peter escolhe uma vida isolada e infeliz, pois todas as crianças precisam crescer em algum momento. Peter Pan não é um personagem agradável, ele é inconsequente, violento e egoísta, que só vive para si mesmo e para seu próprio prazer. E tudo isso, apesar de não ser diretamente apontado como falhas no texto por Barrie, estão ali justamente para mostrar como Pan é uma pessoa falha.

Através de Pan, Barrie nos mostra que apesar de não crescer parecer como uma aventura divertida em um primeiro momento, logo os problemas com este estilo de vida começarão a aparecer mais cedo ou mais tarde, e é essa a conclusão com que Wendy, a verdadeira protagonista da história, chega no final das contas.

Wendy acaba querendo voltar para casa e querendo crescer. Ela entende que o crescimento e o amadurecimento fazem parte da jornada de todos nós. Para nós nos transformarmos em pessoas boas teremos que, eventualmente, cruzar essa etapa e abraçar nossas responsabilidades.

Tudo isso está além da compreensão ou aceitação de Pan. O fato de ele não querer crescer é mais medo do que um simples ato de rebeldia. Dessa forma o que se apresenta é Pan com medo do que vai acontecer quando ele crescer, tem medo de assumir responsabilidades e obrigações, tem medo de viver momentos por qualquer motivo que não seja diversão.

Pan disse que foi abandonado pela mãe. Não sabemos se esta história é a verdadeira origem dele, mas podemos ver que algo aconteceu durante sua jornada. Desde então, ele sofreu um verdadeiro trauma e prefere viver em um mundo de rejeição e fuga, onde nunca precisará amadurecer e assumir responsabilidades.

O relacionamento de Peter Pan com outros ao seu redor

Essa escolha de sempre ser uma crinaça e nunca ter responsabilidades gera em Pan uma obvia imaturidade em todas as áreas de sua vida, mas o seu maior reflexo é em seus relacionamentos pessoais com outras pessoas.

Podemos ver isso quando vemos a relação de Peter com as três principais personagens femininas da história. Wendy, Tinker e Tigrinha. As três pareciam ter um interesse romântico pelo rapaz, mas sua cabeça de menino o impedia de entender isso e retornar a esses sentimentos. Pan não está pronto para desenvolver um relacionamento com ninguém, ele nunca estará.

O fato de ele ser imaturo impedia sua capacidade de desenvolver conexões mais significativas com as pessoas – seu próprio relacionamento com os Meninos Perdidos parecia ser mais um desejo egoísta de não viver sozinho do que o fato de entender a importância de ter companheiros e amigos na vida.

Pan, por escolha, nunca estaria preparado para se associar com ninguém em nenhuma posição. Até mesmo seu relacionamento com os Meninos Perdidos que teoricamente é paternal, e Wendy que foi levada para ser sua mãe, é um relacionamento perigoso, porque Peter obviamente não se importa com esses garotos, e só os mantém pelo medo de estar sozinho. Isso faz com que constantemente coloque suas vidas em perigo, porque ele não entende as responsabilidades de ser pai.

A perda de Wendy e a importância de crescer

Peter não conseguir estabelecer laços com as pessoas foi o que resultou no afastamento de Wendy. Quando ela percebeu que Pan era apenas um menino, e que isso nunca mudaria, ela percebe que a sua vida com ele na Terra do Nunca seria uma eterna brincadeira, entende que ninguém pode viver assim para sempre.

Wendy entende a importância de crescer e amadurecer. Ela sabe que o crescimento gera novos conhecimentos, é onde a gente aprende a se relacionar com outras pessoas de forma madura. Sabe que crescer não é só sobre ficar mais velho, mas também ser mais experiente e responsável.

Por certo que o amadurecimento gera novos relacionamentos, novos laços e isso é importante como seres humanos. E por Wendy entender tudo isso, querer isso para sí mesma, e também por saber que no mundo lá fora existiam pessoas que também queriam isso para ela, toma a decisão de deixar a Terra do Nunca e Peter Pan.

Esse desejo de Wendy influencia os Meninos Perdidos. É apenas quando ela chega para cuidar deles que eles percebem a falta que faz a influência e a presença de uma mãe. E então percebem que terão que acordar de seu sonho, de sua vida com Peter, e retornar para casa.

No fim o que entedemos é que Peter é muito só. Ao escolher essa vida, por consequência, ele não consegue se relacionar com outras pessoas. Por mais que ele tentasse vender a ideia de que ele era um herói e que seu estilo de vida era perfeito, ele sabia que não era bem assim. Por isso que levava os Meninos Perdidos para a Terra do Nunca.

Peter Pan e Walt Disney

Disney viu a peça de Pan quando ainda era um garoto, em 1913, além de gostar, também, da primeira versão em filme da obra, feita pelo estúdio Paramount, como um filme mudo, em 1924.

Daí surgiu o desejo da Disney de animar Peter Pan em longa-metragem, principalmente porque a animação não tem as limitações dos filmes live-action, e Walt acreditava que se tratava de um método perfeito de adaptar uma história tão fantasiosa como Peter Pan.

Assim, ficou decidido que Pan seria o segundo longa animado da Disney, sucedendo Branca de Neve e os Sete Anões. No entanto, como sabemos, isto não aconteceu, e o motivo foi a dificuldade da Disney de conseguir os direitos para a história de Pan, que haviam sido dadas ao Great Ormond Street Hospital, o principal hospital infantil de Londres, por Barrie antes de sua morte.

Isto atrasou a produção da história consideravelmente. Levou cerca de quatro anos para a Disney entrar em um acordo com o hospital, e ter sua adaptação permitida pelo mesmo.

No entanto, graças à Guerra, e mesmo após ela, quando Walt sentiu que Cinderela seria um projeto mais seguro para retornar às graças do público após um período de escassez criativa, Peter Pan foi arquivado.

Produção

Em 1950 com estabilidade finaceira acarretada pelo sucesso de Cinderela, Disney sentiu-se seguro para retirar Peter Pan da gaveta e sua produção voltou seguindo normalmente. Como em qualquer produção, muitas coisas em Peter Pan foi cortado, mudado e transformado em algo mais brando, que se adeque as crianças.

Entre momentos cortados, estes incluem o sequestro de Wendy — sim, Peter sequestrava Wendy na primeira versão da história para forçá-la a ser uma mãe para os meninos perdidos. Isso foi cortado e mudado para ela e seus irmãos simplesmente irem com Peter por vontade própria. Sininho entregando para o Capitão Gancho o esconderijo de Pan por livre e espontânea vontade, motivada pelos ciúmes que sentia de Wendy. Este foi alterado para ela ser sequestrada pelo vilão e forçada a entregar seus amigos.

Outro ponto alterado na obra final foi a história de origem de Peter Pan, que abriria o filme, mas os animadores acreditaram que ela tiraria o foco da história principal, além de ser muito vasta para ser contada em apenas alguns minutos. A presença de Naná, a babá cachorro, também seria bem maior nos primeiros rascunhos da história. Ela iria para a Terra do Nunca com as crianças, e a história seria toda mostrada através de seus olhos, mas isto também foi cortado.

Assim como Alice, o universo de Peter Pan é vasto e cheio de possibilidades. Essa gama de direções acabou por atrasar a produção, e os cortes e mudanças para deixar a história mais lúdica e menos densa e sombria atrasou também um pouco da produção. Mas quando tomaram o rumo, as coisas fluiram bem.

Atores e dublagem

Bobby Driscoll foi o ator contratado para dar a voz e encenar Peter Pan para os animadores. Esta foi a primeira vez na história de Pan onde o protagonista foi interpretado por um homem.

Até então todos que interpretaram Pan eram mulheres. Isso porque era difícil arranjar um ator infantil apto para o papel. Então não havia outra maneira de representar a infantilidade de Pan sem ser com uma atriz, que possui uma voz fina e movimentos mais delicados.Mas como essa era uma adaptação animada, a dublagem tornou possível a interpretação de Peter Pan por um menino.

Bobby Driscoll, na época, um ator mirim muito famoso e extremamente atrelado à Disney, tendo feito diversos papéis em filmes do estúdio, sobretudo em live-action, como Canção do Sul e A Ilha do Tesouro.

Kathryn Beaumont deu voz e encenou Wendy para os animadores. A atriz já tinha feito ambos para Alice, onde interpretou a personagem titular. Margaret Kerry foi a responsável por encenar Sininho e dar a referência de movimentos para os animadores. Assim, outra tradição foi quebrada, pois Sininho, na peça teatral, era originalmente representada apenas como uma pequena luz, e aqui ela possuía um corpo e uma forma definida.

Bobby Driscoll e Kathryn Beaumont nos bastidores de Peter Pan

No entanto, uma tradição da peça teatral foi mantida no filme; o hábito de um mesmo ator interpretar tanto Capitão Gancho, quanto o Sr. Darling, pai de Wendy. Neste caso, foi Hans Conried o responsável por ambos os personagens, tanto em sua voz quanto na encenação em live-action.

Os resultados das mudanças em sua adaptação

Eu disse em Alice, que sábio é aquele que entende quando algo funciona para uma mídia não vai funcionar em outra. E isso é verdade. Quando estamos adaptando algo, é completamente normal, saudavel até que haja mudanças para que a obra se encaixe melhor no formato desejado.

Mas isso não significa que essas alterações sempre vão funcionar. A melhor coisa em uma adaptação é entender o cerne da obra original, e fazer todo o possível para que esse cerce seja transmidito na adaptação. Em Alice funcionou muito bem. Conseguimos sentir toda a essencia de Carroll no filme, e é isso que a torna uma adaptação tão digna.

No entanto em Peter Pan, isso não foi replicado com maestria.

Fico até angustiada de falar isso. Peter Pan e Tinker Bell são dois personagens muito querido para mim. Cresci vendo esses filmes, mas ao reassistir novamente, agora mais velha, vejo como Peter Pan é um filme falho. Simples, genérico.

Veja, em vez de mostrar que a vida escolhida por Peter Pan não é algo sábio, ser uma eterna criança não traz benefícios, mas que pode gerar muitas angústias, a Disney parece enaltecer o estilo de vida escolhido por Pan.

Ao escolher não mostrar os lados ruins da vida de Pan, e abordar suas angústias, a Disney pintou um quadro de eterna felicidade e aventuras na vida de Pan. Onde ele somente celebra o espírito infantil, que vive a vida livremente e de forma descontraída e divertida, sempre entrando em aventuras no processo, o que é mostrado como algo fantástico e maravilhoso.

Veja, isso não é completamente ruim. A inocência da infancia, e as boas lembranças que muitos de nós temos referente a essa fase de nossas vidas, faz com que concordemos com a ideia de que ser crianças é realmente um mundo fantásticos.

Mas é exatamente essa mesma ideia que torna isso também algo negativo. Só entendemos a importância das lembranças infantís, por termos crescido e amadurecido. E é sobre isso que o livro original aborda. Mas o filme não consegue te entregar.

A falta da dualidade

Veja, a Disney sempre conseguiu trazer filmes que houvesse uma dualidade na narrativa da história. Como assim?

Bambi pra mim é o maior exemplo disto. Quando crianças e vimos este filme, as vezes nos prendemos nas cores, nos desenhos e vemos a passagem de vida de Bambi de uma forma simples. Mas quando o revemos, entendemos a mensagem mais profunda sobre amadurecimento, sobre a vida em si que é retratado no filme.

Isso é a dualidade narrativa. Quando duas pessoas em diferentes fases da vida, uma criança e um adulto, conseguem assistir ao filme, onde a criança se diverte e entende o básico, mas um adulto consegue compreender as camadas mais profundas da obra.

Se isso tivesse sido feito em Peter Pan, a história teria sido completamente diferente. E é disso que sinto falta nesta adaptação. Não há essas camadas mais sutís onde a personalidade real, e as infelicidades de Peter Pan são mencionadas. E foi isso que me entristeceu ao rever o filme.

Personagens e mais mudanças desagradáveis

Mas voltemos aqui ao foco sobre as mudanças que a Disney imperou ao filme. Como já expliquei, a Disney não trouxe em pautas as nuances do personagem. As camadas que fazem de Peter uma pessoa falha como qualquer outro.

No entanto os defeitos foram postos no filme como uma personalidade dificil. O que faz com que Peter seja completamente irritante, mandão e chato. Se ele existe na vida real ele seria o valentão da escola que faz bullyng com todo mundo, mas ainda sim é venerado por todos. A verdade é que eu seria a pessoa que daria um gancho de esquerda bem dado na cara dele.

Sim, no fim o Peter é só um garoto chato e mimado que não tem um pingo de senso e que acha que o mundo gira ao redor de seu umbigo. É claro que após você ler todo esse artigo e tiver a oportunidade de ler o livro você consegue entender as suas nuances. Mas somente o filme? Você somente cria uma antipatia pelo personagem.

Outra personagem que aqui é um completo desastre e um real significado de psicopatia é a Sininho – Tinker Bell para quem está chegando agora. Ela tem crises de cíumes, é extremamente agressiva e tenta matar Wendy mais vezes do que dá pra contar nos dedos. Ela é arrogante, descontrolada e completamente fora do senso comúm.

Sem questionamentos, prefiro a Tinker Bell em sua versão do Disney Fair.

Com protagonistas tão sádicos e maldosos, é quase como se o filme não precisasse de um vilão, mas ele tem um vilão mesmo assim, um vilão que, na minha humilde opinião, é um dos mais fracos de toda a biblioteca da Disney.

No fim pergunto o porque da necessidade do Capitão Gancho. Ele está ali só para cumprir a função do necessário vilão a ser derrotado para todos caminharem para o pôr-do-sol rumo ao final feliz. Facilmente colocaria a Sininho como a verdadeira vilã da história.

O protagonismo feminino

Até parece um título onde vou enaltecer o poder feminino no filme, mas é exatamente ao contrário. A coisa que mais me incomodou em Wendy ao rever o filme é como os animadores conseguiram em uma hora de filme colocarem a Wendy sempre em posições de humilhação constante sem que nenhuma justiça fosse feita.

Além da clara e obvia rivalidade feminima presente do filme. E o pior, tudo motivado pelo infeliz do Peter Pan. Como já citei anteriormente, temos Sininho que age como psicopata movida por cíumes de Wendy.

Wendy constantemente é humilhada de muitas maneiras e nunca, NUNCA, revida ou responde a isso. O que me deixa enfurecida. Nunca fiquei tão irritada ao assistir a um filme da Disney quanto a rever Peter Pan. Wendy é tão sem personalidade que simplesmente passa por tudo isso e não faz nada.

Mesmo que sua função seja ser boazinha e maternal, é impossível passar por tudo que ela pssa e não fazer nada.

E o pior de tudo: quando os animadores decidem dar a ela um momento de ação, ela é movida por ciúmes de Tigrinha. CIÚMES! Reforçando ainda mais a rivalidade feminina. E tudo isso por Peter, que se fosse na vida real seria um um babaca escroto dos mais idiotas do mundo.

Racismo

Entre as personagens temos também a Tigrinha, que é a índia presente no filme. E veja, a representação dos indios neste filme não é nada agradavel. Simplesmente porque aqui o racismo é tão vertente e nas claras que é agoniante de ver.

No entanto é preciso entender que o contexto histórico é importante para analisarmos isso. O filme foi feito na metáde do século XX, não há como esperar sutilieza dos animadores ao retratar esse assunto.

Hoje temos muito mais sensibilidade ao falar deste assunto do que antes.

Mas acho que aqui deveria ter um destaque porque o esteriótipo é tão profundo, e tão escraxado que simplesmente é impossível não retratar.

A Beleza da Animação em Peter Pan

Mas apesar destes defeitos, o filme também possui suas qualidades e a de maior destaque é a animação. As cores e os cenários são belíssimos, e é disso que nos lembramos deste filme.

A cena onde os meninos voam por Londres com Peter, a beleza da Terra do Nunca, os detalhes na casa de Wendy. Todas essas cenas são lindas e únicas, e mostram o cuidado dos animadores ao pinta-las.

É impossível assistir a sequência do voo e não ser contagiado, tanto pela arte, quanto pela música, “A Voar”, é realmente um dos momentos mais bonitos e cativantes da Disney, e se mantém atrelado não só ao estúdio, mas à infância de muitas pessoas.

Peter Pan é mais uma daquelas obras que parecem imaginadas para a animação, sendo uma história fantástica e mágica, onde tudo pode acontecer, assim como no meio animado, pois, sem as limitações da vida real, tudo também pode acontecer nas animações, basta que seus animadores queiram.

Recepção e Prêmios

O filme dividiu opiniões da critica especializada. Há quem elogiou a obra, mas também aqueles que criticaram por não trazer a tona as nuances da obra original, e das apresentações teatrais.

Posto que outros filmes da Disney que sempre esteve presente em indicações do Óscar, Peter Pan não teve sua vez. Sua única indicação foi no Festival dos Cannes na categoria de melhor filmem mas não chegou a ganhar o prêmio.

Hoje em dia, no Rotten Tomatoes o filme possui 86% de aprovação da crítica especializada e 80% de aclamação pública.

Um clássico

Apesar do que parece depois deste texto, Peter Pan ainda é um dos meus clássicos mais amados. Mas sempre digo que é possível amar uma obra e ainda sim entender que ela possui muitos defeitos.

Sem dúvida, seu universo, é uma junção de sonhos e imaginários infantis todos em um único universo; temos sereias, piratas, índios, fadas, florestas, lutas de espada, a capacidade de voar, todos elementos que até hoje aparentam serem sinônimos da infância, estando presentes nas mentes de muitas das crianças, sendo tragos a vida.

Por fim, a sensação final que a obra nos passa, sobretudo a versão da Disney, parece ser uma celebração da infância. Mas em contraponto não nos apetece quando crescemos. Seja como for ainda há aquele valor nostálgico e pra mim é isso que vale.

Lembrando que o filme está disponível no Disney+.





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