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His Dark Materials (2ª Temporada)

Quando presenciamos a realização de uma adaptação de um romance literário para uma mídia audiovisual, estamos jogando cara ou coroa: ela pode ser tão boa quanto ruim. Decerto, existem elementos narrativos que acabam não funcionando em tela, arcos extensos e complexos que ao se adaptar pode ser problemático, mas quando a produção consegue acertar, os fãs da franquia literária chora de felicidade. Falando como um fã de Harry Potter, eu vejo hoje a realização de podermos acompanhar está felicidade nos fãs de Fronteiras do Universo, saga que chegou em 2019 em formato de série, pela HBO, como His Dark Materials, e sua segunda temporada se encerrou recentemente, e mais uma vez surpreende ao começar a trabalhar conceitos principais da saga de Philip Pullman.

Após entrar em um portal aberto por seu pai, ao sacrificar seu amigo, Lyra (Dafne Keen) e Pantalaimon (Kit Connor) vão parar num novo mundo, Cittàgazze, com a missão de impedir Lord Asriel (James McAvoy). Ao mesmo tempo, Will (Amir Wilson) também vai parar neste mesmo mundo, ao fugir de seu mundo, após acidentalmente, matar um invasor de sua casa. Mas o novo mundo se mostra tão perigoso quando o que Lyra, Pan e Will deixaram para trás. Lyra e Pan acabam encontrando Will e eles criam uma relação de confiança e juntos trilham o destino previsto pelas feiticeiras do mundo da Lyra, enquanto uma novas peça deste tabuleiro é apresentado: Mary Malone (Simone Kirby) e a Faca Sútil.

A segunda temporada de His Dark Materials adapta o segundo livro da Saga Fronteiras do Universo, A Faça Sutil, e como o próprio nome diz, nesta temporada temos a apresentação deste novo objeto que é essencial para a jornada de Lyra, Pan e Will, mais especialmente para este último. A série mantém sua qualidade visual e narrativa nesta temporada, e ainda traz novas informações e surpresas desta história. A introdução ao novo mundo, e principalmente a cidade de Cittàgazze é feita de modo fenomenal. A cidade nas luzes que víamos ainda na primeira temporada, é ainda mais bonita visualmente, lembrando construções típicas a cidades provincianas da Itália, mas tem seu próprio encanto.

Essa temporada, diferente da primeira, é típica as clássicas histórias de transição. Em grandes trilogias, a história do meio tem a função de preparar os personagens e arcos para o grande final, e muitas vezes, essa história acaba se apressando ou com problemas de desenvolvimento para tirar certo personagem ou trama do ponto A para direcioná-lo para o ponto B, e essa transição pode não ser bem executada. Na segunda temporada, a série tem seus altos e baixos, alguns episódios apresentam cortes muito bruscos de cenas, o que ocasiona uma quebra abrupta da tensão criada, mas isso não é um ponto fraco.

Ficaria redundante mencionar que mais uma vez que Ruth Wilson dominou a atenção da série. Mesmo com cenas que, de acordo com os fãs dos livros, não são passagens existentes no livro ou que pertençam a outro personagem, Marisa Coulter mais uma vez mostra o quanto uma personagem pode ser interessante, intrigante e ainda uma antagonista de peso. Já o trio Lyra, Pan e Will têm uma construção de relacionamento muito delicadamente trabalhados, e você se relaciona com essa amizade construída, com Pan sendo a voz mais sensata entre os três.

É perceptível o quanto de efeitos visuais foram empregados nesta temporada, principalmente na quantidade de vezes que Pan se tornou presente, e principalmente em sua nova forma favorita, de um panda vermelho, sua forma mais fofa até o momento. Além disso, a integração dos Espectros, seres que assolam Cittàgazze, e seus habitantes, acabam lembrando um pouco o visual o que os Dementadores de Harry Potter tinham, ou até sendo a personificação de outro ser deste universo, as Mortalhas-Vivas. Mas isso não chega a ser um ponto negativo.

Essa segunda temporada acaba sofrendo com o problema da história de transição: alguns arcos precisam se apressar para preparar os personagens para sua conclusão, outros precisam ter uma adaptação abrupta e pode parecer feito nas coxas, mas não chega a ser feito ao descaso, mas sim como um meio-termo. É bem evidente o quanto que essa história ficou mais densa, sombria e que levanta temas muito delicados, e se focando ainda mais em temas religiosos, sociais e de amadurecimento. Se a primeira temporada já nos chocamos com a tirania do Magistério, ou as atitudes dos cientistas a mando de Marisa Coulter, ou o próprio Asriel, a segunda temporada só fomenta mais ainda o quão pesado os temas que essa história aborda e tem coragem de desenvolver.

His Dark Materials é a realização completa que fãs de literatura de fantasia mais querem ver em telas de suas histórias favoritas, dar vida, um rosto e personalidade palpável às histórias e personagens descritos, e transformar a magia desta história em realidade. A segunda temporada mesmo oscilando em poucos pontos, começa a trabalhar mais a história do romance escrito por Pullman, e continua surpreendendo, principalmente ao trabalhar mais a personagem de Marisa Coulter, com a excelente atuação de Ruth, e transmitir verdade na relação de Lyra, Pan e Will.

His Dark Materials (2ª Temporada)

His Dark Materials (2ª Temporada)
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Adaptando o segundo livro da saga Fronteiras do Universo, Lyra e Pan se encontram em um novo mundo, e acabam conhecendo Will, que assim como eles, estão fugindo de seu mundo por um propósito, e juntos, eles vão descobrir que estão numa batalha sobre a existência em si, e tracarão um caminho para conseguir completar a profecia.
Mantendo sua qualidade de desenvolvimento, efeitos visuais e abordagem de temas delicados, a segunda temporada de His Dark Materials mantém o mistério sobre a história, e aposta em mostrar com delicadeza e eficácia a relação dos protagonistas, sem esquecer de adicionar novos arcos e personagens importantes para a conclusão da história criada por Philip Pullman. O grande destaque da temporada, repetindo é a atuação de Ruth Wilson como Marisa Coulter.
4/5
Total Score

Palavras do Aletiômetro

  • Destaque para Ruth Wilson como Marisa Coulter
  • Temas mais densos bem trabalhados
  • Entrar na história dos livros
  • Efeitos visuais continuam muito bons
  • Relação de Lyra e Will desenvolvida com delicadeza e sem pressa
  • Momentos chave de conflito bem dirigidos e muito dinâmicos

Palavras do Magistério

  • Alguns arcos e episódios arrastados
  • Cortes abruptos que quebram a tensão de uma cena


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