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Soul

A Pixar nunca decepcionou. Desde seu primeiro longa a Pixar toda animação que chega – com exceção a sequências – sempre acabam emocionando os macacos velhos, mesmo suas produções sendo direcionadas para um público mais jovem. Além de encantar as crianças, os adultos percebem as entrelinhas das tramas e ainda nos fazem chorar. A Pixar se tornou expert em trazer temas presentes na vida de todos, e trabalhar conceitos abstratos de uma forma tão criativa e única que conversa com todas as idades. A mais nova produção da Pixar, que acabou indo direto para o Disney+, Soul traz a essência mais pura do que é um filme produzido pelo estúdio da luminária de mesa.

Soul segue Joe Gardner (Jamie Foxx) um homem em sua meia-idade, amante profundamente da música, mais especificamente do soul, que vive como professor substituto de músico em uma escola, mas sonha em ser músico profissional. Quando ele finalmente consegue a oportunidade de começar sua carreira como músico, ela acaba “morrendo” e indo para o além-vida. Em negação, ele vai parar na escola das almas, e é designado para ser mentor de uma alma que não encarnou, uma alma tão antiga que se acostumou com a vida no além-vida, a 22 (Tina Fey). Desejando voltar para sua vida, ele e 22 acabam encarnando na terra, e precisam arranjar um jeito de voltarem antes que Joe perca sua oportunidade da vida.

Quando mencionei acima que Soul é a mais pura essência da Pixar, eu não exagerei. O filme trabalha, como todos seus filmes mais emblemáticos, temas abstratos de forma lúdica ao ponto de fazê-las simples de serem compreendidas, e mais uma vez ele transforma o tema mais abstrato de forma simples e encantadora. Trabalhar a morte, ou o tema do longa, o pós-vida, é algo não visto, e ainda eles transmitem a mensagem de forma que não apenas as crianças vejam e se encantem, como uma mensagem mais profunda é entregue para os telespectadores mais velhos.

O longa ainda consegue inserir temas que eles já trabalharam anteriormente, principalmente em Divertida Mente, quando falamos sobre ansiedade e medos, aqui neste novo mundo a se explorar, Soul insere temas existencialistas típicas da filosofia, e ainda abre espaço para falar sobre ansiedade, obsessão e pânico. Se já vimos representações das emoções em seres dentro da cabeça, ver as representações das Viagens da alma e como elas se apresentam num grande mar de areia de obsessão, torna este conceito mais vivo dentro de nossa cabeça, e fará como que todos que virem o filme, sempre lembrem deste trecho e imagine que sua alma está perdida neste deserto de obsessão.

Um ponto muito importante dentro das animações da Pixar são seus personagens, e se eles funcionam para dentro da trama, e se são carismáticos a ponto de se tornar símbolos eternos, e em Soul temos ótimos personagens que, como qualquer filme sem um vilão determinado, consegue ser relacionável ao mesmo tempo que vemos suas sombras e o causador de todos os problemas. Joe é um homem que sem dúvida tem um amor enorme pela música, e Príncipe te pelo soul, mas que percebemos sua obsessão por um sonho quase inalcançável, e que parece não saber falar sobre qualquer outra coisa a não ser a música. Acredito que conhecemos alguém que assim como Joe só sabe falar de uma coisa, e não troca o disco.

Em contrapartida, temos 22, uma alma que se acomodou com sua vida no pré-vida, e não encontrou seu motivo de encarnar, e se tornou uma alma difícil de lidar para as almas mais bem resolvidas da existência. A química entre Joe e 22 é orgânica, e muito gostosa de acompanhar. Seja eles ainda na escola das almas ou quando eles acabam encarnando por acidente na Terra. A dinâmica obsessiva de Joe se contrapõe a despretensiosa atitude de 22, e ambos acaba aprendendo um com o outro o real motivo do filme: o desejo de viver e aproveitar as belezas que o mundo tem a oferecer.

Divertida Mente foi um dos primeiros filmes do estúdio da luminária a trabalhar conceitos abstratos como se fossem personagens, mas de emoções e representações mentais, Soul acaba trabalhando algo mais freudiano, que são os Zé, seres quânticos que ensinam as novas almas e designam elas para absorver personalidades. Seus designs são em outros termos, geniais. É estranho falar especificamente disso, mas é um dos personagens mais bem resolvidos de todo o catálogo de personagens da Pixar, simples e eficientes eles representam bem a ideia de como seria esses seres extradimensionais, além de inserir uma diversão em suas linhas curvas que dão além de unidade para sua espécie, dão uma individualidade incrível em tela.

Além de trazer questões freudianas sobre a existência, Soul é embalada por umas dos estilos musicais mais bonitos, e que conversa muito bem com o conceito sobre a alma: uma música que toca a alma da forma como o soul toca, é simplesmente belo de se ver.

Soul é a alma da Pixar em tela, uma história que, talvez, trabalhe o conceito mais abstrato de todos, e sua execução é feita de um jeito formidável, e que empresa técnicas simples, composições de animação do mundo pós e pré-vida simples mas tão eficientes em construir um mundo coeso e que ainda carrega grandes significados, que ainda discute o sentido de encontrar sua grande motivação para viver, e deixa ainda ensina que não existe um tempo certo para descobrir sua motivação ou encontrar um motivo para viver, como a própria personagem 22 descobre; e que aquilo que achamos que é nossa motivação e que nos empenhamos, talvez pode não ser de fato, e que nossas motivações podem mudar, e tudo bem, se aquilo te traz felicidade.

Soul

Soul
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Após conseguir a chance de sua vida, Joe Gardner acaba "morrendo" e indo parar no pós-vida. Relutante, ele tenta retornar para sua vida, mas pra isso, ele tem que conseguir descobrir, junto com uma uma alma que ainda não encarnou, um motivo para viver.
Após conseguir a chance de sua vida, Joe Gardner acaba "morrendo" e indo parar no pós-vida. Relutante, ele tenta retornar para sua vida, mas pra isso, ele tem que conseguir descobrir, junto com uma uma alma que ainda não encarnou, um motivo para viver.
5/5
Total Score

Alma Leve

  • Construção de mundo muito eficiente e coeso em suas ideias
  • Personagens relacionáveis
  • Dinâmica dos protagonistas muito gostosa de acompanhar
  • Design de seres incrivelmente inteligentes e belos
  • Ótima inclusão de trilha sonora e música de fundo
  • Questões morais otimamente mesclados com a mágoa da Pixar


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