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O Mundo Sombrio de Sabrina (4ª Parte)

Como disse Tony Stark “parte da jornada é o fim“, logo todo encerramento de qualquer história é esperado por todos e também é essencial para a jornada de transformação como um todo. Mas para O Mundo Sombrio de Sabrina o fim pode não ser um final tão esperado, já que com seu cancelamento surpresa, a série teve em seu quarto e última parte que corrigir os deslizes cometidos na parte anterior, a qual desandou muito e o interesse esfriou. A última temporada tenta segurar o que deu errado na terceira parte, mas acaba repetindo os mesmos elementos que tornando um sonho em pesadelo.

O último se inicia agora com duas Sabrinas (Kiernan Shipka), uma vivendo no reino mortal como Sabrina Spellman, e outra vivendo como rainha do inferno ao lado de seu pai Lúcifer (Luke Cook), como Sabrina Morningstar. Mas padre Blackwook (Richard Coyle) invoca antigas entidades sombrias para acabar com tudo que tiraram dele, os Terrores do Sobrenatural, e que a cada novo episódio, Sabrina junto com seu coven, agora dedicado à Hécate, e seus amigos, devem enfrentar seres que não podem ser destruídos, e que seus poderes são maiores do que qualquer coisa viva.

A ideia é boa, inserir entidades tão antigas quanto o tempo e espaço, que o único objetivo delas é engolir toda a criação, é clássico como o big boss de uma jornada, além de ter uma temporada com oito episódios, de uma hora cada, e eles já contam que são oito Terrores, fica óbvio que cada episódio abordará um deles e como eles vão enfrentar algo indestrutível. Certo? O que poderia dar errado? Bom, tudo!

Primeiro que a história acaba não se prestando para inserir bem os terrores, ou simplesmente tornar a explicação da existência deles clara para seu público, deixando a cargo da enciclopédia de bruxaria e misticismos de Ambrose (Chance Perdomo) aparecer com a explicação mastigada e ser extremamente expositivo, quase que uma aula. Outro ponto é como eles acabem perdendo tempo em arcos fracos, como a banda da Roz (Jaz Sinclair), Harvey (Ross Lynch), Theo (Lachlan Watson) e Robin (Jonathan Whitesell). Temos literalmente mais da metade de um episódio dedicado a covers de músicas que não acrescentam em nada a trama, ou que tenham alguma justificativa dentro da história que faça ela se desenvolver. É como se o criador quisesse repetir o mesmo que ele faz a outra série irmã, tentando fazer o seu Glee.

Uma diferença gritante entre a primeira temporada (partes 1 e 2) para esta temporada (parte 3 e 4), e principalmente a esta última parte, é como a importância do coven em si se tornou descartável, ou simplesmente não tão importante assim. Nas primeiras partes tivemos toda uma questão sobre a série abordar esta religião, utilizando elementos e representações deles, o que gerou conflito, mas quando tivemos a troca do deus adorado, não tivemos algo que vemos em outras séries de bruxas que acabam explorando um pouco da religião wicca, e ainda colocar a deusa grega das bruxas e da magia, e só recorrer a ela apenas no momento crítico da história, sem contextualizá-la ou fazer dela uma personagem dentro da trama, não apenas uma imagem adorada, faz questionar que a história se focou mais em criar um hit adolescente da primeira década dos anos 2000.

Até mesmo os Terrores foram subdesenvolvidos, não que eles tenham sido mal trabalhados, mas que é perceptível que eles não se importaram em construir personagens overpowered, além da realidade e da existência, e apenas reproduzir de qualquer jeito em tela. Até como eles atuam para consumir a realidade e a existência ficou mal representada ou falha, com formas de contê-los de forma idiota, para não dizer coisas piores.

Fica evidente que até os atores estavam em seu limite de atuação, e diversos retcons foram inseridos nesta parta, seja para atender a pedidos dos fãs, ou simplesmente para fazer que os personagens tivessem algum motivo para estarem envolvidos em determinada trama ou justificar sua existência. Até as adições surpresas da atrizes que fizeram Tia Zelda (Beth Broderick) e Tia Hilda (Carolina Rhea) na série dos anos 1990 poderia ter sido uma grande homenagem a ela, mas acaba sendo uma grande piada, principalmente quando vemos o Salem, que não é aquilo que pedimos a tanto tempo para ele falar.

O Mundo Sombrio de Sabrina é a representação em formato de série do meme: Início de um sonho… deu tudo errado! Mesmo com a terceira parte perdendo mão no que diz desenvolvimento de trama e personagens, a quarta parte talvez conseguisse retornar para aquilo que as duas primeiras temporadas estabeleceram, com uma série mais dark sobre a adolescência, de uma meia humana, meia bruxa, e conseguir inserir temas poderosos que cercam a analogia das bruxas dentro do mundo das produções cinematográficas. A quarta parte apenas tenta maneirar o que a terceira decepcionou, mas consegue superar a vergonha alheia de ver que importa mais fazer um musical infernal, com um Lúcifer canastrão, e personagens masculinos que estão sob regime Taylor Lautner em Crepúsculo, do que abordar uma história de terror sobrenatural que discute maturidade e lugar de fala dentro de uma sociedade machista.

O Mundo Sombrio de Sabrina

O Mundo Sombrio de Sabrina
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Agora com duas Sabrinas, uma no reino mortal e outra no reino infernal, a bruxinha adolescente, junto com seus amigos e seu coven vão enfrentar o perigo dos Terrores Sobrenaturais, entidades anteriores a existência e ao tempo, que estão despertando para consumir toda a realidade, e antecedem a chegada do Vazio, o mais poderoso que consumirá toda a existência
Agora com duas Sabrinas, uma no reino mortal e outra no reino infernal, a bruxinha adolescente, junto com seus amigos e seu coven vão enfrentar o perigo dos Terrores Sobrenaturais, entidades anteriores a existência e ao tempo, que estão despertando para consumir toda a realidade, e antecedem a chegada do Vazio, o mais poderoso que consumirá toda a existência
2/5
Total Score

Feitiço do Bem

  • Finalmente acabou

Maldição

  • Perda do tempo de desenvolvimento para arcos que são vergonhas alheias sem impacto na história
  • Decisões mal-feitas para encerramento de arcos ou explicações
  • Explicações expositivas ao extremo sem tempo para trabalha-las de forma mais efetiva
  • Roteiro que acha mais importante fazer um grande número musical de cover do que desenvolver a história direito
  • Desperdício de participações especiais


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