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A Era de Prata da Disney | Cinderela

Não posso começar dizendo que não estou incrívelmente intusiasmada com esse artigo. Cinderela é a minha princesa favorita de toda a linha Princess da Disney. E o seu filme pra mim é o mais incrível de todos. Decerto que tivemos muitas pricesas depois de dela que veio se mostrando digna e forte conforme sua época, mas pra mim, Cinderela mostra sua força, muito antes do seu tempo.

Contexto histórico

Como explicado anteriormente, a Segunda Guerra Mundial, mesmo cinco anos após seu fim, ainda cobrava seu preço. Mas as coisas finalmente estava começando a melhorar. Depois do relativo sucesso de As Aventuras de Ichabod e Sr. Sapo, a Disney resolveu apostar alto mais uma vez, retomando a magia que foi entregue nos filmes da Era de Ouro.

Já fazia quase oito anos desde seu ultimo longa-metragem, Bambi, que não foi o sucesso esperado, entretanto depois de tantas coletâneas, Walt Disney estava disposto a colocar todas suas fichas novamente em um filme único de longa-metragem. E foi ai que surgiu Cinderela.

Apostando Alto: Cinderela e o retorno triunfante de Walt Disney

Cinderela é décimo-segundo longa-metragem de animação dos estúdios Disney lançado nos cinemas em 15 de Fevereiro de 1950. O filme foi dirigido por Clyde Geronimi, Hamilton Luske e Wilfred Jackson e produzido por Walt Disney, baseado no conto de fadas “A Gata Borralheira”  do autor Charles Perrault.

As canções de Cinderela foram compostas por Mack David, Jerry Livingston e Al Hoffman. Podemos destacar as canções “A Dream Is a Wish Your Heart Makes“, “Bibbidi-Bobbidi-Boo“, “So This Is Love“, “Sing Sweet Nightingale“, “The Work Song” e “Cinderella” que estão incluídas no filme.

Segundo pesquisas e relatos, dizem que Cinderela era a princesa favorita de Wlat Disney. Não que tivessem muitas para escolher. No entanto, o que contam, é que a história da Gata Borralheira fazia um paralelo com a vida do próprio Walt Disney.

Isso por si só já desperta nossa a atenção e duvida. Até que ponto a história de vida de Walt Disney é fabricada para se encaixar em um certo tipo de narrativa?

As dívidas do estúdio

Devido aos fracassos atrás de fracassos nas bilheterias, causadas principalmente pela Guerra, a Disney detinha dívidas absurdas de 4 milhões de dólares e beirava a falência. A fim de apenas manter o estúdio aberto, foi lançado filmes de coletâneas, arrecadando o suficiente para não fechar as portas.

Portanto, Disney precisa de algo estrondoso. Grandíoso. Tão magnífico, que estourasse nos cinemas, a ponto de arrecadar não somente para o filme se pagar, mas também para quitar todas as dívidas. Então não nada surpreendente que eles tenham escolhido um conto de fada para adaptar, considerando o grande sucesso que foi Branca de Neve e os Sete Anões mais de dez anos antes.

As tentativas de fazer Cinderela antes do sucesso

Fato é que em 1922 já havia sido esboçado uma primeira versão de Cinderela, antes de Walt criar seu próprio estúdio, o Laugh-O-Gram, onde ele trabalhava com Ub Iwerks. Essa versão não era apenas sem cores e sem falas, mas uma narrativa mais clássica, porém com uma leitura mais moderna.

Já na Disney, anos mais tarde, Walt quis reviver Cinderela, em mais um curta para lançar como parte da sua série de curtas, as Silly Simphonies, no entanto o projeto acabou sendo abandonado, e nunca completado. Ainda bem, imagina que tristeza, Cinderela se resumindo em um curta metragem.

Posteriormente, em 1940, Disney mais uma vez tentou reviver Cinderela. Mas como sabemos, a Segunda Guerra foi um impecilho, e a ideia foi guardada mais uma vez. No entanto, com o fim da guerra e as dívidas ainda muito altas, as coletâneas não arrecadando o suficiente, Disney precisou apostar em um novo longa.

Antes de tudo, Cinderela foi uma escolha, não somente para fins financeiros, apesar da obvia necessidade. Foi escolhido também, por conta do carinho inegavel que Disney sentia pela história. Portanto, mesmo sabendo dos riscos de produzir um longa na época, principalmente se fosse um fracasso financeiro, Walt queria uma história que agradasse ao público e, confiando em seus instintos, decidiu investir em uma história que sempre o atraiu.

Por fim, era hora de voltar aos longas-metragens. Hora de voltar aos contos de fadas, de voltar à Cinderela. Então em 1948, ele anunciou seu plano de trazer a Cinderela e os estúdios de volta a glória.

Produção

A produção de Cinderela é simbólica por vários motivos. Primeiramente podemos destacar o fato de que o filme é o primeiro filme dirigido por nove animadores seniores apelidados por Walt como “Nove Anciões”.

Os “Nove Anciões” são os animadores mais notáveis do estúdio e braço direito de Walt Disney. Portanto, ele acreditava que fazia sentido eles liderarem a produção de Cinderela. Ainda mais porque o futuro da empresa dependia do sucesso deste filme, obviamente ele precisava que tudo corresse bem. Então escolheu os animadores mais confiáveis para que as coisas não saissem do controle e do plano.

Nesta animação não houve reservas quanto a qualidade, e os esforços eram total quanto a fazer o filme da melhor maneira possível. A saber, Cinderela era a aposta máxima, e não havia espaço para erros.

A fim de que tudo ocorresse da melhor forma possível, Cinderela foi completamente filmado em live-action, com cenarios e tudo mais. Isso porque assim ficava mais fácil dos animadores enxergarem o todo, e também serviu também para analisar o roteiro, e saber se estava fluindo de forma coesa.

Em contrapartida, apesar de ser um método eficaz, isso não significava que era a melhor forma. Houve problemas também, já que animar diretamente do live-action, impedia certas libertadas criativas, e os animadores precisam animar tudo ao pé da letra. Todavia, mais tarde, foi dada a escolha a eles. Poderiam fazer a animação de forma livre ou literal copiando o passo a passo dos atores.

A qualidade na animação de Cinderela

Nem preciso dizer que aqui a qualidade da animação é inegavelmente superior aos filmes anteriores lançados na Era da Guerra. As imagens e os belos cenários são lindos, polidos e demostram o cuidado do estúdio e além disso revelam que a Disney da Era de Ouro voltou.

Da mesma forma que os primeiros trabalhos de Walt, Cinderela se vê como uma forma de arte, não uma história, e suas animações são lindas e de cair o queixo. Da sala de estar da casa da Cinderela ao pátio onde a fada madrinha aparece, até o palácio onde existem aquele salão e jardins onde a Cinderela e o príncipe dançam. Tudo é impecável e certamente de uma qualidade muito alta.

De fato, as sequências fazem questão de nos mostrar, antes de mais nada, o poder que esses artistas e animadores tem apenas com seus lápis, tintas, canetas e pincéis. Acima de tudo, a atenção aos detalhes é surreal, e em cada canto da tela podemos perceber o nível de cautela. Sem falar no uso das cores, que são todas tão vivas, tão bem pinceladas, e realmente se destacam. Nesse sentido, Cinderela faz um excelente uso das cores, e podemos perceber o quanto as cores ajudam a realçar as emoções que o filme quer nos passar.

Walt Disney mais tarde revelou que sua cena favorita do filme é a transformação da Cinderela. E podemos entender porquê. A cena é inegavelmente linda. Elegante e bem feita, sobretudo o uso das cores, o sentimento retratado, a felicidade que sentimos por ela, tudo isso cativa e prende o expectador. Como resultado esta cena se tornou uma das mais iconicas e mais relembrada de toda sua filmografia.

A principal diferença dos filmes da Disney está não só na sua história, mas também no mais alto nível artístico a que cada cena foi atribuída. Segundo este conceito, Cinderela pode ser considerado um dos filmes mais simbólicos, combinando todo o seu poder, arte, conceitos que fazem a Disney ser a Disney.

Crítica, Lançamento e o Sucesso de Cinderela

Decerto que não preciso dizer que Cinderela foi um sucesso estrondoso! Não estariamos aqui se não tivesse. O filme foi aceito de tal forma que recebeu um retorno financeiro tão alto que foi possível financiar as demais animações que vieram posteriormente, além de conseguir criar sua própria distribuidora, produzir para a televisão e ainda construir a Disneylândia;

Além disso, no Rotten Tomateo o filme tem a pontuação de 97% da crítica especializada e 80% da audiência popular.

O filme também recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Canção Original (“Bibbidy-Bobbidi-Boo”). Ganhou o Urso de Ouro de Melhor Musical, no Festival de Berlim e recebeu um prêmio especial, concedido a Walt Disney, no Festival de Veneza.

Por fim, isso marca o retorno incontestavel de Walt Disney, e também segmenta e enraiza a empresa, trazendo os holofotes novamente para eles.

A história de Cinderela

Por certo, não preciso fazer resumo do filme aqui, a essa altura sei que todos já assistiram ao filme, e se não ao original, as muitas adaptações que foram feitas desta mesma história.

Cinderela pra mim se destaca não só por toda a impecabilidade no trabalho dos animadores, e sim porque ela é uma princesa que está a frente de seu tempo.

Veja bem, muitos dizem que Cinderela se resume a ela ser salva pelo Príncipe e sair da miséria para o luxo. No entanto, é posso realmente dizer que não se trata disto este filme, salvo que em nenhum momento ela sequer é salva pelo príncipe.

Cinderela é o filme de uma garota que antes tinha tudo que uma garotinha podia sonhar, um pai que a amava, um lar, carinho e amor. E inesperadamente ela perde tudo isso, e se vê presa a uma mulher que a detesta e a duas meia-irmãs maldosas e folgadas.

Posteriormente, um baile é dado pela família real para que o príncipe possa achar sua noiva, e quando o convite chega até a família de Cinderela, tudo que ela pensa é em poder sair um pouco de sua rotina. O mais engraçado, é que se fomos pensar, Cinderela só queria dançar um pouco e nada mais. E veja bem, isso é tão verdade que quando ela se dá conta do horário enquanto conversa com o príncipe, ela nem se dá conta de que ele é da realeza.

Por fim chegando a parte do sapatinho, onde todos estão a sua procura, não é o principe que a salva, e sim os amigos que ela cultivou em seu lar. Em nenhum momento ela é salva por um cara, além disso, tudo que ela conquista ao longo do filme foi por mérito próprio. E isso mostra a essência do filme, que é sobre sonhar e lutar pelo que acredita.

Outras Adaptações

Certamente que você já assistiu a outros filmes adaptados do filme de 1950. Seja em um aspecto mais de época ou algo mais contemporâneo.

Em resumo, Cinderela é um filme que ganhou muitas adaptações ao longo dos anos, além de também ter duas sequências oficiais lançadas pela Disney. Em 1997 o estúdio lançou também uma outra versão em live-action de Cinderela e a atriz que interpretrou a protagonista foi Brandy Norwood, a primeira mulher negra a interpretar a princesa.

Não apenas essas suas sequências animadas, mas também recebeu sua versão em live-action lançado em 2015 também pela Walt Disney Studios.

Outros filme são:

  • Para Sempre Cinderela (1998) com Drew Barrymore
  • A Nova Cinderela (2004) Com Hilary Duff
  • Uma Garota Encantada (2004) com Anne Hathaway
  • Cinderella (2006) uma produção sul coreana
  • Deu a Louca na Cinderela (2007) animação da Europa Filmes
  • Outro Conto da Nova Cinderela (2011) com Selena Gomez
  • Cinderela Pop (2019) um filme brasileiro protagonizado pela Maísa

Lembrando que além de Cinderela, assim como suas duas sequências, e o live-action de 2015 estão disponíveis no Disney+



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