The Mandalorian [2ª Temporada]

Existe uma maldição dentro do mundo das séries onde você pode notar que quando a primeira temporada é muito boa, a segunda temporada tende a ser perdida e não alcançar o mesmo patamar que a temporada de estreia. Tudo bem que hoje em dia muitas séries que tiveram um grande sucesso em suas estreias e são renovadas tem segundas temporadas que se livraram dessa maldição, mesmo que a base dessa história venha de uma grande franquia cinematográfica que geralmente tem em suas segundas produções problemas claros de construção e desenvolvimento que não diverge de seu antecessor. Mas para os fãs de uma galáxia muito distante, The Mandalorian retornou para uma segunda temporada já com um coroa do Emmy, e teve nesta sequência uma história melhor trabalhada e que conseguiu criar histórias paralelas que não perdesse sentido dentro da história principal.

Após o final surpreendente da primeira temporada, Din (Pedro Pascal) continua sua jornada atrás do povo a qual a pequena Criança pertença. Ao longo desta nova jornada ele busca informações de outros mandalorianos, ou rastros de seu povo que possam dar um caminho a seguir. Ele reencontra velhos amigos, alguns inimigos, e conhece novos personagens dentro desta grande epopeia galáctica. Até encontrar personagens queridos dentro do universo que foram apresentados em outras produções e que quebraram a internet ao aparecerem na temporada. E que termina de uma forma tão aberta que deixa uma pulga atrás da orelha para saber qual caminho seguira na terceira temporada já confirmada pela Disney.

Apesar de continuar trilhando um sucesso de desenvolvimento e honrando o que foi construído na franquia nos últimos 40 anos, a segunda temporada mantem sua qualidade narrativa e de construção de personagens, universo e desenvolvimento de narrativa muito bem. Mas diferente de sua temporada de estreia, a segunda temporada acerta em criar uma coesão em suas histórias paralelas com a história principal. Como apontada em nossa análise da primeira temporada, a história se desenvolve linearmente com uma história central na maioria dos episódios, e tudo esta conectado diretamente nos episódios da primeira temporada, com exceção dos episódios 5 e 6 da primeira temporada, que simplesmente te coloca num novo contexto, e que te deixa perdido com a jornada de Din com a Criança.

Tudo bem que estes episódios trouxeram personagens que revisitamos nesta temporada, e que se tornaram icônicos para essa história, mas a construção destes episódios fica perdido na proposta que estava em desenvolvimento até então. Essa construção mais como “o caso da semana” funciona dentro de um narrativa quando, mesmo sabendo que elas não tem uma relação direta ou intrínseca a história principal ou desenvolvimento dos protagonistas, ela deixa fragmentos ou elementos que são essências para que a história principal ande. E isso conseguimos perceber melhor neste segunda temporada.

Seja o episódio que encontramos novos Mandalorianos que seguem regras diferentes da que conhecemos, seja o episódio que Din leva uma passageira para segurança de sua prole, ou simplesmente ele ajudando a acabar com uma instalação secreta do Império. Esses episódios por mais soltos, levam ao próximo passo, que leva ao próximo e assim sucessivamente. Mas o que ressalta é como a relação paternal de Din com a Criança começa a ficar mais profunda.

A temporada pode ter sido muito mais coesa em construção de relação entre os novos personagens, mas ela serviu para duas coisas muito importantes, que pode ter passado despercebido dos fãs, após o famoso Dia do Investidor da Disney: essa temporada serviu para definir as novas produções futuras dentro do universo do The Mandalorian. Temos um arco importante com a personagem Cara Dune (Gina Carano) a qual veremos no spin-off Rangers of the New Republic; e a reintrodução, agora com uma atriz, de Ahsoka Tano, vivida pela Rosario Dawson. A introdução de Ahsoka parou o mundo de Star Wars, ainda mais que semanas depois foi revelado sua série própria para os próximos anos, mas essa é conversa para outra matéria.

Mesmo preparando o terreno para seus spin-off, seja mostrando porque tal personagem conseguiu fugir, ou porque ele simplesmente apareceu para depois sumir, The Mandalorian ainda consegue guardar a surpresa máxima para seu series finale: a aparição de Luke Skywalker (Mark Hamill), como o jedi chamado pela criança, para ajudá-lo em seu treinamento.

The Mandalorian conseguiu se consolidar ainda mais como uma das melhores produções dentro do universo de Star Wars, que consegue surpreender, seja inserindo personagens clássicos como Boba Fett (Temuera Morrison), ou reapresentando personagens conhecidos mas agora com um ator dando vida a ele, como a própria Ahsoka (Rosario Dawson). A história ainda consegue elevar a relação paternal entre Din, um guerreiro com um passado ainda pouco explorado e sua relação com Grogu, sim tivemos a confirmação do nome da Criança, ou Baby Yoda, para os íntimos. E essa relação fica ainda mais tocando no final quando Grogu decidi ir com Luke e começar seu treinamento, e como Din revela seu rosto para àquele que considera como um filho, e deixa ainda mais em aberto como será a terceira temporada, com uma cena pós-crédito misteriosa que deixa a dúvida se continuaremos a ver Din ou não.

The Mandalorian [2ª Temporada]

The Mandalorian [2ª Temporada]
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Continuando sua jornada pela galáxia para encontrar o povo da Criança, o mandaloriano reencontra amigos, inimigos, faz novas amizades e busca mais informações entre sua própria raça, enquanto descobre mais sobre a Criança, Jedi e um possível levante do Novo Império
Deixando uma narrativa mais amarrada dentro de seu desenvolvimento, a segunda temporada de The Mandalorian soube equilibrar uma jornada iniciada na primeira temporada de forma a deixar os fãs e aqueles que passaram a conhecer a franquia entusiasmados em ver o que vai acontecer no próximo episódio, e ainda aquecer o coração ao introduzir personagens de outras histórias dentro da franquia para dar continuidade a essa grande epopeia galáctica sobre paternidade.
5/5
Total Score

Fofo como Grogu

  • Desenvolvimento de narrativa mais coerente e coesa, se conectando a todo momento com a história principal
  • Relação entre Din e Grogu mais proeminente
  • Introdução de personagens queridos dos fãs, suprindo o fan-service
  • Retorno de personagens e locais da primeira temporada que funcionam para a jornada
  • Mais aprofundamento na conexão da série com a mitologia da franquia como um todo
  • Antagonistas muito bem desenvolvidos e que serve de ótimo contraponto com os heróis
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