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Querência

Querência é uma palavra usada em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, que significa “o lugar onde uma pessoa nasceu, cresceu ou viveu”. Na Querência de Helvécio Marins Jr., o termo significa o movimento do filme porque a narrativa vem de Marcelo (Marcelo di Souza), que decidiu sair de Unaí depois que a área rural foi vítima do maior ataque de gado da região. Querência segue um caminho muito emocionante, que é descobrir novos universos a partir do tempo observado. Nas imagens e perspectivas requintadas, ele ficcionaliza a vida de um peão de boiadeiro e obtém a realidade que muitas pessoas ainda desconhecem.

O filme é contaminado pela despedida melancólica de Marcelo, que nasceu aqui e passou a vida inteira. As escolhas estéticas de Querência refletem esse sentimento, e o tempo de planejamento estendido estende uma pequena parte do dia a dia de Marcelo. A câmera está sempre estática e às vezes se move lentamente conforme o personagem se move.

Em algum momento, Helvécio Marins optou por filmar o espaço onde ocorre os diálogos durante as falas do personagem, ao invés do plano da pessoa envolvida na ação da cena. Dessa forma, o espaço torna-se muito importante para a narrativa, mostrando ao público sua relevância para o protagonista do filme. Essa escolha, somada à fotografia de Arauco Hernández Holz, produziu imagens surpreendentes no meio rural de Minas Gerais.

Mas apesar de sua beleza, Querência tem suas dificuldades. Perdido entre o desejo ou fidelidade da criação ou realidade, curiosamente, o amor pela terra, a ansiedade sobre o próximo jogo, o adestramento de gado improvisado, a rima meticulosa, a narração do aspirante a locutor e a experiência no palco, mas isso parece aleatório para quem assiste. Como muitos curtas feitos separadamente e juntados sem uma conexão que faça sentido no todo.

No entanto, mesmo com essas dificuldades narrativas, o arco de Marcelo em Querência e a do homem do campo é algo significativo e muito bonito de ver. Mesmo que o filme seja fragmentado – não sabemos quanto tempo leva na narrativa – o protagonista se desenvolveu muito. Marcelo começou como uma pessoa comum trabalhando em uma fazenda, e aos poucos foi aprendendo o que realmente gostava, se tornou locutor de rodeio.

O filme aposta em um tentativa de desmitificar o esteriótipo do homem sertanejo e tenta apresentar uma complexidade maior a eles, não muito bem sucedida, pois apesar de tudo, Querência ainda se prende a esses mesmos esteriótipos, do homem da cidade pequena onde nada acontece, os assuntos são limitados em um mundo longe de internet e certas tecnologias vistas em cidades grandes. Mas é bem colocada apesar de tudo, ao discutir politica e posicionamentos sociais demonstrando que apesar de “isolados” eles estão informados.

É um filme melancólico. Não acerta em toda sua propósta, e se entrega um pouco confuso ao não saber costurar completamente o que se está mostrando, mas ainda sim, Querência tem cenas lindas, uma fotografia de tirar o folego, e mesmo em sua confusão mostra uma história de vida e descobrimento que torna o filme algo digno, mesmo que não memorável.

Querência

Querência
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Querência acompanha Marcelo, um cowboy de uma fazenda que usa seu tempo livre para executar sua sua verdadeira paixão: locutor de rodeio. Um dia, ao voltar para casa, ele se depara com um homem armado que quer roubar seus gados, e seu cavalo Appaloosa. Traumatizado, ele recorre à irmã Márcia, que mora no Rio de Janeiro, para ajudá-lo a superar o acontecimento.
Querência acompanha Marcelo, um cowboy de uma fazenda que usa seu tempo livre para executar sua sua verdadeira paixão: locutor de rodeio. Um dia, ao voltar para casa, ele se depara com um homem armado que quer roubar seus gados, e seu cavalo Appaloosa. Traumatizado, ele recorre à irmã Márcia, que mora no Rio de Janeiro, para ajudá-lo a superar o acontecimento.
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