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A Era da Guerra | Música, Maestro!

Se você acha que Fantasia era um filme esquecido na fila do pão entre as animações da Disney, você se enganou. Música, Maestro! (Make Mine Music) é que realmente é um filme esquecido. Nem sequer temos disponível no Disney+, mas não é também, a primeira vez que é esquecido e deixado de fora, mas falamos disso mais tarde.

Continuando nossos artigos sobre As Eras da Disney, hoje vamos falar do oitavo filme produzido pela Walt Disney Animation, e o terceiro dentro dos anos de Guerra: Música, Maestro! Dirigido por Jack Kinney, Clyde Geronimi, Hamilton Luske, Joshua Meador e Robert Cormack, é mais um filme da série de longas-metragens compostos por histórias curtas, que marcaram suas produções nos anos 40, com a falta de recursos provocada pela Segunda Guerra Mundial. Música, Maestro! foi uma decepção, para a visão particularmente crítica de Walt Disney e também não foi bem recebido pela crítica cinematográfica.

Bem, e porque logo de cara fiz menção de relembrar de Fantasia? Bem, escrevi isso no artigo onde falo sobre ele, mas recapitulando aqui rapidamente, fazia parte dos planos de Walt Disney continuar relançando Fantasia ao longo dos anos, com novas animações e novas músicas clássicas. Porém o fracasso de bilheteria, em partes por causa da própria Guerra, não permitiu essa ambição.

Então o que aconteceu foi que recebemos um monte de junções de curtas-metragens de baixa qualidade, com um monte de propagandas políticas embutidas, e a Disney tentando sobreviver a esse período obscuro, e parte desta coletânea era uma tentativa – não muito bem sucedida – de tentar recriar as ideias de Fantasia, mas de um jeito mais escasso de qualidade. O filme que mais se parece com ele é exatamente Música, Maestro! que podemos considerar seu primo pobre. Felizmente, Fantasia é tão rico que até seu “primo pobre” tem coisas à oferecer, se saindo como um dos filmes desse período mais inofensivos e menos piores.

Assim como os outros filmes lançados nesta época, Música, Maestro! é um junção vários curtas-metragem, e não exatamente seguem uma linha única de história. Neste aqui contamos com dez curtas e o único denominador comúm é – como diz o próprio título – a música. É isso que quero dizer quando falei que ele segue Fantasia. Inclusive tem frames descartados de Fantasia que foram inclusos neste filme.

Mas diferente de Fantasia, onde as músicas são clássicas, ouvidas em concertos e completamente elitizadas, em Música, Maestro! eles te entregam músicas populares, que estavam na moda na época. Lembrando que Fantásia foi um fracasso entre os críticos e o público, então eles precisavam ser muito cuidados na hora de seguir essa linha novamente, e ultilizar de músicas mais conhecidas, que tocavam normalmente em rádios, era um opção mais viavel. Além disso, o estilo mais polido conhecido dos estúdios foi abandonado, e aqui se segue uma animação mais comediante, que eram mais comúns na época.

Apesar de tudo isso, os animadores de Música, Maestro!, em alguns curtas, tentaram trazer a mágia de Fantasia, em tecnicas mais delicadas e artisticas, o que no fim acabou trazendo um filme muito disforme, e nada coeso. E talvez seja esse o maior problemas dos longas desta fase. Porque, por mais que separadamente esses curtas funcione muito bem, juntos eles simplesmente não funcionavam e acabavam por cansar o espectador. No fim, literalmente, tudo que eles faziam eram criar curtas de pouca qualidade, juntar tudo lançando no cinema como longa na tentativa de arrecadar alguma bilheteria o suficiente para manter o estúdio vivo, e passar logo desta fase, empurrando tudo com a barriga.

Mas quando se trata de Música, Maestro!, é um dos menos priores neste sentido, e se apega ao campo da música, ele ainda consegue manter a conexão entre as várias partes, mesmo pouca. Até arte é melhor do que outros filmes deste período. Claro, ainda há problemas de foco e coesão, mas eles são mais suaves. Música, Maestro! é o filme mais confiante entre os lançados dentro desta era.

Os dez segmentos

A Balada dos Camponeses:

Um popular grupo coral do Rádio norte-americano, canta a história do feudo Hatfield-McCoy, que morava nas montanhas. Dois jovens se apaixonam, separados pelo vale entre os montes onde viviam. Este segmento foi, mais tarde, cortado das edições em vídeo, por causa do humor de guerra.

Canção do Lago Azul

Foi originalmente projetado para integrar Fantasia, usando a canção “Clair de Lune” – e que inspirou o nome do restaurante na “New Orleans Square”, da Disneylândia.

O Lápis Musical

É um dos segmentos para os quais contribuiu Benny Goodman. Possui uma inovação, com um lápis puxando a ação, mostrando aquilo que acontecia com os jovens na época, através de uma música popular dos anos 40.

Recital de Amor

Balada sobre amor perdido, cantada por Andy Russell.

No Ritmo de Baseball

Realizado por Jerry Colonna, que recita um famoso poema sobre um jogador de baseball arrogante, que julgava ser o centro do mundo.

Sinfonia a Dois

Em live-action com os bailarinos David Lichine e Tania Riabouchinskaya, filmados apenas em sombra, com a cantora Dinah Shore cantando a música-título. O quadro é completado com animações.

Pedro e o Lobo

Talvez o único segmento que teve uma impressão mais duradoura. Sterling Holloway narra esta adaptação da composição de Prokofiev sobre um garotinho russo que sai para caçar um grande lobo mau, junto a um curioso grupo que inclui uma pata, um gato e um pássaro, cada um deles representados por um instrumento da orquestra (violino, flauta, oboé etc.).

A dança dos Instrumentos

Traz novamente Benny Goodman com sua orquestra, em que quatro instrumentos com formas humanas se divertem.

O Casal de Chapéus

Conta a história, graciosa e cômica, de dois chapéus que se apaixonam na vitrina de uma loja. Quando Alice é vendida, Johny inicia a busca desesperada de seu amor, até encontrá-la novamente, ambos já bastante esgarçados, como ornamento de pobres cavalos de charrete. O vocal foi feito por The Andrews Sisters.

Uma Baleia na Ópera

Conta a história de uma baleia cachalote que possui um Incrível talento musical, e que acalenta apresentar-se na ópera. Mas o ignorante empresário musical Tetti-Tatti acredita simplesmente que ela havia simplesmente engolido os cantores, e a persegue com um arpão. O segmento apresenta o cantor Nelson Eddy fazendo todas as vozes.

Bem, apesar do esforço de tentar recriar o que foi feito em Fantasia, Música, Maestro! não é muito bem sucedido, porque apesar de ter em comúm a música, os curtas nele apresentado não conversam e convergem uns com os outros, e apesar de alguns frames tentar recriar algo semelhante a qualidade artistica de Fantasia, não dá muito certo. E apesar de tudo, o filme até ganhou um premio no Festival dos Cannes de 1946 como Melhor Design de Animação.

Bem, Música, Maestro! foi lançado aqui no Brasil em abril de 1946 e nos EUA em agosto daquele mesmo ano. Ele foi lançado em laserdisc no Japão em 1985 e em VHS e DVD em Junho de 2000 na coleção Gold Classic Collection.

Antes desses lançamentos, dois segmentos foram lançados individualmente em VHS junto com outros desenhos adicionais nos anos 80 e 90. Nenhum outo lançamento de Música, Maestro! foi feito e esse é o único longa da Disney sem ser lançado em DVD Região 2 ou 4, o que desapontou muitos fãs. Eu disse, mais esquecido na fila do pão que esse filme não tem!

Bem, a verdade é que esse filme na verdade se perdeu, e já que nem mesmo Walt Disney gostava dele, e a critica não morreu de amores, foi completamente deixado de lado. Veja, esse foi o primeiro filme pós-guerra, lançado em 1946 – a Segunda Guerra Mundial acabou oficialmente em 1945, e sem a obrigação da Política da Boa Vizinhança, havia certas expectativas em cima deste lançamento, que claramente não foram sequer atendidas. Muitos acreditavam que Música, Maestro! seria o grande retorno de Walt Disney e sua casa de animação, com todas as turbulências da guerra de lado deixando espaço para que a magia e a qualidade de suas obras pudessem ser recuperadas.

Bem isso não acontece, não de imediato. E ainda tem mais alguns anos de luta antes de Walt Disney surpreender a todos com um novo filme de qualidade.

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