Fada-Madrinha



Um dos elementos mais importantes num conto de fada é sem dúvida, a Fada-Madrinha, ser com poderes incríveis que faz com que seus protegidos tenham pelo menos um pouco da magia e consigam trilhar uma jornada incrível. Mas como as fadas-madrinhas estão lidando com a realidade em um mundo caótico, quando a magia não tem espaço, e precisamos viver mais na realidade. A nova produção original do Disney+, Fada Madrinha (Godmothered) mostra que só é preciso de uma simples fada para fazer as pessoas acreditarem na magia.

A comédia se inicia como qualquer conto de fada: Era uma vez, uma jovem fada-madrinha que está estudando para se tornar uma fada-madrinha, mas que seu sonho pode acabar pois nenhum humano precisa do felizes para sempre como as fadas proporcionavam. Para tentar salvar o Terra-Madrinha, ela parte em busca da última menina que ainda acredita em magia, Mackenzie (Isla Fisher). Mas quando Eleanor (Jillian Bell) percebe que a jovem Mackenzie na verdade é uma mãe viúva infeliz, seu desafio de dar o felizes para sempre será mais difícil.

Brincando com seu próprio universo, Fada Madrinha constrói uma comédia leve, e que é carregado de referências ao longo da história, mas que a própria história não passa do básico. A própria jornada da Eleanor com a Mackenzie falta um certo tempero, mesmo que a comédia de Jillian seja muito boa e a rebatida mais seca de Isla funcionem até certo ponto, o problema é que não passa do superficial.

Enquanto que a personagem de Jillian transborda a magia em seu olhar e suas ações, acreditando que todos merecem um felizes para sempre, por outro lado Mack traz a nuvem densa chuvosa, sempre negativa tanto que não consegue apoiar sua filha mais velha em se apresentar, mesmo sabendo de sua trava social, e acontecimentos anteriores, e essa dualidade de personalidades por mais interessante, não é tão desenvolvida. Ela apresenta a amizade das duas se formando, mas você não cria a empatia por esta amizade, e acaba não comprando 100% ela.

O filme se faz na comédia mais física, a cargo da Jillian, em fazer dela um ser que não conhece as modernidades da realidade, sua relação com o gênio da lâmpada quando ela vê uma assistente virtual como a Siri, sua indagação sobre mulheres não comandarem “carruagens”, e vários outros momentos cômicos que são apenas pontuais para trazer o riso.

O longa de um modo geral não é ruim – mesmo que só tenha apresentado pontos negativos -, ele tem a cara da Sessão da Tarde Natalina, leve, que trás um elemento mágico, que consegue se comunicar com o público mais velho quanto o público mais jovem, e traz traços de Encantada, sem a relação amorosa dos personagens. O longa ainda reforça no resignificado do felizes para sempre, que não precisa ser necessariamente o modelo clássico, já que o amor existe em diversas formas, e os felizes para sempre se apresenta de inúmeras formas.

Fada Madrinha não é aquela obra de arte do cinema que a Disney está acostumada, é um filme que se encaixa bem na plataforma: não é grandioso, e nem pretende ser, e que se leva nos clássicos filmes de Sessão da Tarde no gênero de fantasia, mas que não entrega mais do que um filme básico de conto de fadas inseridos num contexto contemporâneo e que brinca com o próprio universo criado pela Disney e suas peculiaridades.

Fada Madrinha

Fada Madrinha (Godmothered)
3 5 0 1
Com o intuito de salvar a Terra-Madrinha, a jovem fada em treinamento Eleanor (Jillian Bell) vai para o mundo dos humanos para conseguir o Felizes para Sempre da pequena Mackenzie. Mas ao encontra-la, ela percebe que Mackenzie não é mais aquela garotinha que imaginava, e não acredita em felizes para sempre. Mesmo contrariada, Eleanor tentará fazer Mackenzie, e sua família, felizes de novo.
Um filme básico, que não ultrapassa a superfície quando desenvolve a relação de amizade de Eleanor e Mackenzie, e que se constrói pela comédia física de Jillian, e as autorreferências do filme a elementos clássicos dos contos de fadas, e pequenas piadas dos contos de fadas mais contemporâneos
3/5
Total Score

Bibidi Bobidi Bu

  • Comédia física de Jillian
  • Contraponto de personalidades das protagonistas
  • Resignificação de Felizes para Sempre

A Maldição

  • Falta de empatia na construção da amizade das protagonistas
  • Falta de mais backgrounds das personagens




Postagens Relacionadas