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Estúdios Ghibli | Princesa Mononoke

É simplesmente incrível como Myasaki consegue criar uma história que além de linda, com um grande protagonismo, também consegue nos entreter, mas também analisar a crítica em seu filme. Princesa Mononoke é o segundo filme dos Estúdios Ghibli que assisto, e devo dizer que estou simplesmente encantada com as produções de Myasaki.

Aqui Hayao Miyazaki explora a ganância humana e sua industrialização, o amor impossível, a luta entre o bem e o mal, a mitologia (de seu país, Japão), a história humana, o respeito pela natureza e a necessidade dos humanos de sustentar a vida … e tudo mais. Desta forma, Miyazaki integrou o valor da animação do seu tempo de uma forma que cobre a complexidade de todos os temas que propõe, expõe o seu valor pessoal e torna a sua obra uma experiência completa.

Este filme se passa no período que chamamos de Muromachi, do século 14 ao século 15 no Japão, onde Muromachi é um príncipe de uma aldeia que foi atacado por uma criatura que depois se mostrou um demônio em uma carcaça de javali contaminada com balas de ferro que é a principal hipótese para transformar animais em demônios. Para proteger o seu povo, o príncipe lutou com a criatura que acabou por se enredar nos seus braços contaminando-o. Esta mancha demoníaca iria se espalhar com o tempo e seu corpo sucumbiria ao veneno. O oráculo da aldeia avisou o príncipe que essa mancha poderia acabar com sua vida, tornando-o um demônio. Desta forma, ele parte da aldeia a procura de uma cura.

Ashitaka é uma personificação da justiça, que traz a tona até mesmo uma discução filosófica que coloca Jean-Jacques Rosseau e Thomas Hobbes em uma perspectiva diferente: por um lado, é contra a humanidade. A crença é de que o ser humano é bom e a sociedade é má – e o destrói (Rosseau); por outro lado, uma compreensão da natureza humana – que tem o instinto de sobrevivência – e a sociedade tem a capacidade de educá-lo, humanizar e torná-los diferentes nas interações humanas (Hobbes).

A luta de Ashitaka não é por si próprio. Acontece que ele é um herói altruísta, ele busca a reconciliação entre os dois lados da guerra, então ele se esquece da maldição que sofreu. Hayao Miyazaki construiu tudo de uma forma tão simples e generosa que a aura da filosofia acadêmica se tornou um caminho mais bonito para a vida, provando como uma grande pessoa se preocupa com algo além de seus próprios desejos.

Além disso, essa complexidade é minimizada nas coloridas cenas de ação. A grandiosidade que essas cenas dão ao tema é um elemento lírico, um ritmo visual sufocante: se o conteúdo é universal, então a amplitude da batalha vista é tão grande quanto o mundo – o elemento terror foi adicionado por meio da violência.

Finalmente, San a Princesa Mononoke – pode não ser a protagonista à primeira vista, mas ela é o cerne do próprio filme: “Eu te amo, Asuka, mas não posso perdoar os humanos”. A representação da natureza por uma menina criada por um lobo pode não ter uma relação clara com os míticos gêmeos Rômulo e Remo (salvo e criado por lobos), mas pode causar reflexos sobre o desejo de poder do Império Romano, proveniente de alguém (Rômulo) que também foi criado pela vida selvagem. Afinal, qualquer um de nós é fruto de uma força que é inconsciente e continuamente eliminada, principalmente desde a industrialização.

No filme nós temos grandes representações femininas, não só no protagonismo com San, ou a vilã Lady Eboshi, mas também em colocar as mulheres como fundamentais na manutenção, sustentação e até mesmo nos combates. Em um filme feito em 1997, com o patriarcado ainda muito forte no Japão (e no mundo), ter esse destaque é revolucionário.

A animação que combina fantasia e história para mostrar sentimentos e representatividade ao mundo atraves da dura realidade representada no filme: As árvores que choram todos os dias até hoje, as guerras que criamos a cada segundo e os demônios que crescem em nossos corpos são apenas uma história aqui, mas estão incorporados como realidade em nós.

No fim, Princesa Mononoke é uma fábula que se destaca entre Hayao Miyazaki e o Studio Ghibli. Mesmo assim, é triste perceber que, no mundo real, o poder silencioso da natureza carece da força de San, o que torna a relação entre o homem e sua mãe injusta e cruel. Porém, por outro lado, o desgaste de tudo pode causar fortes repercussões, porque talvez, quando tudo parecer desaparecer, será um fato que assinaremos nosso próprio fim.

Princesa Mononoke

Princesa Mononoke
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Após enfrentar um deus javali enfurecido, o príncipe Ashitaka é amaldiçoado com um mal que pode matá-lo. Para encontrar a cura, ele decide viajar para longe e acaba se envolvendo numa batalha entre os deuses animais da floresta e os moradores de uma vila de mineiros, que aos poucos estão destruindo a floresta.
Após enfrentar um deus javali enfurecido, o príncipe Ashitaka é amaldiçoado com um mal que pode matá-lo. Para encontrar a cura, ele decide viajar para longe e acaba se envolvendo numa batalha entre os deuses animais da floresta e os moradores de uma vila de mineiros, que aos poucos estão destruindo a floresta.
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