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Mulan (2020)

Da linha Disney Princesas, Mulan está entre meus filmes predilétos. O que dizer? A garota consegue salvar a China! Ela salva um país e impede que a guerra fique ainda mais sangrenta e pior! Não há o que dizer, esse filme é incrível e é isso.

No entanto, apesar de ser muito aclamado aqui no Ocidente, os chineses não curtiram muito a animação de 1998, dizendo que o longa é uma afronta a sua cultura e uma zombaria de um de seus contos mais famosos e queridos. O Mushu (Eddie Murphy), o amado dragão de bolso, é uma das maiores ofensas, já que ele seria uma versão pitoresca da Fênix, um dos maiores simbolos da cultura chinesa.

Bem, com a onda de live-action que a Disney vem propondo, Mulan não seria apenas mais uma releitura, mas também uma forma de “redenção” pela animação de 1998, corrigindo os erros, e fazendo um filme mais fiel ao poema original “A Balada de Mulan” em uma tradução livre, e também a cultura chinesa. Bem, com essas mudanças sendo anunciadas, o público ocidental não ficou muito feliz, afinal o filme não teria o Mushu, ou o Grilo da Sorte, a vovó ou o General Shang, nem músicas e tudo que faz da animação de Mulan ser tão querida entre nós. Isso repercurtiu de maneira bem negativa, e o desagrado foi geral.

No entanto a Disney estava bem confiante em seu lançamento, pensando principalmente em agradar o público Chines, que é uma das maiores, não a maior bilheteria mundial. Mas eis que começam os protestos em Hong Kong, quando um projeto de lei foi publicado que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental sob certas circunstâncias. (Para entender mais você pode clicar aqui). E a atriz que estrela o filme Liu Yifei, manifestou apoio a policia local que vinha contendo os protestos de forma bem violenta, e isso gerou revolta entre os chineses que estavam declarando boicote ao filme.

Mas nem precisaram de muito. Desde o final de 2019, a mídia já vinham falando sobre um novo vírus que vinha assolando algumas cidades chinesas, e que mais tarde viria a se transformar em uma pandêmia. A COVID-19 abriu caminho pelo mundo, e fechou os países e os primeiros a serem afetados foram os meios culturais. Cinemas, Teatros, Museus e demais foram os primeiros a serem fechados, e o Mulan que estreiaria em Março teve que ser adiado por conta da situação.

Entre muitos e muitos adiamentos, o filme chegou a estreiar nos cinemas chineses em 11 de setembro, mas foi um fracasso de bilheteria, mas deve-se levar em consideração que muitos cinemas ainda estavam fechados, e ainda era pedido que se evitasse grandes multidões. De acordo com o site do Omelete, o longa abriu nos cinemas com  US$23,2 milhões de bilheteria no país. Não é muito ruim já que superava Malévola: Dona do Mal e Aladdin, mas ainda era bem pouco considerando que todo o filme foi feito para agradar a esse público. O orçamento do filme era de US$200 milhões.

Além da estreia em alguns cinemas pela Ásia, o filme estrelou diretamente no Disney+. A plataforma já tinha estreiado em muitos países pelo mundo, mas não ainda no Brasil. Aqui a estreia ficou sendo adiada e adiada e adiada até que eles simplesmente desistiram de lançar nos cinemas brasileiros e seria lançado diretamente também na plataforma original que desembarcaria no país dia 17 de novembro. O que se esperava era que Mulan e outros lançamentos exclusivos já estivessem completamente disponível na plataforma, porém não foi isso o que aconteceu. Mulan só foi liberado aqui, hoje, dia 04 de dezembro.

Bem, Mulan me surpreendeu apesar das mudanças ocorrida no filme. Em uma linguagem muito mais séria e adulta, o filme não contém aquela magia mais fofa e infantil da animação. A história é bem mais séria e centrada, já que se trata de uma guerra. O que para o live-action combina bem. Apesar de você esperar certas coisas da animação, o fato de elas não estarem presente, não estraga a experiência do filme.

Sim, você acaba sentindo falta das músicas, das trapalhadas do Mushu, ou até mesmo de Shang treinando sua legião, porém o fato de esses elementos não estarem presente no filme, não faz dele uma obra menos digna ou chata. A verdade é que para a nova história e a forma como está sendo contada, acaba sendo bom que esses personagens não estejam ali, já que aqui o foco está diferente.

Uma forma diferente de inserir a magia das músicas, que se tornaram clássica na Era da Renascença da Disney, foi as versões instrumentais de algumas das músicas de Mulan como fundo das cenas, que resgata aquele fã mais assíduo da animação, se ele prestar atenção, já que nosso foco acaba se perdendo prestando a atenção nas cenas.

Aqui o filme também apresenta uma nova personagem, a Bruxa Xianniang, vivida pela atriz Li Hong, que é o contraponto do falcão Hayabusa que vemos na animação. O arco dela apresentado é talvez uma das mudanças mais significativas do filme, e sua história é comovente e compreensiva. Você entende e compreende suas motivações, e pelo que ela verdadeiramente estava lutando: por um mundo onde mulheres como ela e Mulan pudesse ser livres. E neste ponto, o roteiro traça um paralelo entre Mulan e Xianniang, e coloca duas mulheres com habilidades semelhantes, mas que travam caminhos distintos para conseguir serem livres para ser quem são, e não se prenderem nas limitações sociais impostas. Não posso dizer que ela estava errada. Percorreu o caminho errado para conseguir isso, mas você acaba não julgando-a por isso.

Aqui também há uma correção importantíssima dos costumes culturais que foi inserido na animação, onde no fim o imperador se curva à Mulan em agradecimento. A cena foi refeita e tem a participação de Ming-Na Wen, que agora termina com Mulan rejeitando a promoção de trabalhar no palácio real, porque honra significa família, e ela precisava se retratar com a sua, já que tinha fugido e mentindo ao se colocar no lugar do pai dela na guerra.

No fim, Mulan apesar dos muitos altos e baixos desde seu desenvolvimento até a estreia, é um dos meus live-actions favoritos. Apresentou uma releitura que trouxe mudanças necessárias, mas deixou o cerne da história intacta, e que apesar de um novo tom apresentado, de forma alguma se torna um filme indgno de sua animação original. Ela consegue acrescentar e se retratar, e os elementos não presentes não são tão sentidos devido a proposta bem executada.

Mulan

Mulan
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Uma jovem destemida arrisca a própria vida por amor à família e à pátria para se tornar uma das maiores guerreiras de toda a China. Quando o Imperador da China emite um decreto estabelecendo que um homem de cada família deve servir no exército imperial para defender o país dos invasores do Norte, Hua Mulan, a filha mais velha de um honrado guerreiro se apresenta no lugar de seu pai adoentado. Disfarçada de homem, como Hua Jun, ela é testada a cada etapa do caminho e deve controlar sua força interior e abraçar seu verdadeiro potencial.
Uma jovem destemida arrisca a própria vida por amor à família e à pátria para se tornar uma das maiores guerreiras de toda a China. Quando o Imperador da China emite um decreto estabelecendo que um homem de cada família deve servir no exército imperial para defender o país dos invasores do Norte, Hua Mulan, a filha mais velha de um honrado guerreiro se apresenta no lugar de seu pai adoentado. Disfarçada de homem, como Hua Jun, ela é testada a cada etapa do caminho e deve controlar sua força interior e abraçar seu verdadeiro potencial.
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