The Mandalorian

O Disney+ finalmente chegou em terras tupiniquis – e em toda a América Latina – depois de mais de um ano de espera, e finalmente podemos conferir os originais da plataforma que veio para bater de frente na grandiosa Guerra dos Streamings, e principalmente a gigante Netflix, e como o carro chefe da plataforma, nada mais do que uma história original do mundo de aventura galáctico de Star Wars conseguiria tal feito, tanto que The Mandalorian, série sobre a raça – que não é bem isso – de guerreiros lendários da galáxia, que conhecemos na trilogia clássica com o personagem Boba Fett, e que agora conhecemos outros personagem, numa missão ainda mais perigosa, após os eventos da mesma trilogia clássica, após a queda do Império.

A série segue um Mandaloriano (Pedro Pascal), que conhecemos mais para frente seu nome (e seu rosto), que age como um caçador de recompensas, e seus feitos são memoráveis. Mas quando em um de seus trabalhos envolve recuperar um ser misterioso, ele acaba descobrindo se tratar de uma criança, que desperta o interesse nos remanescentes generais e oficiais de guerra do Império. Ele acaba desenvolvendo uma afeição pela Criança, e tenta protegê-la das investidas da Guilda de Caçadores, dos remanescentes do Império Caído e perigos que encontra no caminho.

Pessoalmente, não sou o maior fã da saga de George Lucas, nem mesmo um apreciador passional e passivo da saga. Ela acaba não chamando minha atenção, em particular. Mas acompanhei todos os nove filmes, tenho considerações positivas de alguns – negativas também – mas The Mandalorian conseguiu ser o ponto fora da curva. Não temos nenhuma menção ou referência a termos clássicos da saga, principalmente da clássica. O máximo que temos é termos como Império, Nova República, o próprio Mandaloriano, Stormtroopers. O mais próximo que nos sentimos da aventura de Luke (Mark Hamill), Leia (Carrie Fisher) e Solo (Harrison Ford) é quando vemos Tatooine. Não temos menção a Força, Jedi, ou ao temível Darth Vader. Não até seu termino.

Essa decisão é dúbia: pode ser seu trunfo ou sua desgraça, e no caso de The Mandalorian foi seu trunfo. Estar ligado a saga por conceitos e termos mais generalistas, e não tão específicos, mostra que a existe mais do que a família Skywalker para acompanharmos neste universo. E todo o foco fica apenas na aventura do Mandaloriano com a Criança. Não precisamos ficar esperando algum Jedi aparecer, ou alguém da trilogia aparecer, pois não precisa. A série se mantem sozinha, coesa no universo, mas independente dos personagens. Mas não dos acontecimentos subsequentes a queda do Império.

Toda a construção se mantém bem característica a trilogia clássica, até mesmo a transição de cenas se mantém no mesmo estilo, uma vez ou outra explorando algo mais modernos, como fechar de cortinas na transição de cenas. Quando chegamos em Tatooine ficamos nos questionando se estamos de volta neste local tão marcante, e acabamos reconhecendo as construções arenosas, as vestimentas peculiares, até a revelação que realmente estamos em Tatooine. E não apenas este local, mas todos os locais que conhecemos nesta série mantem um padrão de manter o universo coeso, então não vamos tão, tão distante na galáxia, e acabamos retornando, nos últimos episódios, a cenários conhecidos lá nos primeiros episódios.

Mas não é só elogios que se vive de critica de produções seriadas. Em apenas oito episódios a jornada do Mandaloriano em proteger a Criança acaba esbarrando em dois episódios que parecem perdidos na história. Os quatro primeiros episódios parecem terem sido construído juntos, tanto que os três primeiros parecem um roteiro de um filme pequeno, dividido em três partes, e o quarto quase como um epilogo; enquanto que os dois últimos episódios são um desfecho muito bom, existe os episódios do meio, que mais lembram situações pontuais da jornada dos protagonistas, como se fossem episódios procedurais, e que não conseguimos absorver quase nada para o final. Nenhuma ligação com a aparição do personagem do Giancarlo Esposito, ou um sentimento de desconfiança mais forte no Mandaloriano, já que em ambos os casos, ele acabou ajudando esses personagens, mas eles acabaram traindo ele. Mesmo que um dos episódios mostre algo que deixa subentendido que o arco da Pistoleira não acabou, nada acontece nesta temporada.

The Mandalorian é aquela produção que mesmo que você não goste de Star Wars, você vai se entreter. A história pincela a relação paternal que o Mandaloriano acaba construindo com a Criança, ao mesmo tempo que vai revelando mais do personagem e seu passado conturbado na doutrina Mandaloriana, e sim, a revelação que os Mandalorianos não são uma raça mas uma doutrina me pegou de surpresa, até porque, mesmo assistindo aos filmes, sempre tivemos na cabeça que essa era uma RAÇA de guerreiros, e temos mais esse elemento sendo desenvolvido na série. Com uma primeira temporada bem introdutória, que não revela muitas coisas para quem não é familiarizado com o universo, e quem é familiarizado reconhece alguns elementos e conceitos não verbalizados, e aguardamos surpresas quando acontecem em tela.

The Mandalorian (1ª Temporada)

The Mandalorian (1ª Temporada)
4 5 0 1
Um caçador de recompensas mandaloriano assume um trabalho de resgatar um pacote, mas acaba descobrindo se tratar de uma criança de uma raça conhecida por ter um dos maiores guerreiros Jedi que o universo conheceu, mas sua existência é cobiçada pelos remanescentes do Império Caído. Agora, criando laços com a Criança, eles parte para se esconder de generais do Império Caído e mercenários que buscam vingança e recompensa pelas suas cabeças
Um caçador de recompensas mandaloriano assume um trabalho de resgatar um pacote, mas acaba descobrindo se tratar de uma criança de uma raça conhecida por ter um dos maiores guerreiros Jedi que o universo conheceu, mas sua existência é cobiçada pelos remanescentes do Império Caído. Agora, criando laços com a Criança, eles parte para se esconder de generais do Império Caído e mercenários que buscam vingança e recompensa pelas suas cabeças
4/5
Total Score

May The Force Be With You

  • Roteiro que não é feito para os fãs nem para quem não conhece, funcionando para ambos telespectadores
  • Construção de personagens muito bons
  • Resgate ao classicismo da construção do universo
  • Desenvolvimento independe de conceitos mais fortes da saga core
  • Destaque para desenvolvimento do conceito dos Mandalorianos

O Lado Sombrio da Força

  • Episódio do meio perdidos na construção linear da história
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