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Especial Stanley Kubrick | Laranja Mecânica (1971)

Existem alguns filmes, que dizem que todo cinéfilo deveria ver; os diamantes do audiovisual, que hoje são considerados verdadeiros clássicos. Baseado no livro de mesmo nome de Anthony Burgess, publicado em 1962, e estrelado por Malcolm McDowell, Laranja Mecânica de Stanley Kubrick com certeza é um deles.

Nunca tinha assistido a esse filme antes, e mesmo com algumas recomendações, também não li nenhuma critica ou vi algum vídeo que fale dele de forma aprofundada. E talvez venha a calhar desta minha visão do filme nem seja o que os especialistas diriam sobre ele, mas posso dizer que esse é provavelmente o filme mais pertubador que já vi em minha vida!

E a forma como ele foi desenvolvido, a visão de Kubrick para esse filme foi genial! Ele consegue te passar a nausea da violência, no entanto todo o cenário, a trilha sonora, a fotografia é um contraste imenso sobre o que está acontecendo no filme. A simetria de cores, do espaço e a forma como objetos em cenas são posicionados são extremamente prazerosos de se ver, e talvez por esse contraste gritante dos ambientes geralmente brancos e da trilha sonora regida por clássicos de Ludwig van Beethoven, que são coisas que deveriam te trazer uma sensação de calma e prazer, aqui neste filme impere o terror da violência e do sadismo do personagem.

Nas cenas inicial onde a gangue de Alex Delarge, encontra uma gangue rival, onde eles estavam preste a estuprar uma mulher, o que acompanha a cena é uma música clássica, imperando a ideia da violência como um espetáculo bizarro. Como eu disse, completamente desconfortável.

Uma outra coisa que consigo pensar é que, apesar de ser de 1971, e ver esse filme em 2020 com toda a tecnologia e evolução social, senti como se esse filme fosse tão atual quanto possível, talvez porque ele aborda questões que ainda, mesmo 49 anos depois, ainda são temas de discusões, como o autoritarismo, a delinquência juvenil e corrupção moral das autoridades.

As frágeis conexões passada no filme, vem de um contexto onde a sociedade perde aquilo que faz de nós seres sociaveis: relações humanas. Nesta distopia, as relações são quase inexistentes, famílias não se relacionam, pais que não educam os filhos, exaustão por horas e horas de trabalho, e como consequência adolescêntes e jovens adultos sem disciplina e qualquer senso de ética e moral.

A distorção sexual também é muito explicita no filme; a sexualização extrema que cerca toda esta sociedade se verte numa clara objetificação feminina, onde as mulheres passam a ser encaradas como presas que os homens caçam por diversão. Assim, seguindo seus instintos mais animalescos, transformam o sexo em estupro, ataque e ordinária demonstração de poder.

Segundo as declarações do próprio diretor, Laranja Mecânica é uma sátira social que reflete sobre os malefícios do condicionamento psicológico nas mãos de um governo ditatorial que tem a oportunidade de formatar as mentes de seus cidadãos.

Algumas curiosidades sobre o filme:

Malcolm McDowell, o ator principal, feriu o olho durante a gravação do filme por causa do equipamento usado nas cenas do tratamento Ludovico.

Para criar a estética do gangue, Kubrick se inspirou em duas tribos sociais britânicas que eram rivais: os mods e os rockers.

O autor do livro inventou um idioma, o Nadsat, gíria usada pelo gangue com rimas, baseada nas línguas eslavas, no russo e no cockney (rimas da classe operária britânica).

O filme tem erros de continuidade propositais, como aposição de partos e copos, para confundir o espectador.

Laranja Mecânica foi banido no Reino Unido por decisão de Kubrick, depois das críticas negativas que recebeu.

Laranja Mecânica foi censurado no Brasil. Inicialmente banidos dos cinemas, depois foi exibido com tarjas negras censurando as cenas de nudez.

Alex cantando “Singing in the Rain” não fazia parte do guião. O diretor filmou a cena várias vezes mas achava que estava faltando alguma coisa, então pediu que o ator cantasse e dançasse. Essa foi a música que ele lembrou no momento.

A cena dos prisioneiros andando em círculos no pátio, enquanto Alex e o Padre conversam, recria o quadro de Vincent van Gogh, Prisioneiros se Exercitando (1890).

Laranja Mecânica

Laranja Mecânica
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Em um mundo distópico, o violento Alex, líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram, cai nas mãos da polícia. Preso, ele recebe a opção de participar em um programa que pode reduzir o seu tempo na cadeia. Alex vira cobaia de experimentos destinados a refrear os impulsos destrutivos do ser humano, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca.
Em um mundo distópico, o violento Alex, líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram, cai nas mãos da polícia. Preso, ele recebe a opção de participar em um programa que pode reduzir o seu tempo na cadeia. Alex vira cobaia de experimentos destinados a refrear os impulsos destrutivos do ser humano, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca.
5/5
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