Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou

Se eu precisasse definir este filme em uma única palavra, acho que diria ‘amor’. Não consigo pensar em qualquer outra palavra que defina este documentário. Barbara Paz nos entregou um trabalho lindo, emocionante e cheio de amor ao registrar os ultimos momentos da vida de seu finado marido Hector Babenco, um dos maiores cineasta brasileiro da nossa história, mesmo que em vida, ele dissesse que não era digno de tal posição. Babenco foi cineasta de longas como “O Beijo da Mulher-Aranha” que rendeu sua indicação ao Oscar, na categoria de direção, e “Carandiru”.

Intercalando entre os arquivos pessoais e bastidores dos trabalhos de Hector e sua própria capitação, Paz faz um trabalho incrível e muito sensível, e fica muito obvio o quanto ela se entregou ao fazer esse registro e todo seu sentimento transmitido atraves da arte. Todo em preto e branco, com planos bem fechados e uma edição bem simplista, algumas falhas de fotografias e focos torna o documentário algo único, e também transmite a ideia de que é muito mais que só um filme, é um registro de emoções e momentos especiais.

Aqui, a emoção é construída de forma orgânica, pautada mais no envolvimento com a figura retratada e sua característica espirituosa do que por truques narrativos empregados de forma gratuita. Torna-se extremamente prazeroso acompanhar as interações e diálogos entre o casal, mesmo em uma situação tão dolorosa para ambos. Os dois cineastas nos conduzem por uma trajetória de reflexões sobre a vida e a arte. “Não sei o que veio antes, viver ou filmar”, resume Babenco, sobre a importância do cinema em sua vida.

Selecionado para representar o Brasil na vaga para o Óscar 2021 na categoria de Filme Estrangeiro, não me surpreenderia se fosse indicado, dado a importancia de Hector para o cinema americano. Babenco é um filme/documentario que é uma carta de amor, uma despedida que perpetuará o nome de Hector, e o deixará sempre vivo nas memórias e manterá seu legado para o mundo do audiovisual.

Bárbara Paz vai longe e consegue fazer algo que Babenco pediu ao concluir seu último filme, o mediano Meu Amigo Hindu — “eu já vivi minha morte, agora só falta fazer um filme sobre ela”. E Paz o fez de forma brilhante e comovente. Um verdadeiro espetáculo.

Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou

Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou
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Hector Babenco foi um cineasta que viveu e morreu realizando o que fazia sua vida ter algum sentido: A sétima arte. Em relatos marcantes sobre as memórias, amores, reflexões, intelectualidade e a frágil condição de saúde de Babenco, o documentário revela como o seu amor pelo cinema o manteve vivo por tantos anos.
Hector Babenco foi um cineasta que viveu e morreu realizando o que fazia sua vida ter algum sentido: A sétima arte. Em relatos marcantes sobre as memórias, amores, reflexões, intelectualidade e a frágil condição de saúde de Babenco, o documentário revela como o seu amor pelo cinema o manteve vivo por tantos anos.
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