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Coletiva | Bate papo com elenco de M-8: Quando a Morte Socorre a Vida

M-8: Quando a Morte Socorre a Vida‘, novo filme de Jeferson De, é um longa de suspense brasileiro que conta a história de um jovem preto chamado Maurício (Juan Paiva) e periférico que passa na universidade federal do Rio de Janeiro para o curso de medicina, e em sua primeira aula, ele conhece o M-8 um copo, preto, de um indigente, que servirá para suas aulas de anatomia. Durante o semestre, ele começa a sua busca por saber quem foi o rapaz, e enfrentará alguns percalços para descobrir.

Para promover o filme, rolou um bate-papo em coletiva bem legal com parte do elenco, e também com o diretor onde eles falaram sobre religião, sobre seus personagens e sobre a relação do filme com os acontecimentos no Brasil e no mundo.

“Este é o filme onde eu mais trabalhei o silêncio. É um filme cheio de silêncios e cheio de imagens escuras, que é também um convite ao expectador que vá a sala de cinema ver o filme. É um espetáculo, porque ali você desliga o celular, as luzes estão apagadas, é onde sua pupila vai dilatar e você consegue ver os atores e atrizes em sua nuance, na sua delicadeza. É um filme de muitos silêncios e escuridão. Seja pela simbologia dos corpos negros, ou pela estética. Isso foi uma maneira de trabalhar a simbologia da morte e também da vida desses homens e mulheres negros” Explica Jeferson De ao ser perguntado sobre a simbologia do filme e a delicadeza ao conduzir um assunto como a morte.

M-8 é um filme onde a religião da Umbanda é muito presente, e faz parte da vida de Maurício e da sua mãe Cida, interpretada pela Mariana Nunes. E não só os personagens, mas Mariana também tem em sua vida a religião então para ela interpretar as cenas que se passam no terreiro, sem esteriótipos ou exageros foi algo muito bom. Além é claro do benefício de mostrar em tela, nos cinemas, mais da cultura de matriz africana, que é importante para entendimento, respeito e tolerância a essas crenças.

Perguntada também sobre como foi interpretar personagens tão reais, Mariana devolve a pergunta dizendo “E quando é que os personagens não são reais? Interpretar um personagem que tem relações, família, lutas, sonhos, faz deles tão reais quanto as pessoas comuns do dia a dia. […] até porque existe uma dificuldade de imaginar, principalmente para nós atores negros, personagens que são mais ‘fabulosos‘” – completa a atriz

Jeferson De, diretor do filme também comenta sobre a importância que esse filme traz por estar estreiando em uma época onde houve destaques e esteve nos trending acontecimentos do que houve com George Floyde e Pedro Gonzaga. Há uma cena no filme onde Maurício é abordado por policiais de forma agressiva sem nenhum motivo, e mesmo que tenha sido filmado muito antes dos acontecimentos da vida real, infelizmente não é uma cena desatualizada.

O diretor também discorreu sobre a estrutura do cinema e das grandes empresas que estão na frente das produções audiovisual, e sobre a posição que um preto exerce na industria. “É importante que se tenha a representatividade nas telas. […] E me parece que essa boa intensão acontece em vários lugares; E é importante que ela aconteça , mas que ações realmente mostram esse anti-racismo? Principalmente atrás das telas? É isso que faz a diferença; Com todo o respeito com todos os atores que já ganharam o Óscar, que foram contemplados, mas o que realmente mudou a realidade americana foi o fato da Oprah ser uma produtora, do Spike Lee ser um diretor; É esse lugar de saber, de entender como o cinema e o audiovisual funciona que me parece ser mais um lugar de disputa e de poder. Escolher o elenco é feito já no final, quase na hora de gravar. Vejo que pra mim, a preocupação é sobre esse lugar de poder, do conhecer.”

A Mari completa dizendo “[…] As pessoas gostam muito da palavra ‘representatividade’ só que é uma palavra perigosíssima, porque quando você fala a palavra ‘representatividade’, acham que basta colocar um negro, ou dois negros, ou alguns negros e a gente está bonito na fita; E as mudanças que vem acontecendo, são quase timidas; as pessoas brancas que em geral comandam os streamings e as produções audiovisual em geral, as empresas, mais parecem que tem medo de serem taxados de racistas; como uma defesa “eu não sou racista” então vou dar um jeito aqui, colocar um preto na equipe e bla bla bla, mas o que quero saber mesmo é quando vai mudar a estrutura? Se não mudar essa estrutura, só a representatividade não é suficiente. Entenda, é importante que tenha [a representatividade], mas não é só isso.”

Um filme que fala sobre a nuance da vida de um jovem negro no dia-a-dia, sobre a morte de uma pessoa preta, que infelizmente aqui no brasil são muito frequentes com índice altíssimo, ele apresenta um roteiro lindo, muito comovente e que também te traz uma grande reflexão da realidade preta aqui no Brasil. E Raphael Logam encerra a coletiva chamando o público para ver o filme “Se puderem e com todos os cuidados, vão assisitir M-8. é só chegar lá que vocês vão mesmo ver o quanto gostamos de contar essa história é que é tão difícil, pesada e bonita.”

O filme estreia nos cinemas dia 03 de Dezembro.

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